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Internacional

Lula vence Flávio Bolsonaro na Nova Zelândia e na Coreia do Sul no segundo turno das eleições brasileiras

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-10-25

Dados do Tribunal Superior Eleitoral indicam vitória do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre o senador Flávio Bolsonaro entre eleitores brasileiros residentes na Nova Zelândia e na Coreia do Sul, consolidando a preferência do eleitorado no exterior nessas regiões.

**Lead**

O segundo turno das eleições presidenciais brasileiras de 2026 registrou um resultado simbólico e estratégico para a campanha do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva: a vitória sobre o senador Flávio Bolsonaro nas seções eleitorais da Nova Zelândia e da Coreia do Sul. De acordo com os boletins parciais divulgados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Lula obteve maioria dos votos válidos entre os brasileiros aptos a votar nesses dois países asiáticos, confirmando uma tendência já observada no primeiro turno. O resultado, embora não defina o pleito nacional, tem forte valor político, pois demonstra a capilaridade da campanha petista entre a diáspora brasileira em locais de alta renda e com presença significativa de profissionais qualificados.

**Contexto**

A votação no exterior é uma tradição consolidada desde a década de 1990, quando o Brasil passou a garantir o direito ao voto a cidadãos residentes fora do país. No segundo turno de 2026, quase 700 mil eleitores estavam habilitados a votar em 172 países. Nova Zelândia e Coreia do Sul, embora com contingentes modestos — cerca de 4 mil e 12 mil eleitores, respectivamente —, tornaram-se termômetros importantes por concentrarem uma das comunidades brasileiras mais escolarizadas e integradas a economias desenvolvidas.

Historicamente, o voto no exterior tende a refletir a polarização nacional, mas com peculiaridades regionais. Em 2022, Lula venceu Jair Bolsonaro na maioria dos países da Europa e da Ásia, enquanto Bolsonaro liderou nos Estados Unidos e em alguns vizinhos sul-americanos. A presença de Flávio Bolsonaro como candidato — filho do ex-presidente e figura central da direita bolsonarista — reposicionou a disputa, especialmente entre eleitores que enxergam nele a continuidade do legado do pai.

Na Nova Zelândia, a apuração foi concluída na madrugada de segunda-feira (horário local) e mostrou vantagem de Lula sobre Flávio Bolsonaro por margem consistente, segundo fontes da Justiça Eleitoral brasileira que acompanham o pleito. Na Coreia do Sul, o resultado foi semelhante, com Lula obtendo mais de 60% dos votos válidos, tendência que se manteve estável desde o primeiro turno. Os dados oficiais completos devem ser consolidados pelo TSE nas próximas horas, mas não há indícios de virada.

A campanha de Flávio Bolsonaro concentrou esforços em países com grande número de eleitores conservadores, como Estados Unidos e Portugal. Na Ásia, a baixa densidade eleitoral e a menor exposição à máquina de desinformação tornaram o terreno mais hostil à candidatura bolsonarista. Em comunicado, a coordenação de campanha do senador reconheceu a derrota nessas duas praças, mas destacou que o foco permanece nos grandes colégios eleitorais do Brasil.

**Análise**

A vitória de Lula na Nova Zelândia e na Coreia do Sul carrega um significado que vai além dos números absolutos. Esses dois países são frequentemente citados por analistas como exemplos de desenvolvimento sustentável, educação de qualidade e governança estável — atributos que a campanha lulista busca associar à sua plataforma de governo. O desempenho positivo nessas localidades reforça a narrativa de que Lula consegue atrair o voto de brasileiros inseridos em economias de alta produtividade, um segmento crucial para a imagem internacional do candidato.

Para a oposição, o resultado acende um alerta sobre a dificuldade de Flávio Bolsonaro em dialogar com o eleitorado da diáspora asiática. Diferentemente do pai, que mantinha forte apelo entre evangélicos e conservadores nos Estados Unidos, Flávio ainda não consolidou uma base externa orgânica. A derrota na Coreia do Sul, onde há grande concentração de estudantes e profissionais de tecnologia, indica que o discurso de combate à corrupção e de defesa de valores tradicionais não ressoou com a mesma força nesse perfil de eleitor.

Especialistas em política internacional apontam que o voto no exterior, embora pequeno em número, pode influenciar a disputa em estados brasileiros com alta emigração, como Minas Gerais, São Paulo e Paraná. O resultado na Nova Zelândia e na Coreia do Sul será usado pela campanha de Lula para demonstrar aceitação em ambientes multiculturais e inovadores, enquanto a equipe de Flávio Bolsonaro busca refinar a estratégia para o segundo turno nos demais países onde a apuração ainda não foi concluída.

O TSE já informou que a totalização dos votos do exterior deve ser finalizada até o final da semana, quando o resultado oficial do segundo tuno será proclamado. Até lá, a tendência observada na Oceania e no Leste Asiático sugere que Lula mantém a vantagem entre os brasileiros que vivem fora do país, consolidando um dos pilares de sua campanha: a capacidade de movimentoar o eleitorado dissidente em todas as regiões do mundo.

**Fontes**

- Dados parciais divulgados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em 25 de outubro de 2026. - Relatório das juntas eleitorais da Nova Zelândia e da Coreia do Sul, enviados ao TSE. - Entrevistas com analistas políticos e fontes da Justiça Eleitoral brasileira (sem identificação nominal, conforme regra de proteção de fontes).

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.