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Lula presta solidariedade a bispos e diz que 'todas religiões' são atacadas quando uma é alvo de políticos

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-09-30

Em encontro com lideranças católicas, presidente afirma que ataques a uma religião atingem a liberdade de crença de todos e pede respeito à diversidade religiosa no Brasil.

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) manifestou solidariedade a bispos católicos e afirmou que “todas as religiões” são atingidas quando uma denominação religiosa é alvo de ataques por parte de políticos. A declaração ocorreu durante reunião realizada em Brasília, na tarde desta quarta-feira, com integrantes da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). O encontro, que não estava inicialmente na agenda oficial, foi dedicado a temas ligados à liberdade religiosa e à defesa do Estado Democrático de Direito.

**Contexto**

A reunião acontece em um cenário de tensão envolvendo episódios de intolerância religiosa registrados em diferentes regiões do país. Nos últimos meses, lideranças de religiões de matriz africana, como umbanda e candomblé, relataram ataques a terreiros e ofensas em ambientes virtuais. Também houve registros de pichações em igrejas católicas e evangélicas, o que acendeu o alerta das autoridades sobre a escalada da discriminação religiosa no Brasil.

Lula, que já havia se encontrado com representantes de outras denominações religiosas ao longo do mandato, reforçou o compromisso do governo federal com a proteção de todas as crenças. “Quando um político ataca uma religião, não está ferindo apenas aquela comunidade. Está ferindo a liberdade de todas as pessoas que acreditam em algo”, disse o presidente, segundos antes de pedir que os bispos ajudassem a construir uma agenda de paz e diálogo inter-religioso.

A declaração de Lula ecoa um posicionamento que o Palácio do Planalto vem adotando de forma mais incisiva desde o início do ano. Em fevereiro, a Secretaria Nacional de Direitos Humanos lançou uma cartilha de enfrentamento à intolerância religiosa, com orientações para vítimas e canais de denúncia. O material, entretanto, não chegou a ser amplamente divulgado e foi alvo de críticas de parlamentares ligados a setores conservadores.

**Análise**

A fala de Lula ganha relevância em um momento em que o debate sobre os limites da liberdade de expressão e a atuação de políticos em ambientes religiosos está no centro da disputa política brasileira. Ao se posicionar ao lado dos bispos, o presidente busca se consolidar como um fiador da tolerância, mas também mira o eleitorado religioso, que representa um contingente expressivo do eleitorado nacional. A estratégia, no entanto, não é isenta de riscos: a aproximação com a CNBB pode ser interpretada por setores evangélicos como uma tentativa de isolar lideranças que apoiam abertamente a agenda conservadora no Congresso.

Especialistas ouvidos pelo FORTIS NEWS avaliam que a declaração presidencial tem um efeito simbólico importante, mas que a eficácia depende de ações concretas. “A liberdade religiosa é um direito constitucional e qualquer discurso que a relativize precisa ser repudiado. Mas é preciso que o governo atue de forma efetiva na punição de agressores e na promoção de campanhas educativas”, analisa a cientista política Mariana Costa, professora da Universidade de Brasília. Para ela, o encontro com os bispos é um aceno à base católica, mas também um recado ao STF e ao Ministério Público de que o Executivo está atento ao tema.

Outro ponto que merece atenção é o impacto da fala de Lula no Congresso. Parlamentares da bancada evangélica reagiram com ressalvas à declaração. O deputado federal Marcos Pereira (Republicanos-SP) afirmou que “qualquer ataque a uma religião é inaceitável”, mas ponderou que “a liberdade religiosa não pode ser usada como escudo para práticas que desrespeitem a família e os valores cristãos”. A declaração do deputado, no entanto, não foi confirmada por sua assessoria até o fechamento desta matéria.

A reunião com os bispos também ocorre em um momento de articulação do governo para aprovar no Congresso um pacote de medidas de combate à desinformação. Entre as propostas, está a criminalização da incitação à discriminação religiosa em redes sociais. A ideia, porém, enfrenta resistência de parte da oposição, que vê na medida uma tentativa de censura.

**Fontes**

As informações desta matéria foram obtidas a partir de declarações públicas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante reunião com representantes da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), realizadas em Brasília. Também foram utilizados relatos de participantes do encontro, além de reportagens veiculadas pela Agência Brasil e pelo G1. A análise de especialistas foi baseada em entrevista concedida à equipe do FORTIS NEWS, com a cientista política Mariana Costa, da Universidade de Brasília. As informações sobre a cartilha de enfrentamento à intolerância religiosa foram obtidas em materiais oficiais da Secretaria Nacional de Direitos Humanos.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.