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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva prestou solidariedade, nesta terça-feira (29), a bispos e lideranças católicas que têm sido alvo de ataques e críticas por parte de políticos brasileiros. Durante reunião no Palácio do Planalto, em Brasília, Lula afirmou que “quando uma religião é atacada, todas as religiões são atacadas”, reforçando a defesa da liberdade de culto e da pluralidade religiosa no país. O encontro ocorre em meio a um cenário de crescente tensão entre setores políticos e instituições religiosas, especialmente a Igreja Católica, que tem sido alvo de discursos agressivos de parlamentares ligados a grupos evangélicos conservadores.
**Contexto**
A reunião com o presidente foi solicitada pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), que vem registrando um aumento de ataques verbais e tentativas de desqualificação pública contra bispos e padres que se posicionam sobre temas sociais e políticos. Nos últimos meses, figuras públicas ligadas ao bolsonarismo e a setores do fundamentalismo religioso têm acusado lideranças católicas de “defender pautas comunistas” e de “interferir na política” ao criticar a exploração de trabalhadores, a destruição ambiental e a desigualdade social.
Lula, que é católico praticante, recebeu os bispos em um gesto de apoio institucional. Durante a conversa, o presidente destacou que o Brasil é um Estado laico, mas que isso não significa indiferença ou omissão diante de ataques a qualquer credo. “A laicidade do Estado não é uma licença para o silêncio. É uma garantia de que todas as crenças podem existir sem medo. Quando um político ataca um bispo, ele não está atacando apenas a Igreja Católica. Ele está atacando o direito de todos os brasileiros de crerem no que quiserem”, disse Lula, segundo relato de assessores.
O presidente também lembrou que, historicamente, a perseguição a uma religião abre caminho para a perseguição a todas as outras. Citou exemplos de intolerância religiosa contra terreiros de candomblé e umbanda, que são alvos frequentes de violência no Brasil, e afirmou que a luta contra o preconceito religioso deve unir todas as fés.
**Análise**
A declaração de Lula tem impacto direto no cenário político brasileiro, especialmente em um momento em que a polarização religiosa se intensifica. Nos últimos anos, parte do campo político conservador passou a tratar a Igreja Católica como adversária, especialmente após posicionamentos da CNBB contra a flexibilização do porte de armas, a redução de direitos trabalhistas e a destruição da Amazônia. A reação de Lula sinaliza que o governo federal não ficará neutro diante desses ataques, o que pode gerar novos embates com a bancada evangélica no Congresso.
Especialistas em ciência política apontam que a fala do presidente também busca fortalecer a base de apoio entre eleitores católicos, que ainda representam a maioria da população brasileira, embora em declínio. Ao mesmo tempo, a defesa da liberdade religiosa como um princípio universal pode ajudar a construir pontes com lideranças de outras religiões que também se sentem ameaçadas pela radicalização política.
No entanto, a declaração de Lula não deve ser interpretada como um ataque a evangélicos ou a qualquer grupo religioso. O presidente fez questão de diferenciar a fé da política partidária. “Não é contra os evangélicos que estamos falando. É contra aqueles que usam a religião como escudo para atacar os outros. Isso não é fé, é oportunismo”, afirmou.
**Fontes**
As informações foram obtidas por meio de nota oficial da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República, de relatos de participantes da reunião divulgados pela CNBB e de reportagens de veículos como Agência Brasil, G1 e Folha de S.Paulo. Não foram utilizadas fontes anônimas ou não verificáveis.
Por Renan Filho · 2026-09-29