**Lead**
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva retoma, a partir das próximas semanas, uma série de viagens internacionais que haviam sido suspensas nos últimos meses por razões de agenda doméstica e recomendações médicas. A nova fase da diplomacia presidencial tem como ponto alto a participação na cúpula do G20, onde Lula deve encontrar o ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em um encontro que pode redefinir as relações bilaterais entre Brasil e EUA. A informação foi confirmada por assessores do Palácio do Planalto, que destacam a importância de restabelecer contatos diretos com líderes globais.
**Contexto**
A ausência de Lula no cenário internacional nos últimos meses foi atribuída a uma combinação de fatores: a recuperação de uma cirurgia no quadril, realizada em meados do ano, e a necessidade de conduzir pessoalmente a tramitação de pautas prioritárias no Congresso Nacional, como a reforma tributária e o novo marco fiscal. Com a aprovação desses projetos, o presidente avaliou que as condições políticas e de saúde permitem retomar o protagonismo externo que marcou seus primeiros anos de mandato.
Antes da pausa, Lula havia visitado países da América do Sul, China e participado de reuniões do BRICS. Agora, a agenda prevê passagens por países da África e da Europa antes da cúpula do G20, que ocorrerá no final do ano. A organização do evento ainda não confirmou a data exata, mas fontes diplomáticas indicam que será entre outubro e novembro. A presença de Donald Trump, que busca um novo mandato presidencial nos EUA, adiciona um elemento de imprevisibilidade ao encontro.
**Análise**
A reaproximação entre Lula e Trump, dois líderes com visões de mundo bastante distintas, pode gerar desdobramentos significativos para a política internacional. Durante o governo Trump (2017-2021), as relações Brasil-Estados Unidos foram marcadas por uma aliança conservadora com o então presidente Jair Bolsonaro. Com Lula, a relação tornou-se mais pragmática, mas sem o mesmo nível de proximidade. Um encontro bilateral no G20 poderia abrir espaço para acordos comerciais e cooperação em temas como mudanças climáticas, embora as diferenças ideológicas sejam profundas.
Do ponto de vista estratégico, Lula busca reposicionar o Brasil como um ator global capaz de dialogar com todos os polos de poder, independentemente de alinhamentos partidários. A retomada das viagens internacionais também sinaliza aos investidores estrangeiros que o Brasil está aberto a negócios e disposto a participar ativamente dos fóruns multilaterais. Para Trump, um encontro com Lula pode ser uma oportunidade de mostrar influência internacional em sua campanha eleitoral, ao mesmo tempo que tenta conquistar o eleitorado brasileiro-americano e sinalizar que pode manter boas relações com governos de esquerda quando conveniente.
**Fontes**
As informações foram obtidas junto à assessoria de imprensa da Presidência da República e a diplomatas que acompanham a preparação da agenda externa. Dados sobre a recuperação cirúrgica do presidente foram divulgados pelo Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo. A confirmação da participação de Donald Trump no G20 ainda não foi oficializada pela organização do evento, mas é amplamente esperada pela imprensa internacional. Nenhuma declaração direta dos envolvidos foi utilizada, e todos os dados citedos são públicos e verificáveis.
Por Renan Filho · 2026-10-27