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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) reforçou, nesta segunda-feira (12), a agenda de atos de campanha para o segundo turno das eleições presidenciais de 2026, apostando na proposta de implementação da escala de trabalho 6×1 — seis dias de trabalho por um de descanso — como principal bandeira para atrair votos de trabalhadores de baixa renda e da classe média assalariada. A estratégia foi anunciada em comício na cidade de São Bernardo do Campo (SP), berço político do petista, e deve ser replicada em outras capitais até o dia da votação.
**Contexto**
A campanha de Lula para o segundo turno enfrenta um cenário de polarização acirrada, com pesquisas de intenção de voto indicando empate técnico entre o petista e o adversário, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Diante da necessidade de ampliar a vantagem entre o eleitorado mais jovem e os trabalhadores do setor de serviços, a equipe de comunicação do PT decidiu colocar a pauta trabalhista no centro do debate.
A escala 6×1 é uma reivindicação histórica de centrais sindicais e movimentos sociais, que argumentam que a jornada de seis dias consecutivos de trabalho com apenas um de folga compromete a saúde física e mental dos trabalhadores, além de reduzir o tempo disponível para qualificação profissional e convívio familiar. Atualmente, a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) permite escalas de até seis dias de trabalho por um de descanso, desde que respeitado o limite de 44 horas semanais.
Lula já havia mencionado o tema durante o primeiro turno, mas sem dar a ele centralidade. Agora, com a aproximação do segundo turno, a proposta ganhou status de prioridade na propaganda eleitoral gratuita e nos discursos de palanque. Em São Bernardo, o presidente afirmou que, se reeleito, enviará ao Congresso Nacional um projeto de lei para reduzir a jornada máxima para 40 horas semanais e extinguir a escala 6×1, substituindo-a por modelos como 5×2 (cinco dias de trabalho por dois de descanso) ou 4×3 (quatro dias de trabalho por três de descanso), a depender do setor.
A aposta na pauta trabalhista não é desprovida de riscos. Setores do empresariado, especialmente do comércio e da indústria de serviços, já manifestaram preocupação com o impacto nos custos operacionais. A Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) divulgou nota técnica alertando que a mudança poderia elevar em até 12% os gastos com folha de pagamento em setores que dependem de funcionamento contínuo, como supermercados, hospitais e transportes.
**Análise**
A escolha de Lula em reforçar a pauta da escala 6×1 neste momento do segundo turno revela uma leitura estratégica do eleitorado. Pesquisas qualitativas realizadas pelo PT indicam que, entre os eleitores indecisos e os que votaram nulo ou branco no primeiro turno, o tema da jornada de trabalho é um dos que mais geram engajamento e identificação. Para esses eleitores, a promessa de mais tempo livre e menos desgaste físico soa como uma melhoria concreta na qualidade de vida, em contraste com debates macroeconômicos ou institucionais que muitas vezes parecem distantes do cotidiano.
Do ponto de vista da segurança pública, a proposta também carrega implicações indiretas. Estudos do Fórum Brasileiro de Segurança Pública apontam que jornadas exaustivas estão correlacionadas ao aumento de acidentes de trabalho, violência doméstica e consumo de álcool e drogas. Reduzir a escala de trabalho, portanto, pode ter efeitos positivos sobre indicadores de saúde e segurança, ainda que de forma indireta e de médio a longo prazo.
Por outro lado, a oposição já sinaliza que usará o tema para tentar desgastar a imagem de Lula junto ao empresariado e ao eleitorado de centro. Bolsonaro, em entrevista coletiva no domingo (11), classificou a proposta como “populista e irresponsável”, afirmando que ela geraria demissões em massa e informalidade. A campanha do PL também deve explorar o argumento de que a medida, se aprovada, poderia elevar a inflação de serviços, afetando justamente os trabalhadores que Lula pretende beneficiar.
**Fontes**
As informações foram obtidas a partir de discursos públicos do presidente Lula durante comício em São Bernardo do Campo (SP) em 12 de outubro de 2026, de nota técnica da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) divulgada em 10 de outubro de 2026, de entrevista coletiva do ex-presidente Jair Bolsonaro em 11 de outubro de 2026, e de estudos do Fórum Brasileiro de Segurança Pública sobre jornada de trabalho e indicadores sociais (edição 2025). Dados de pesquisas qualitativas foram mencionados por integrantes da coordenação de comunicação da campanha do PT em conversas com jornalistas, sem divulgação de números específicos.
Por Renan Filho · 2026-10-12