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Lula rebate Flávio após ser chamado de ‘9 dedos’; senador pede desculpas ao Brasil

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-10-24

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva respondeu ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) após ser alvo de uma ofensa pessoal durante sessão no Congresso. Flávio se retratou publicamente, mas o episódio reacendeu o debate sobre os limites da retórica política no país.

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva rebateu, na tarde desta quarta-feira, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) após ser chamado de “9 dedos” durante uma discussão no plenário do Senado Federal. A ofensa, que faz referência à amputação do dedo mínimo da mão esquerda de Lula em um acidente de trabalho na juventude, gerou reação imediata do Palácio do Planalto. Horas depois, o senador usou suas redes sociais para pedir desculpas “ao Brasil”, mas o episódio já havia provocado uma crise institucional e reacendido o debate sobre a qualidade do diálogo político no país.

**Contexto**

O incidente ocorreu durante a votação de um projeto de lei de interesse do governo. Segundo relatos de parlamentares presentes, Flávio Bolsonaro teria se referido ao presidente usando o apelido pejorativo “9 dedos” em meio a um bate-boca com líderes da base governista. A expressão remete a um fato conhecido: em 1964, aos 19 anos, Lula perdeu o dedo mínimo da mão esquerda ao operar uma prensa em uma fábrica de autopeças em São Bernardo do Campo (SP). O acidente marcou sua trajetória sindical e é frequentemente citado em biografias do presidente.

A resposta de Lula veio por meio de nota oficial da Secretaria de Comunicação Social da Presidência. O texto classifica a declaração como “desrespeitosa e indigna de um representante do povo brasileiro” e afirma que “ofensas pessoais não contribuem para o debate democrático”. Lula não citou o nome de Flávio diretamente, mas disse que “aqueles que não têm propostas para o país recorrem a ataques mesquinhos”. A nota também lembrou a trajetória de superação do presidente, que saiu da pobreza e se tornou três vezes presidente da República.

Flávio Bolsonaro, por sua vez, gravou um vídeo publicado em seu perfil oficial no Instagram. Na gravação, ele afirma: “Peço desculpas ao povo brasileiro se fui grosseiro. Não foi minha intenção ofender a figura do presidente, mas o calor do debate me levou a um excesso. Reconheço que não é assim que se faz política.” Apesar da retratação, o senador não mencionou Lula diretamente e disse que mantém suas críticas às políticas do governo. Aliados do presidente consideraram o pedido de desculpas insuficiente e cobraram uma retratação formal no plenário.

**Análise**

O episódio, embora aparentemente circunscrito a um confronto pessoal, revela um padrão preocupante na polarização política brasileira. A utilização de características físicas como arma de ataque não é nova, mas tem se intensificado nos últimos anos, especialmente em ambientes institucionais. O cientista político Antonio Lavareda, em entrevista ao jornal O Globo, classificou a atitude de Flávio como “um retrocesso no decoro parlamentar”. “Estamos diante de uma escalada na falta de limites. Quando um senador da República recorre a um apelido baseado em uma deficiência física, ele não atinge apenas o presidente, mas banaliza o respeito que o cargo exige”, analisou.

Do ponto de vista da comunicação política, a resposta de Lula foi calculada para não alimentar a polêmica. Ao evitar o confronto direto e delegar a defesa a uma nota institucional, o presidente tentou se colocar acima da briga. Já a retratação de Flávio, ainda que tardia e indireta, pode ter sido motivada pelo risco de sanções regimentais. O Conselho de Ética do Senado pode abrir processo por quebra de decoro parlamentar, o que poderia levar a uma advertência ou até à suspensão do mandato. Até o momento, nenhum partido protocolou representação, mas líderes da base aliada já sinalizaram que vão analisar o caso.

**Fontes**

A reportagem baseou-se em informações da Agência Senado, da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República, de publicações nas redes sociais do senador Flávio Bolsonaro e em declarações do cientista político Antonio Lavareda ao jornal O Globo (edição online de 24 de outubro de 2026). Dados históricos sobre o acidente de Lula foram consultados na biografia “Lula: A Biografia”, de Fernando Morais, e em arquivos do Centro de Documentação e Memória da Central Única dos Trabalhadores (CUT).

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.