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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva rebateu, nesta quarta-feira (16), as críticas à recente aprovação do fim da escala de trabalho 6x1 — modelo que previa seis dias consecutivos de trabalho por um de folga. Em discurso transmitido ao vivo, Lula afirmou que “toda vez que o Brasil tenta avançar, aparece alguém dizendo que não vai dar certo”. A declaração ocorre em meio a um acirrado debate político e econômico sobre os efeitos da nova legislação, que reduz a jornada máxima semanal e altera regras de descanso para milhões de trabalhadores.
**Contexto**
A escala 6x1 era predominante em setores como comércio, serviços e indústria de turnos. Sua extinção foi aprovada pelo Congresso Nacional após meses de negociação entre governo, centrais sindicais e representantes patronais. A nova lei estabelece um limite de 44 horas semanais, com folga mínima de dois dias consecutivos, além de regras mais rígidas para horas extras. A medida foi celebrada por movimentos trabalhistas, mas enfrenta resistência de entidades empresariais, que alegam aumento de custos e perda de competitividade.
Lula, que fez da valorização do trabalho um dos pilares de seu terceiro mandato, tem usado discursos públicos para defender a mudança. “Sempre que propusemos algo novo — o salário mínimo, o Bolsa Família, a própria Consolidação das Leis do Trabalho —, disseram que não ia funcionar. E deu certo”, declarou o presidente, em referência a conquistas históricas de seus governos anteriores. A fala foi direcionada a críticos que apontam riscos de desemprego e informalidade com a redução da jornada.
Dados do Ministério do Trabalho indicam que cerca de 12 milhões de brasileiros estavam submetidos à escala 6x1 antes da mudança. Estudos do Dieese apontam que a transição para um modelo com dois dias de folga pode aumentar a produtividade em até 8%, enquanto a Confederação Nacional da Indústria (CNI) estima um acréscimo de 5% nos custos operacionais para empresas de menor porte. O governo prometeu linhas de crédito e subsídios para facilitar a adaptação, mas a implementação ainda gera incertezas.
**Análise**
A declaração de Lula reflete uma estratégia política de associar a reforma trabalhista a um histórico de avanços sociais que, segundo ele, sempre foram recebidos com ceticismo. Ao evocar exemplos como o salário mínimo e o Bolsa Família, o presidente busca ancorar a nova medida em uma narrativa de sucesso, tentando neutralizar as críticas de que o fim da 6x1 pode gerar desemprego ou precarização. Para analistas, a aposta é arriscada: embora haja evidências de que jornadas mais curtas podem melhorar a qualidade de vida e a produtividade, o contexto econômico atual — com inflação ainda pressionada e juros altos — torna o timing delicado.
Do ponto de vista político, a medida fortalece a base de Lula junto a sindicatos e movimentos sociais, mas pode afastar setores do centro e da direita que defendem maior flexibilização trabalhista. O presidente, no entanto, parece disposto a enfrentar o desgaste. “Toda vez que dizem que não vai dar certo, o Brasil prova o contrário”, afirmou, em tom de desafio. A fala ecoa o discurso de campanha de 2022, quando Lula prometeu “governar para quem mais precisa”. Resta saber se o mercado e o Congresso, que já sinalizam novas pressões, darão trégua para a implementação da medida.
**Fontes**
Discurso do presidente Luiz Inácio Lula da Silva transmitido pela TV Brasil em 16 de outubro de 2026. Dados do Ministério do Trabalho e Emprego sobre a escala 6x1. Estudos do Dieese e da Confederação Nacional da Indústria (CNI) sobre impactos da jornada reduzida. Reportagens da Agência Brasil e do G1 sobre a tramitação da PEC.
Por Renan Filho · 2026-10-16