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Seguranca

4º mandato de Lula iguala recorde de Roosevelt e reacende debate sobre segurança pública

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-10-26

Caso reeleito em 2026, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva igualaria o feito do americano Franklin D. Roosevelt de quatro mandatos consecutivos. A perspectiva já mobiliza analistas e especialistas em segurança pública, que avaliam os possíveis rumos das políticas de combate ao crime e à violência no Brasil.

**Lead**

A possibilidade de o presidente Luiz Inácio Lula da Silva conquistar um quarto mandato em 2026, igualando o recorde histórico do americano Franklin Delano Roosevelt, traz à tona um debate central para o país: a continuidade e a eficácia das políticas de segurança pública. A marca, até hoje inédita para um presidente brasileiro, coloca em perspectiva os avanços, os retrocessos e os desafios do setor sob uma mesma gestão prolongada. Embora o cenário eleitoral ainda seja incerto, a mera hipótese já estimula especialistas a projetar cenários para a segurança nos próximos anos.

**Contexto**

Franklin Roosevelt foi eleito quatro vezes presidente dos Estados Unidos, entre 1932 e 1944, governando de 1933 até sua morte em 1945. No Brasil, a Constituição de 1988 permite a reeleição para um mandato consecutivo, mas, após um intervalo, é possível concorrer novamente. Lula já exerceu dois mandatos consecutivos (2003-2006 e 2007-2010) e, após um hiato de dois pleitos, foi eleito para o terceiro mandato (2023-2026). Se reeleito em 2026, seu quarto mandato (2027-2030) o colocaria lado a lado com Roosevelt no número de vezes que ocupou a chefia do Executivo.

No que tange à segurança pública, a trajetória de Lula é marcada por contrastes. Em seus primeiros mandatos, foram criados o Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania (Pronasci) e a Força Nacional de Segurança, iniciativas que buscavam integrar ações de prevenção e repressão qualificada. Apesar disso, os índices de homicídios no país permaneceram elevados, com picos em meados da década de 2010. Já no atual governo, a pasta da Segurança Pública retornou ao Ministério da Justiça, e foram retomados programas como o novo Pronasci. A promessa de um Plano Nacional de Segurança Pública, com foco na integração de dados e na inteligência policial, ainda está em implementação.

Especialistas apontam que a longevidade no poder pode favorecer a consolidação de políticas de Estado, mas também traz riscos de descontinuidade caso não haja planejamento de longo prazo. “A segurança pública é uma área que demanda ações permanentes e adaptações constantes. Um presidente com quatro mandatos pode dar continuidade a projetos que, de outra forma, seriam interrompidos a cada troca de governo”, avalia um analista político ouvido pela reportagem. Contudo, a mesma concentração de poder pode gerar desgastes institucionais e resistência de corporações policiais, que historicamente alternam entre alinhamento e oposição ao governo federal.

**Análise**

A igualdade simbólica com Roosevelt não é meramente estatística. Nos Estados Unidos, os quatro mandatos de FDR foram marcados pela resposta à Grande Depressão e à Segunda Guerra Mundial, com uma ampliação do poder federal e a criação de agências de segurança e inteligência, como o FBI moderno. No Brasil, a comparação levanta questões sobre o papel do Executivo na coordenação das polícias estaduais – atribuição constitucional dos governadores – e na definição de diretrizes nacionais de enfrentamento ao crime organizado, facções e milícias.

Um eventual quarto mandato de Lula poderia significar a continuidade de políticas como o fortalecimento da Polícia Federal e da Polícia Rodoviária Federal, além de investimentos em sistemas de monitoramento e tecnologia. Por outro lado, críticos apontam que a centralização de decisões pode enfraquecer o pacto federativo e reduzir a autonomia dos estados na gestão da segurança. A discussão sobre a criação de um Ministério da Segurança Pública autônomo, desvinculado da Justiça, também pode ganhar força, com defensores argumentando que a área merece status próprio para enfrentar a complexidade do crime contemporâneo.

No campo da segurança cidadã, a expectativa é de que programas de prevenção e reintegração de presos sejam testados por mais tempo, permitindo avaliações mais robustas de seu impacto. No entanto, a persistência de altos índices de letalidade policial e de violência nas periferias ainda pressiona o governo por respostas rápidas. A experiência de Roosevelt mostrou que crises externas podem catalisar mudanças profundas na estrutura de segurança; no Brasil, o desafio é interno: reduzir a criminalidade sem abrir mão dos direitos humanos e da democracia.

**Fontes**

- Constituição Federal do Brasil (1988) – artigos sobre reeleição e mandatos. - Dados históricos da Presidência dos Estados Unidos (Franklin D. Roosevelt Presidential Library and Museum). - Pronasci – Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania (Ministério da Justiça e Segurança Pública). - Análises de especialistas em segurança pública e ciência política publicadas em veículos como Folha de S.Paulo, O Globo e UOL. - Estudos do Fórum Brasileiro de Segurança Pública sobre indicadores de violência e políticas públicas.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.