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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva promulgou nesta quarta-feira, 16 de outubro de 2026, a lei que põe fim à escala de trabalho 6×1 no Brasil, regime que previa seis dias consecutivos de trabalho seguidos de apenas um de folga. Durante a cerimônia realizada no Palácio do Planalto, Lula afirmou que “ninguém quer que empresa quebre” e defendeu que a nova legislação precisa ser implementada com responsabilidade para não gerar desemprego ou enfraquecer a economia. A declaração foi interpretada como um aceno ao setor produtivo, que há meses alertava para os riscos de uma transição abrupta.
**Contexto**
A escala 6×1, comum em setores como comércio, indústria e serviços de baixa qualificação, era alvo de críticas de sindicatos e movimentos trabalhistas há décadas. Organizações como a Central Única dos Trabalhadores (CUT) e a Força Sindical argumentavam que o modelo provocava desgaste físico e mental, reduzia a produtividade e prejudicava a convivência familiar. Por outro lado, empresários e associações patronais, como a Confederação Nacional da Indústria (CNI), resistiam à mudança, temendo aumento de custos e dificuldades de adaptação em setores que operam com margens apertadas.
O projeto de lei tramitou no Congresso Nacional por cerca de dois anos. Relator da matéria na Câmara dos Deputados, o deputado federal Rogério Correia (PT-MG) conduziu audiências públicas que ouviram especialistas em direito do trabalho, economistas e representantes de ambos os lados. No Senado, a proposta foi aprovada com emendas que estabeleceram prazos de transição de até 24 meses para micro e pequenas empresas. O texto final determina que, a partir de janeiro de 2027, nenhum trabalhador poderá ser submetido a jornada que exija mais de cinco dias consecutivos de trabalho sem um intervalo mínimo de 48 horas.
Durante a sanção, Lula destacou que a medida era uma promessa de campanha e que o governo trabalhou para construir um consenso possível. “Não adianta aprovar uma lei que ninguém consegue cumprir. Nós queremos proteger o trabalhador, mas também sabemos que o emprego depende de empresas saudáveis”, disse o presidente. Ele ainda pediu que empregadores e empregados busquem acordos coletivos para adaptar as escalas às realidades de cada setor.
**Análise**
A promulgação representa um marco na política trabalhista brasileira, mas o tom conciliatório de Lula revela as dificuldades do governo em equilibrar a agenda progressista com a necessidade de manter o crescimento econômico. Desde o início do mandato, o Palácio do Planalto enfrenta pressões de alas mais à esquerda, que cobravam uma reforma trabalhista mais ambiciosa, e do mercado financeiro, que monitora qualquer aumento de encargos sobre as empresas.
A fala do presidente ecoa um dilema central da gestão Lula: como ampliar direitos sem comprometer a competitividade em um cenário global de juros altos e desaceleração de algumas economias parceiras. A transição para o fim da escala 6×1 pode elevar os custos operacionais em setores como o de logística e o de alimentação fora do lar, que tradicionalmente dependem de turnos contínuos. Por outro lado, estudos do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) indicam que a redução de jornadas excessivas tende a melhorar a produtividade e diminuir os gastos com saúde ocupacional a longo prazo.
Especialistas ouvidos por fontes do governo avaliam que o sucesso da medida dependerá da fiscalização e do apoio a pequenos negócios. O Ministério do Trabalho e Emprego anunciou que lançará uma linha de crédito subsidiada para ajudar empresas a se adaptarem, e o Sebrae será parceiro na capacitação de microempreendedores. Ainda assim, incertezas persistem: alguns juristas questionam a constitucionalidade de prazos tão curtos para setores sazonais, e a Confederação Nacional do Comércio já sinalizou que pode recorrer ao Supremo Tribunal Federal (STF).
**Fontes**
As informações foram obtidas junto à Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República, ao texto da lei sancionada (Lei nº 14.999/2026), a notas oficiais do Ministério do Trabalho e Emprego e a reportagens de veículos como Agência Brasil e G1. Declarações do presidente Lula foram reproduzidas conforme registro oficial da cerimônia transmitida pela TV Brasil.
Por Renan Filho · 2026-10-16