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Política

‘Ninguém quer que empresa quebre’, diz Lula em promulgação de fim da escala 6×1

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-10-17

Presidente sanciona lei que extingue jornada de seis dias de trabalho por um de descanso; medida visa equilibrar direitos trabalhistas e sustentabilidade empresarial.

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva promulgou nesta quinta-feira, 17 de outubro de 2026, a lei que determina o fim da escala 6×1 no Brasil — regime que alterna seis dias consecutivos de trabalho com um dia de folga. Durante a cerimônia no Palácio do Planalto, o chefe do Executivo declarou que “ninguém quer que empresa quebre”, destacando a necessidade de conciliar a melhoria das condições laborais com a viabilidade econômica dos negócios. A nova legislação, aprovada pelo Congresso Nacional após intensos debates, representa uma das maiores reformas na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) dos últimos anos.

**Contexto**

A escala 6×1 era adotada principalmente nos setores de comércio, serviços e indústria de turno contínuo, onde a operação ininterrupta exigia jornadas extensas seguidas de apenas um dia de descanso. Críticas recorrentes apontavam que o modelo prejudicava a saúde física e mental dos trabalhadores, reduzia o tempo com a família e limitava o acesso a cursos de qualificação. Projetos de lei tramitavam no Congresso desde a década passada, mas ganharam força após a eleição de Lula, que colocou a pauta trabalhista como prioridade.

O texto aprovado substitui a escala 6×1 por modelos alternativos, como a escala 5×2 (cinco dias trabalhados e dois de descanso) ou a 4×3 (quatro dias de trabalho e três de folga), permitindo negociação coletiva entre sindicatos e empregadores para adaptação setorial. Segundo informações oficiais do Ministério do Trabalho e Emprego, a transição será gradual, com prazos que variam conforme o porte da empresa e o segmento de atuação. Microempreendedores individuais e pequenas empresas terão até dois anos para se adequar, enquanto médias e grandes corporações deverão cumprir as novas regras em até dezoito meses.

Lula afirmou que a medida não visa onerar o empresariado, mas sim modernizar as relações de trabalho. “Ninguém quer que empresa quebre. Queremos que o trabalhador tenha dignidade e que o empresário possa continuar produzindo com competitividade”, disse o presidente durante o evento. A fala foi interpretada como um aceno à classe patronal, que demonstrou preocupação com possíveis aumentos de custos operacionais. Entidades como a Confederação Nacional da Indústria (CNI) chegaram a apresentar estudos alertando para riscos de desemprego em setores de baixa margem, mas o governo argumenta que a produtividade tende a crescer com jornadas mais equilibradas.

**Análise**

A promulgação da lei representa um marco na política trabalhista brasileira, mas sua implementação será um teste para a capacidade de diálogo entre governo, sindicatos e empresários. Especialistas apontam que a extinção da escala 6×1 pode ter efeitos positivos sobre a saúde ocupacional e a redução de acidentes de trabalho, temas que vinham sendo debatidos em fóruns internacionais. Dados da Organização Internacional do Trabalho (OIT) indicam que jornadas excessivas estão associadas a maiores índices de estresse e afastamento, o que, em última análise, também gera custos para as empresas.

Por outro lado, setores como o comércio varejista e a hotelaria, que dependem fortemente de escalas flexíveis para atender a demanda nos finais de semana, terão de reestruturar suas escalas. A expectativa é que haja um aumento na contratação de trabalhadores em tempo parcial ou no regime de banco de horas para manter a cobertura de horários. O governo promete linhas de crédito subsidiadas para auxiliar micro e pequenas empresas na adaptação, mas analistas alertam que o impacto nos custos pode levar a um repasse para preços ao consumidor.

A declaração de Lula de que “ninguém quer que empresa quebre” sugere que o Executivo está atento à necessidade de não sufocar o setor produtivo. No entanto, a eficácia da lei dependerá da flexibilidade das negociações coletivas e da fiscalização do cumprimento dos prazos. O movimento sindical, que pressionou pela aprovação, agora cobra agilidade na implementação, enquanto a oposição no Congresso já sinaliza com possíveis ações de inconstitucionalidade, alegando interferência na liberdade contratual.

**Fontes**

Presidência da República – Discurso do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na cerimônia de promulgação da lei do fim da escala 6×1, em 17 de outubro de 2026. Ministério do Trabalho e Emprego – Nota oficial sobre os prazos de adaptação e diretrizes da nova legislação. Confederação Nacional da Indústria (CNI) – Posicionamento público sobre a reforma trabalhista. Organização Internacional do Trabalho (OIT) – Relatórios sobre jornada de trabalho e saúde ocupacional.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.