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Politica

Lula prevê crise no Senado e critica candidatos 'independentes' da base aliada

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-09-25

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva alertou que a proliferação de candidaturas ditas 'independentes' dentro da base aliada pode gerar uma crise institucional no Senado Federal, comprometendo a governabilidade e a aprovação de pautas prioritárias do governo.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, durante evento do Partido dos Trabalhadores em Brasília na última quarta-feira, que o crescimento de candidaturas autointituladas 'independentes' entre partidos da base aliada pode provocar uma crise no Senado após as eleições de 2026. Em declaração à imprensa, Lula disse que esses candidatos, embora formalmente integrem a coalizão governista, não oferecem garantias de lealdade ao programa do governo, o que dificultaria a formação de maioria estável na casa legislativa.

Segundo o presidente, a fragmentação já é um problema na atual composição do Senado, que conta com 81 cadeiras. Dados do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap) indicam que, dos 42 senadores formalmente alinhados ao governo, pelo menos 12 atuam de forma independente em votações-chave, como a reforma tributária e o novo arcabouço fiscal. Lula criticou diretamente o que chamou de 'oportunismo político' e pediu que os partidos da base disciplinem suas candidaturas para evitar 'aventureiros' que possam enfraquecer o bloco governista.

Por que isso importa? O controle do Senado é vital para o governo aprovar reformas estruturais, especialmente aquelas que envolvem aumento de arrecadação e ampliação do gasto público. Com a proximidade das eleições de outubro, a disputa por 27 cadeiras do Senado (renovação de um terço) coloca em risco a atual maioria governista. Pesquisa Datafolha divulgada em setembro mostra que 58% dos brasileiros consideram o Senado 'muito fragmentado', e 45% avaliam que a falta de coesão partidária prejudica a aprovação de leis importantes.

Análise FORTIS: A postura de Lula revela o incômodo do Palácio do Planalto com a natural diversidade de opiniões dentro de sua própria base. Em vez de buscar consenso por meio de diálogo e redução da máquina estatal, o presidente apela ao controle das candidaturas, numa tentativa de sufocar a independência parlamentar. Historicamente, o Estado brasileiro gasta mal, tributa demais e entrega pouco. Um Senado com parlamentares independentes pode justamente funcionar como freio a novos aumentos de impostos e a medidas que expandem o tamanho do governo. O liberal-conservadorismo enxerga nesses candidatos a possibilidade de uma política mais fiscalmente responsável e menos subserviente ao Executivo.

Contraponto: Especialistas em ciência política, como o professor da USP Jairo Nicolau, apontam que a fragmentação partidária é um problema crônico do presidencialismo de coalizão brasileiro. Em entrevista à Rádio CBN, Nicolau afirmou que Lula não está errado ao temer a ingovernabilidade, mas a solução não passa por cercear candidaturas independentes, e sim por reformas que reduzam o número de partidos e incentivem a fidelidade programática. O problema real, segundo Nicolau, é que o Estado inchado gera incentivos para que parlamentares busquem vantagens pessoais, e não para que atuem em prol do interesse público. Uma agenda de Estado mínimo e livre mercado, com menos recursos nas mãos do governo, naturalmente reduziria esses incentivos.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.