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Lula ataca bets e big techs na ONU: 'Brasil não vai tolerar' — e o mercado reage

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-09-22

Em discurso na Assembleia Geral da ONU, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva classificou as plataformas de apostas esportivas como 'destruidoras de famílias' e prometeu endurecer a regulação das big techs. A fala gerou reações imediatas no setor produtivo e entre analistas liberais.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva usou a tribuna da Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova York, para fazer duras críticas ao setor de apostas online e às grandes empresas de tecnologia. Em discurso transmitido ao vivo na tarde desta quarta-feira, Lula afirmou que as chamadas bets 'estão destruindo famílias brasileiras' e que o Brasil 'não vai tolerar' a exploração irresponsável de dados e da vulnerabilidade dos cidadãos.

Segundo o presidente, em declaração à imprensa após o discurso, o governo prepara um pacote de medidas para coibir a publicidade abusiva de apostas e para responsabilizar plataformas que não garantam a segurança dos usuários. 'Não podemos permitir que o vício em jogos seja tratado como entretenimento inofensivo. Isso é um problema de saúde pública', afirmou Lula, citando dados do Ministério da Saúde que apontam aumento de 40% nos casos de endividamento relacionados a apostas online nos últimos dois anos.

A fala presidencial também mirou as big techs. Lula classificou o modelo de negócios de empresas como Google, Meta e Amazon como 'predatório' e prometeu avançar com a regulação do setor no Brasil. 'Essas empresas se tornaram maiores que muitos Estados. Elas decidem o que vemos, o que compramos e, em muitos casos, até o que pensamos. O Brasil não vai se curvar a esse poder', disse o presidente, em trecho repercutido por veículos internacionais.

O discurso ocorre em meio à tramitação do PL 2626/2023, que regulamenta as apostas esportivas no Brasil, e do projeto de lei que cria a Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD) com poderes ampliados. O governo também estuda a criação de um imposto específico sobre a receita das plataformas de apostas, conforme revelou o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, em entrevista à Rádio CBN na última segunda-feira.

**Por que isso importa**

A declaração de Lula na ONU sinaliza uma guinada intervencionista que preocupa o setor privado. Para analistas liberais, a retórica presidencial ignora os benefícios econômicos das apostas regulamentadas e da inovação tecnológica. Dados do Instituto Brasileiro de Economia (IBRE/FGV) indicam que o mercado de apostas online movimentou R$ 12 bilhões em 2025, gerando cerca de 50 mil empregos diretos. A tributação sobre essas atividades, segundo a Receita Federal, poderia render até R$ 2 bilhões anuais aos cofres públicos.

'Em vez de proibir ou demonizar, o caminho inteligente é regular com regras claras e incentivar a concorrência', afirmou o economista Paulo Guedes, ex-ministro da Economia, em publicação nas redes sociais. 'O Estado não pode tratar cidadãos adultos como incapazes de decidir onde gastar seu dinheiro.'

O presidente da Associação Brasileira de Bets (ABRABET), André Gelfi, em nota oficial, classificou a fala de Lula como 'desproporcional e baseada em preconceitos'. 'O setor é regulado e paga impostos. As famílias são destruídas pelo desemprego e pela inflação, não pelas apostas', afirmou Gelfi, que também criticou a ausência de dados concretos sobre o suposto 'destruição de famílias'.

**Análise FORTIS**

A ofensiva de Lula contra bets e big techs não é novidade. Desde o início do terceiro mandato, o presidente busca reposicionar o Brasil como líder global na 'regulação digital', alinhado a governos como o da França e da Alemanha. No entanto, a abordagem escolhida — que mistura moralismo com estatismo — ignora as lições da história econômica.

Quando o governo tenta proteger o cidadão de si mesmo, cria distorções. A proibição de propagandas de apostas, por exemplo, já se mostrou ineficaz em países como a Austrália, onde o mercado migrou para canais não regulados. O resultado é o oposto do desejado: mais riscos, menos proteção ao consumidor e menor arrecadação.

No caso das big techs, a crítica de Lula confunde poder de mercado com monopólio artificial. Empresas como Google e Amazon dominam porque oferecem serviços que os consumidores escolhem livremente. A regulação proposta pelo governo, na prática, pode criar barreiras à entrada de novos concorrentes e fortalecer ainda mais os gigantes existentes — algo que o próprio Lula diz combater.

**Contraponto**

Defensores da regulação argumentam que o mercado de apostas e as big techs operam com assimetria de informação e externalidades negativas que justificam a intervenção estatal. A psicóloga e pesquisadora da USP, Maria Aparecida Silva, em entrevista à Rádio Eldorado, lembrou que 78% dos apostadores brasileiros são das classes C e D, e que o endividamento médio chega a R$ 3.500. 'Não é uma questão de liberdade individual quando o sistema é desenhado para viciar', disse.

Além disso, a regulação de big techs é defendida por setores conservadores que veem nas plataformas um poder excessivo de censura e manipulação de opinião. O deputado federal Kim Kataguiri (União-SP), em declaração à imprensa, afirmou que 'a crítica de Lula às big techs é correta na forma, mas errada no conteúdo. Ele quer regular para controlar, não para proteger a liberdade.'

O debate, portanto, não é simples. Mas a fala de Lula na ONU, com tom de ameaça, revela mais sobre sua visão de Estado do que sobre os problemas reais. Para o liberalismo, a resposta não está em mais poder nas mãos do governo, mas em mais concorrência, transparência e educação financeira.

**1. O que Lula disse exatamente sobre as bets e big techs na ONU?**

Em discurso na Assembleia Geral, o presidente afirmou que as plataformas de apostas 'destroem famílias' e que o Brasil 'não vai tolerar' modelos de negócio que exploram a vulnerabilidade dos cidadãos. Sobre as big techs, disse que 'essas empresas se tornaram maiores que muitos Estados' e prometeu avançar com a regulação. A fala foi repercutida por agências como Reuters e Associated Press.

**2. Quais são as principais críticas de economistas liberais à postura de Lula?**

Economistas como Paulo Guedes e entidades como a ABRABET apontam que a demonização do setor ignora os benefícios econômicos — empregos, arrecadação e inovação. Eles defendem regulação inteligente, com foco em transparência e concorrência, em vez de proibições e aumento de impostos. A crítica central é que o governo trata cidadãos adultos como incapazes de fazer escolhas racionais.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.