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Internacional

Por que Lula mudou a estratégia para as redes sociais no segundo turno?

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-10-22

A campanha do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva ajustou sua comunicação digital para o segundo turno das eleições de 2022, priorizando a interação direta e o combate à desinformação, em uma tentativa de conquistar eleitores indecisos.

**Lead**

A campanha do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) adotou uma nova abordagem nas redes sociais para o segundo turno das eleições presidenciais brasileiras de 2022. Após um primeiro turno marcado por uma comunicação mais institucional e focada em comícios e inserções na TV, a equipe de Lula percebeu a necessidade de intensificar a presença digital para dialogar com um eleitorado jovem e combater a máquina de propaganda do adversário, Jair Bolsonaro (PL). As mudanças incluíram maior produção de vídeos curtos, aumento de transmissões ao vivo (lives) e parcerias estratégicas com influenciadores digitais.

**Contexto**

A decisão de reorientar a estratégia não foi arbitrária. Durante o primeiro turno, a comunicação de Lula se apoiou fortemente no horário eleitoral gratuito e em aparições em eventos tradicionais. No entanto, as redes sociais se consolidaram como o principal campo de batalha eleitoral no Brasil, especialmente após o desempenho digital da candidatura de Bolsonaro em 2018 e o crescimento de bolhas de desinformação. O segundo turno impôs um novo cenário: a eleição se polarizou ainda mais, e os indecisos – muitos deles jovens e usuários frequentes de plataformas como TikTok, Instagram e WhatsApp – tornaram-se o alvo central.

Relatos de bastidores indicam que a coordenação de campanha avaliou que a comunicação digital no primeiro turno não havia alcançado a capilaridade desejada. A mudança incluiu a contratação de novos profissionais de marketing digital e a criação de núcleos regionais de conteúdo para descentralizar a produção. A campanha passou a investir em peças mais diretas, com linguagem informal e apelo emocional, além de reforçar o monitoramento de grupos de WhatsApp e Telegram para responder rapidamente a fake news.

A presença de Lula em eventos como sabatinas e entrevistas também foi adaptada: trechos foram cortados para circulação em formato de short, sem perder o tom propositivo, mas com maior ênfase em respostas a críticas. A vice na chapa, o ex-governador Geraldo Alckmin (PSB), ganhou mais espaço em conteúdos digitais, especialmente em vídeos que mostravam diálogos com diferentes setores da sociedade.

**Análise**

A guinada digital de Lula reflete uma tendência global na comunicação política: a personalização e a microsegmentação de mensagens. No caso brasileiro, o foco em redes sociais não foi apenas uma questão de alcance, mas de sobrevivência política. A campanha de Bolsonaro, com orçamento digital expressivo e uma base de seguidores orgânicos, dominou as métricas de engajamento no primeiro turno. Para competir, Lula precisou não apenas aumentar o volume de publicações, mas mudar a narrativa central, passando de uma campanha de resistência democrática para uma ofensiva de conquista de votos pragmáticos.

Essa mudança tem implicações profundas para a democracia brasileira. Ao adotar táticas típicas de marketing eleitoral dos EUA e da Europa, a campanha do PT sinaliza que a comunicação política no Brasil está irreversivelmente digitalizada. A ênfase em lives e interação em tempo real permitiu que Lulas se aproximasse de eleitores que não assistem aos debates televisivos, mas consomem conteúdo sob demanda. Por outro lado, a necessidade de combater desinformação em tempo real exigiu uma estrutura de resposta rápida que nem sempre foi eficaz, gerando críticas sobre a reatividade da campanha.

Para o cenário internacional, a adaptação de Lula serve como um estudo de caso sobre como candidatos de esquerda podem se reposicionar em ambientes digitais hostis. Analistas de comunicação política apontam que a estratégia de Lula no segundo turno combinou elementos de campanhas americanas – como o uso de microinfluenciadores – com a forte tradição brasileira de mobilização de base. A eficácia dessa abordagem, contudo, depende não apenas do conteúdo, mas da percepção de autenticidade que o candidato transmite no ambiente online.

**Fontes**

As informações deste artigo baseiam-se em reportagens publicadas por veículos como Folha de S.Paulo, UOL e O Globo durante a cobertura do segundo turno das eleições presidenciais brasileiras de 2022, além de análises de comunicação política do Núcleo de Estudos sobre Mídia e Política da Universidade de Brasília (UnB). Nenhum dado numérico ou declaração direta de integrantes da campanha foi reproduzido sem verificação independente. O contexto foi extraído de apurações realizadas por jornalistas especializados em cobertura eleitoral.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.