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Politica

Lula mira rejeição a Flávio Bolsonaro em campanha no Norte, Nordeste e SP na reta final do 1º turno

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-09-28

A campanha petista intensifica o contraste entre a gestão federal e o bolsonarismo, explorando a rejeição ao senador Flávio Bolsonaro em estados decisivos.

**Lead**

A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) intensificou, na reta final do primeiro turno, uma ofensiva direcionada aos eleitores do Norte, do Nordeste e de São Paulo, usando a rejeição ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) como principal contraponto ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). A estratégia, confirmada por articuladores do PT, busca consolidar o voto útil e isolar o bolsonarismo em um cenário em que São Paulo se tornou decisivo para as pretensões do partido no plano nacional.

**Contexto**

A escolha de Flávio Bolsonaro como antagonista não é casual. O senador fluminense é um dos nomes com maior índice de rejeição entre lideranças políticas associadas ao clã Bolsonaro, segundo avaliações internas de institutos de pesquisa. Embora os números exatos das pesquisas mais recentes não sejam publicamente detalhados, dirigentes partidários afirmam que o nome de Flávio aparece associado a episódios de forte repercussão negativa, incluindo o caso da quebra de sigilo e investigações sobre supostas irregularidades em seu gabinete na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro — fatos amplamente noticiados e que cristalizaram uma imagem negativa em segmentos do eleitorado.

Nas regiões Norte e Nordeste, onde a popularidade de Lula historicamente se mantém elevada, a campanha petista trabalha com a tese de que associar a oposição à família Bolsonaro ajuda a reduzir a abstenção e a mobilizar a base. Já em São Paulo, a situação é mais complexa. O estado é o maior colégio eleitoral do país e concentra uma disputa acirrada para o governo estadual, com a candidatura de Fernando Haddad (PT) tentando reverter uma vantagem inicial do ex-governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), que tem o apoio explícito de Bolsonaro.

A presença de Flávio Bolsonaro em materiais de campanha e em discursos de Lula tem o objetivo de transferir para o conjunto da oposição o desgaste acumulado pelo senador em Brasília. A estratégia não se limita a São Paulo: comitês petistas no Pará, no Amazonas, na Bahia, em Pernambuco e no Ceará receberam orientações para reforçar a associação entre a agenda bolsonarista e a figura do senador, especialmente em peças para redes sociais e carros de som.

**Análise**

A decisão de transformar Flávio Bolsonaro em alvo central de campanha indica que o comando petista avalia que o nome do ex-presidente, sozinho, não é suficiente para desmobilizar o eleitorado de centro. Flávio, pela natureza dos episódios que envolvem seu mandato, permite à campanha de Lula explorar um flanco de suscetibilidade moral sem partir para uma ofensiva direta contra Jair Bolsonaro, de quem o ex-presidente deseja evitar confronto pessoal em palanques regionais. Trata-se de uma escolha de comunicação que busca cisão no núcleo bolsonarista ao mesmo tempo em que apresenta o PT como fiador de uma política de costumes e transparência.

No Norte e no Nordeste, o efeito prático da estratégia é o reforço da narrativa de que o bolsonarismo representa uma ameaça a programas sociais e a políticas de desenvolvimento regional. Em São Paulo, porém, o jogo é outro: o PT precisa conquistar eleitores que votaram em Bolsonaro em 2022, mas que hoje se mostram sensíveis a temas como corrupção e gestão pública. Nesse contexto, Flávio Bolsonaro vira um símbolo eficiente — a rejeição ao senador é mais palpável e menos polarizada que a resistência ao ex-presidente, que ainda mobiliza uma base fiel.

O desfecho dessa estratégia será medido nas urnas, mas o movimento já produz efeitos: aumenta o tom das hostilidades nos debates regionais e coloca o PL na defensiva. Aos olhos de analistas políticos, a aposta petista é arriscada, pois centralizar a campanha na figura de um senador pode parecer fuga dos problemas locais de São Paulo, onde o eleitorado cobra segurança pública, transporte e emprego. Ainda assim, com o tempo curto da reta final, a campanha de Lula demonstra preferir ataques de alcance nacional a propostas detalhadas para o estado administrado por Tarcísio.

**Fontes**

Este texto foi produzido com base em reportagens e informações disponíveis em veículos como Folha de S.Paulo, O Globo, Estadão e agências de notícias, além de registros públicos de pronunciamentos de campanha e comunicados oficiais do PT e de partidos da coligação. Notas técnicas de pesquisas eleitorais citadas aqui não foram reproduzidas em números por limitações de confirmação editorial no momento da publicação.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.