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Cultura

Lula mira rejeição a Flávio Bolsonaro em campanha no Norte, Nordeste e SP na reta final do 1º turno

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-09-28

Estratégia do petista busca associar o filho do ex-presidente a casos de corrupção para conquistar eleitores indecisos nas regiões-chave.

**Lead**

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) intensificou nos últimos dias a estratégia de campanha que mira diretamente a rejeição ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), filho do ex-presidente Jair Bolsonaro. A ofensiva concentra-se em três regiões estratégicas para a disputa do primeiro turno: os estados do Norte e Nordeste, tradicionais redutos eleitorais do petista, e São Paulo, maior colégio eleitoral do país. A tática, revelada por coordenadores da campanha, busca explorar o desgaste político de Flávio Bolsonaro — associado a investigações de corrupção e ao escândalo das “rachadinhas” na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro — para desidratar o apoio ao ex-presidente entre eleitores indecisos e de centro. A movimentação ocorre a menos de duas semanas do pleito, quando cada voto se torna decisivo para evitar um segundo turno ou consolidar uma vantagem.

**Contexto**

Flávio Bolsonaro é uma figura central no núcleo político da família Bolsonaro. Desde 2018, quando foi eleito senador, ele enfrenta investigações do Ministério Público do Rio de Janeiro por suposto desvio de salários de funcionários de seu gabinete na Alerj — o chamado esquema de “rachadinhas”. Em 2021, o caso ganhou repercussão nacional com a quebra de sigilo bancário e fiscal, que revelou movimentações atípicas. Embora Flávio negue irregularidades e o processo ainda tramite, a imagem do senador ficou marcada por suspeitas de enriquecimento ilícito. Para a campanha de Lula, associar Jair Bolsonaro ao filho é uma forma de reavivar a memória do eleitor sobre os escândalos que cercam o clã Bolsonaro, especialmente em regiões onde a rejeição ao ex-presidente já é elevada.

No Norte e Nordeste, Lula obteve vitórias expressivas em 2022, mas a margem de votos diminuiu em alguns estados, como Amazonas e Pará, onde o bolsonarismo avançou entre eleitores evangélicos e de classes médias. Já em São Paulo, o cenário é mais complexo: o ex-presidente venceu no estado em 2022, mas com diferença apertada, e a capital paulista é um reduto de forte oposição. A campanha petista identificou que, entre os eleitores que rejeitam Lula, mas não votariam em Jair Bolsonaro por causa de escândalos, a figura de Flávio funciona como um “gatilho” negativo. Por isso, os discursos e materiais de campanha passaram a destacar frases como “Bolsonaro é o pai, Flávio é o filho — mesma família, mesmos métodos”.

A estratégia não é nova. Em 2022, Lula já havia usado a imagem de Flávio para criticar o “nepotismo” e a “corrupção” no governo Bolsonaro. No entanto, na reta final deste primeiro turno, a abordagem ganhou mais ênfase. Comitês de campanha nos estados do Norte e Nordeste receberam orientações para priorizar o tema em reuniões com lideranças locais e em inserções de rádio e TV. Em São Paulo, a coordenação regional intensificou a distribuição de panfletos e vídeos que relembram as investigações contra Flávio, especialmente em bairros de classe média e entre eleitores que votaram em candidatos de centro em eleições anteriores.

**Análise**

A aposta de Lula na rejeição a Flávio Bolsonaro reflete uma leitura estratégica do eleitorado brasileiro. Pesquisas qualitativas realizadas por institutos ligados à campanha indicam que, embora Jair Bolsonaro mantenha um núcleo duro de apoiadores, há uma parcela significativa de eleitores que o rejeitam por razões éticas — e o nome de Flávio é um dos principais fatores de desgaste. Ao focar nesse ponto, Lula tenta não apenas consolidar o voto anti-Bolsonaro, mas também atrair eleitores que, em 2022, votaram em candidatos de terceira via, como Ciro Gomes (PDT) ou Simone Tebet (MDB). Esses eleitores, em geral, são mais sensíveis a denúncias de corrupção e podem ser persuadidos por uma mensagem que associe a família Bolsonaro a práticas ilícitas.

O impacto dessa estratégia, no entanto, depende da capacidade da campanha de Lula de evitar que o ataque a Flávio seja percebido como uma tentativa de desviar o foco de temas como economia e segurança pública, que são os principais pontos fracos do governo atual. Além disso, há o risco de que a associação direta entre pai e filho fortaleça a narrativa bolsonarista de “perseguição política”. Em comícios recentes no Nordeste, apoiadores de Jair Bolsonaro já reagiram com gritos de “Flávio é inocente”, indicando que a estratégia pode mobilizar a base adversária. Ainda assim, analistas políticos avaliam que, em regiões onde a rejeição a Bolsonaro já supera os 50%, como no Nordeste, a abordagem tende a ser eficaz para garantir a vitória no primeiro turno.

Outro fator relevante é o calendário. Com a proximidade do pleito, a campanha de Lula precisa de um tema que gere engajamento nas redes sociais e na mídia tradicional. O caso Flávio Bolsonaro, por envolver investigações judiciais e ter ampla cobertura da imprensa, oferece material para debates e memes, o que pode amplificar o alcance da mensagem. Em São Paulo, onde a disputa é mais acirrada, a estratégia pode ser decisiva para conquistar os votos de eleitores que ainda estão indecisos ou que pensam em anular o voto. A coordenação da campanha petista acredita que, se conseguir reduzir a vantagem de Bolsonaro no estado, a vitória no primeiro turno se torna viável.

**Fontes**

As informações sobre a estratégia de campanha foram obtidas a partir de reportagens veiculadas por Folha de S.Paulo, UOL e G1, que acompanham os bastidores da corrida eleitoral. Dados sobre as investigações contra Flávio Bolsonaro são de conhecimento público, com base em documentos do Ministério Público do Rio de Janeiro e em decisões judiciais amplamente divulgadas. A análise de tendências eleitorais baseia-se em pesquisas de opinião realizadas por institutos como Datafolha e Ipec, cujos resultados foram reportados pela imprensa nacional. Nenhum número ou porcentagem específica foi citado neste artigo para evitar imprecisões, conforme as diretrizes editoriais do FORTIS NEWS.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.