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Cultura

Nordeste e bases operárias concentram maiores percentuais de Lula no primeiro turno de 2026

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-10-24

Análise cultural mostra que as regiões onde o ex-presidente obteve os maiores índices de votação refletem a identidade nordestina, a força do sindicalismo e a memória dos governos petistas.

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Os primeiros resultados do primeiro turno das eleições presidenciais de 2026 indicam que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva concentra seus maiores percentuais de votação em regiões historicamente ligadas à sua trajetória política e à cultura popular brasileira. O fenômeno, que se repete desde 2002, revela a força de uma identidade regional e de classe que ultrapassa o debate político imediato e se enraíza na memória social, no imaginário coletivo e nas práticas culturais do eleitorado.

**Contexto**

Desde sua primeira eleição ao Palácio do Planalto, Lula sempre apresentou votação expressiva no Nordeste do país, especialmente nos estados do Maranhão, Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, Alagoas, Sergipe e Bahia. Essa base eleitoral não se explica apenas por critérios econômicos ou de programas sociais – embora o Bolsa Família e outras políticas de transferência de renda tenham impacto relevante. A força de Lula no Nordeste está também associada a uma cultura de resistência, ao orgulho de ter um presidente que compartilha a origem nordestina (nascido em Garanhuns, Pernambuco) e à identificação com a figura do trabalhador que ascendeu socialmente.

No primeiro turno de 2026, as tendências históricas se confirmaram. Os maiores percentuais de Lula foram registrados em cidades do interior nordestino e em municípios com forte presença de movimentos sindicais e rurais, como as regiões do Vale do São Francisco e do agreste pernambucano. A cultura do voto em Lula nessas localidades é transmitida entre gerações, associada a festas populares, ao forró, à literatura de cordel e à memória das lutas pela reforma agrária.

Outro ponto de destaque foi a votação expressiva em áreas metropolitanas operárias, como o ABC Paulista – berço do sindicalismo metalúrgico que projetou Lula nacionalmente. Em cidades como São Bernardo do Campo, Diadema e Santo André, os percentuais também ficaram acima da média nacional, reafirmando a ligação do candidato com a classe trabalhadora urbana. Essa conexão cultural é celebrada em sambas-enredo, peças teatrais e documentários que retratam a trajetória do ex-presidente.

**Análise**

A concentração de votos em determinadas regiões não é apenas um dado eleitoral; é um indicador da distribuição de valores, símbolos e narrativas que moldam a identidade política brasileira. A forte presença de Lula no Nordeste, por exemplo, dialoga com a cultura da mandioca, do cangaço e da luta pela terra, elementos que são constantemente ressignificados pelo eleitorado. As festas juninas, o artesanato e a culinária regional muitas vezes incorporam referências ao ex-presidente, transformando a escolha eleitoral em um ato de reafirmação de pertencimento.

Do ponto de vista da cultura midiática, a imagem de Lula é associada a figuras populares da música e do cinema, como Luiz Gonzaga e os personagens do cinema nordestino. Essa simbiose entre política e cultura popular ajuda a explicar por que, mesmo diante de acirradas disputas, as fortalezas eleitorais de Lula permanecem praticamente inalteradas ao longo dos anos. Em 2026, não foi diferente: os locais onde o candidato atingiu seus maiores percentuais coincidem com áreas de alta densidade cultural e baixa exposição a discursos de polarização extrema, o que sugere que a identidade cultural funciona como um filtro de resistência.

Outro aspecto relevante é o papel da literatura de cordel e dos repentistas na perpetuação da memória política. Em feiras livres e praças do interior nordestino, é comum encontrar folhetos que narram a trajetória de Lula, muitas vezes comparando-o a heróis populares como Lampião ou Padre Cícero. Essa produção cultural orgânica, independente de partidos ou institutos de pesquisa, reforça a base de apoio e cria um ambiente simbólico onde o voto não é apenas racional, mas também afetivo.

**Fontes**

As informações sobre as tendências de votação são baseadas em análises de cientistas políticos publicadas em veículos como o G1 e a Folha de S.Paulo, além de dados históricos do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) referentes a pleitos anteriores. A contextualização cultural apoia-se em estudos acadêmicos sobre a relação entre política e cultura popular no Brasil, especialmente os trabalhos dos antropólogos Roberto DaMatta e Hermano Vianna.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.