**Lead**
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva conquistou o quarto mandato à frente do Palácio do Planalto, igualando o recorde do americano Franklin Delano Roosevelt, que governou os Estados Unidos por quatro mandatos consecutivos (1933-1945). O feito histórico ocorre em um momento de desafios fiscais e de retomada do crescimento no Brasil, reacendendo debates sobre os rumos da política econômica e o legado dos governos petistas para o desenvolvimento nacional.
**Contexto**
Eleito pela primeira vez em 2002, Lula assumiu em 2003 e governou até 2010, com reeleição em 2006. Após um intervalo de dois mandatos de seus sucessores, voltou ao poder em 2023 e, agora, garantiu novo período presidencial. Franklin Roosevelt, por sua vez, foi eleito em 1932, 1936, 1940 e 1944, liderando os EUA durante a Grande Depressão e a Segunda Guerra Mundial. Ambos os líderes ficaram marcados por ampliar o papel do Estado na economia e por políticas de inclusão social, ainda que em contextos históricos e econômicos radicalmente diferentes.
No caso brasileiro, a continuidade de Lula no poder levanta questões sobre a sustentabilidade de programas como o Bolsa Família, a política de valorização do salário mínimo e os investimentos em infraestrutura. Durante seus primeiros mandatos, o Brasil viveu um ciclo de forte crescimento com distribuição de renda, impulsionado pelo boom das commodities e por uma gestão fiscal que combinou aumento de gastos sociais com superávits primários. Já o terceiro mandato foi marcado por um cenário global mais adverso, com inflação elevada e juros restritivos, exigindo ajustes na condução da política monetária.
A comparação com Roosevelt também evoca o New Deal, conjunto de programas que revitalizou a economia americana e criou instituições como a Previdência Social. No Brasil, iniciativas como o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) e a ampliação do crédito tiveram efeitos análogos, mas o país enfrenta hoje um endividamento público mais alto, superior a 80% do PIB, e uma carga tributária entre as maiores da América Latina.
**Análise**
A longevidade de um mesmo grupo político no comando do Executivo pode trazer estabilidade e previsibilidade para os agentes econômicos, mas também gera riscos de acomodação fiscal e esgotamento de reformas estruturais. No caso de Roosevelt, os mercados americanos reagiram com otimismo inicial ao New Deal, embora a recuperação plena só tenha se consolidado com o esforço de guerra. Para o Brasil, a economia do quarto mandato de Lula precisará equacionar três frentes: o controle da inflação, a retomada do investimento privado e a sustentabilidade da dívida pública.
Analistas apontam que, sem um novo choque de credibilidade fiscal — como um arcabouço robusto de gastos ou uma reforma tributária ampla —, o país pode ver a confiança dos investidores oscilar. A trajetória do câmbio e da taxa Selic dependerá de como o governo conciliará as demandas sociais com o equilíbrio das contas públicas. A experiência internacional mostra que presidentes com múltiplos mandatos consecutivos tendem a priorizar a estabilidade macroeconômica quando o sistema político oferece incentivos para tanto. No Brasil, a autonomia do Banco Central e a Lei de Responsabilidade Fiscal são âncoras importantes, mas precisam ser respeitadas para evitar descontroles.
Outro ponto é a influência do quarto mandato sobre a política industrial e de comércio exterior. Lula sempre defendeu um Estado ativo na promoção de setores estratégicos, como energia e tecnologia. No entanto, a integração do Brasil às cadeias globais de valor requer um ambiente de negócios mais previsível, com menos burocracia e maior segurança jurídica. A comparação com o pós-Roosevelt também sugere que governos longos podem criar uma base de apoio ampla para mudanças institucionais — algo que o Brasil pode aproveitar para avançar na agenda de produtividade.
**Fontes**
As análises baseiam-se em indicadores econômicos divulgados pelo Banco Central do Brasil, IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) e pelo Fundo Monetário Internacional (FMI). Estudos históricos sobre os mandatos de Franklin D. Roosevelt foram consultados a partir de publicações acadêmicas e dos arquivos da Biblioteca Presidencial FDR. Matérias de veículos como Valor Econômico e Reuters também serviram como referência para o contexto macroeconômico brasileiro. Não foram utilizadas fontes anônimas nem dados não verificados.
Por Renan Filho · 2026-10-26