**Lead**
Uma corrente de brasilianistas, especialistas estrangeiros dedicados ao estudo da política brasileira, tem chamado a atenção para um fenômeno que consideram preocupante para o cenário eleitoral do país: tanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva quanto o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) geram pouco entusiasmo entre os eleitores. A avaliação, baseada em observações de comportamento eleitoral e pesquisas qualitativas recentes, sugere que as duas principais figuras políticas do espectro ideológico brasileiro enfrentam um desgaste que pode beneficiar candidatos de centro ou outsiders nas próximas disputas.
**Contexto**
Lula, que completa seu terceiro mandato não consecutivo em 2026, viu sua popularidade oscilar nos últimos meses. Apesar de ter vencido a eleição de 2022 com uma margem apertada, o presidente enfrenta desafios econômicos persistentes, como a inflação de alimentos e a desaceleração do PIB, além de crises de imagem relacionadas a escândalos de corrupção em ministérios e à condução da política externa. Embora mantenha uma base fiel entre eleitores mais pobres e sindicalizados, pesquisas de opinião indicam que o entusiasmo por sua figura diminuiu entre os jovens e a classe média urbana, que o veem como um político do passado.
Do outro lado, Flávio Bolsonaro, filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro, tenta consolidar-se como herdeiro político do bolsonarismo. Senador pelo Rio de Janeiro desde 2019, ele tem se posicionado como uma alternativa para 2026, caso o pai esteja inelegível. No entanto, sua trajetória é marcada por investigações sobre supostas irregularidades em seu gabinete na Assembleia Legislativa do Rio, o que alimenta a desconfiança de parte do eleitorado. Além disso, Flávio carece do carisma e da capacidade de mobilização do pai, e sua atuação no Senado é vista como discreta, sem grandes propostas que gerem adesão popular.
A análise dos brasilianistas se insere em um contexto mais amplo de cansaço eleitoral. O Brasil viveu eleições extremamente polarizadas em 2018 e 2022, com Lula e Jair Bolsonaro como protagonistas. Agora, com a possibilidade de Bolsonaro estar fora da disputa (devido a condenações no TSE e ações penais), o eleitorado parece buscar novas referências. Pesquisas qualitativas realizadas por institutos como o Datafolha e o Ipec, embora não citem números exatos, mostram que a taxa de rejeição de Lula e de Flávio Bolsonaro é elevada, e que a intenção de voto espontânea para ambos é baixa, indicando falta de entusiasmo.
**Análise**
O diagnóstico dos brasilianistas tem implicações profundas para o sistema político brasileiro. Se Lula e Flávio Bolsonaro não conseguem gerar entusiasmo, o campo progressista pode precisar buscar um novo nome para 2026 — alguém que una a base petista sem carregar o peso da polarização. Nomes como o do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, ou do governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues, são cotados, mas ainda não têm a mesma capilaridade nacional. Já no campo conservador, a ausência de Jair Bolsonaro abre uma crise de sucessão: Flávio não parece capaz de herdar o eleitorado bolsonarista com a mesma intensidade, e outros nomes, como o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, ou a senadora Damares Alves, podem emergir.
Outro ponto levantado pelos especialistas é que a falta de entusiasmo pode beneficiar candidatos de centro ou de perfil técnico, como o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSDB), ou o ex-juiz Sergio Moro (União Brasil). Ambos tentam se posicionar como terceira via, mas até agora não conseguiram romper a polarização. O cenário de apatia eleitoral, no entanto, pode ser o terreno fértil para que um nome novo, com discurso antissistema ou de renovação, ganhe tração — algo semelhante ao que ocorreu em outros países da América Latina, como no Chile com Gabriel Boric ou no Peru com Pedro Castillo, embora com resultados mistos.
A análise também ressalta que o pouco entusiasmo não significa necessariamente derrota eleitoral. Lula, por exemplo, pode vencer mesmo sem grande empolgação, contando com o voto útil contra a direita. Flávio Bolsonaro, por sua vez, pode se beneficiar do recall do sobrenome e da máquina partidária. Mas, para os brasilianistas, o dado mais relevante é a erosão da confiança nas instituições e nos líderes tradicionais, o que pode levar a um aumento da abstenção ou do voto nulo, fenômeno que já foi observado em eleições municipais recentes.
**Fontes**
A análise baseia-se em observações de brasilianistas vinculados a universidades norte-americanas e europeias, como a Universidade de Oxford e a Universidade da Califórnia, que monitoram a política brasileira. Também foram consultados relatórios de institutos de pesquisa como Datafolha e Ipec, além de artigos acadêmicos sobre comportamento eleitoral no Brasil. Nenhuma declaração direta foi reproduzida, respeitando a impossibilidade de verificação individual de cada fonte.
Por Renan Filho · 2026-10-01