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Economia

Lula critica condução de Fachin em crise do STF e mercado reage com cautela

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-10-02

Presidente afirma ter conversado três vezes com ministro e questiona rumos do caso; investidores monitoram tensão entre Poderes como risco fiscal.

**Lead**

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta semana que conversou por três vezes com o ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF), sobre a crise institucional que envolve a Corte. Em declaração pública, Lula disse que a condução do caso “não foi correta” para o Brasil. A declaração ocorre em meio a um clima de tensão entre os Poderes que já começa a gerar efeitos nos indicadores econômicos, com o mercado financeiro adotando postura defensiva diante do aumento da percepção de risco.

**Contexto**

As conversas entre Lula e Fachin ocorreram em um momento em que o STF enfrenta pressões internas e externas relacionadas a investigações e decisões que envolvem o governo federal. Embora os detalhes dos diálogos não tenham sido divulgados integralmente, a manifestação do presidente sinaliza um descontentamento com o rito processual adotado pelo ministro relator. A crise no STF, que ganhou contornos mais agudos nos últimos meses, tem origem em divergências sobre a atuação da Corte em temas sensíveis, como a operação de combate à corrupção e a interpretação de dispositivos constitucionais.

Historicamente, o Brasil já viveu episódios de tensão entre os Poderes que impactaram a economia. Em 2016, o processo de impeachment gerou volatilidade cambial e retração de investimentos. Agora, o cenário é distinto: o país ainda se recupera dos efeitos da pandemia e enfrenta uma trajetória de juros elevados para conter a inflação. Qualquer sinal de instabilidade institucional é visto pelo mercado como um fator que pode adiar a queda da taxa Selic e comprometer a retomada do crescimento.

Lula, que já foi crítico contundente de decisões do STF durante seu mandato anterior, agora volta a mirar a Corte. Desta vez, porém, a abordagem é mais direta: ele menciona explicitamente o nome de Fachin e critica a condução do caso. A declaração foi feita durante evento com empresários, no qual o presidente buscava apresentar o pacote de medidas econômicas do governo. A coincidência de datas acentuou a percepção de que a crise política pode contaminar a agenda econômica.

**Análise**

A fala de Lula tem implicações que vão além do campo político. Para economistas e analistas de mercado, a estabilidade das instituições é um dos pilares que sustentam a confiança dos investidores. Cada vez que um chefe do Executivo questiona de forma enfática os procedimentos do Judiciário, o chamado “risco Brasil” tende a aumentar. O Índice de Confiança do Empresário Industrial, por exemplo, já havia registrado leve queda em setembro, antes da declaração presidencial. Agora, com a nova polêmica, espera-se que o indicador possa sofrer nova pressão.

No curto prazo, o mercado cambial refletiu imediatamente a notícia. O dólar comercial operou em alta moderada nas horas seguintes à declaração, enquanto o Ibovespa apresentou volatilidade, alternando entre pequenas altas e baixas. Investidores estrangeiros, que nos últimos meses vinham aumentando sua exposição em títulos brasileiros, podem reavaliar suas posições caso o conflito entre os Poderes se aprofunde. A agência de classificação de risco Moody’s, em relatório recente, já havia alertado que “a polarização política e a instabilidade institucional são fatores que limitam o upgrade do rating soberano do Brasil”.

A condução do caso por Fachin também é observada com lupa. O ministro é relator de processos que envolvem figuras do governo e tem adotado decisões que, em alguns momentos, contrariaram os interesses do Palácio do Planalto. Lula, ao dizer que a condução “não foi correta”, pode estar ensaiando um movimento para pressionar por mudanças regimentais ou até mesmo por um novo rito no STF. No entanto, especialistas em direito constitucional apontam que a independência do Judiciário é cláusula pétrea, e que qualquer interferência externa, ainda que retórica, pode ser vista como tentativa de enfraquecer a Corte.

Do ponto de vista fiscal, o momento é delicado. O governo trabalha para aprovar o arcabouço fiscal no Congresso e precisa de credibilidade para garantir a trajetória de sustentabilidade da dívida pública. Se a crise no STF se prolongar, o Planalto pode ter dificuldade em aprovar medidas que exigem apoio de partidos que hoje estão alinhados à oposição. A reforma tributária, uma das bandeiras econômicas de Lula, pode perder força se o ambiente político se deteriorar. Empresários que participaram do evento com o presidente relataram, nos bastidores, que saíram do encontro “preocupados” com o tom das declarações.

**Fontes**

As informações contidas nesta reportagem são baseadas em declarações públicas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, registradas por veículos de imprensa como Agência Brasil e GloboNews, e em análises de mercado publicadas pela Reuters Brasil e pelo Valor Econômico. Dados sobre o Índice de Confiança do Empresário Industrial são da Confederação Nacional da Indústria (CNI). O relatório da Moody’s citado foi divulgado em setembro de 2026 e está disponível no site da agência.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.