**Brasília, 26 de setembro de 2026** — O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta quinta-feira, durante encontro com empresários do setor de tecnologia em São Paulo, que a estabilidade fiscal é uma “obrigação” do governo e defendeu uma ampla reforma do Judiciário para reduzir a “insegurança jurídica” que, segundo ele, afasta investimentos. A fala, ocorrida em evento promovido pela Associação Brasileira de Startups (ABS), gerou reações mistas entre investidores e representantes do mercado financeiro, que veem contradição entre o discurso e a trajetória fiscal expansionista do governo.
**Contexto: O que foi dito e por que agora**
De acordo com relatos de participantes obtidos pelo FORTIS NEWS, Lula declarou que “estabilidade fiscal não é opção, é obrigatória para quem quer governar um país sério”. O presidente também afirmou que o Judiciário brasileiro é “lento e caro”, e que uma reforma estrutural — incluindo a criação de mecanismos de mediação digital e a simplificação de processos tributários — é essencial para que o Brasil se torne competitivo globalmente no setor de tecnologia. A fala ocorre em meio a um cenário de incertezas fiscais: o governo Lula propôs, em agosto, um Orçamento de 2027 com déficit primário de R$ 45 bilhões, contrariando promessas de superávit feitas no início do mandato. Dados do Tesouro Nacional indicam que a dívida bruta do governo geral atingiu 78,3% do PIB em julho, o maior patamar desde 2021.
A reforma do Judiciário, mencionada pelo presidente, não é nova. Em junho, o ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, apresentou ao Congresso um anteprojeto que prevê a criação de varas especializadas em direito digital e a digitalização integral de processos. No entanto, a proposta enfrenta resistência de associações de magistrados, que argumentam que a medida pode sobrecarregar tribunais sem garantia de recursos. Lula, em sua fala, evitou detalhar o texto, mas disse que “não dá para esperar 15 anos para uma ação trabalhista ou tributária ser julgada”.
**Análise FORTIS: Discurso e realidade**
O FORTIS NEWS, alinhado à linha editorial liberal-conservadora e de defesa do livre mercado, avalia que a declaração de Lula é um movimento retórico para acalmar o setor produtivo, mas carece de lastro em ações concretas. A promessa de estabilidade fiscal contrasta com a expansão de gastos discricionários em 2026, que cresceram 12% em relação a 2025, segundo o Ministério do Planejamento. O governo aumentou subsídios a programas sociais e investiu em estatais, como a Petrobras, que anunciou novos aportes em refinarias sem justificativa de retorno econômico.
No campo da tecnologia, a falta de previsibilidade regulatória é um ponto crítico. O setor de startups, que emprega mais de 600 mil pessoas no Brasil, segundo a ABS, enfrenta uma carga tributária média de 34% sobre a folha, além de complexidades na legislação trabalhista e digital. A reforma do Judiciário, embora necessária, não resolverá problemas imediatos como a demora na concessão de patentes ou a insegurança jurídica em contratos de software. Dados do Banco Mundial mostram que o Brasil ocupa a 124ª posição no ranking de facilidade de fazer negócios, atrás de países como Chile e Colômbia.
Para o mercado, a fala de Lula soa como um aceno a empresários que, nos últimos meses, demonstraram preocupação com a escalada da dívida pública. Em agosto, o Índice de Confiança Empresarial (ICE) da FGV caiu 2,3 pontos, atingindo o menor nível desde janeiro de 2023. A bolsa de valores (B3) registrou saída líquida de R$ 8,7 bilhões em investimentos estrangeiros no terceiro trimestre, segundo dados da CVM. Investidores apontam que a promessa de reforma do Judiciário, sem um plano fiscal crível, é insuficiente para reverter a desconfiança.
**Conclusão do FORTIS**
A fala de Lula é um reconhecimento tácito de que o Brasil precisa de instituições mais eficientes e de contas públicas equilibradas para atrair investimentos em tecnologia, setor estratégico para a economia do século XXI. No entanto, a distância entre o discurso e a prática fiscal do governo é um abismo que o mercado não ignora. O FORTIS NEWS reafirma que a verdade — baseada em dados e fatos — está acima de narrativas. A promessa de estabilidade fiscal será testada nas urnas de 2026 e nas próximas decisões do Copom. Até lá, o ceticismo é a única resposta racional.
Por Renan Filho · 2026-09-26