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Cultura

Lula encerra campanha na TV com ataque a Flávio Bolsonaro e investida por voto feminino

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-10-01

Último programa eleitoral do petista mescla confronto direto com a família Bolsonaro e propostas voltadas às mulheres, em tentativa de consolidar vantagem nas pesquisas.

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O candidato Luiz Inácio Lula da Silva utilizará seu último programa eleitoral gratuito na televisão, previsto para esta quinta-feira, para atacar diretamente o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e reforçar promessas de políticas públicas voltadas ao eleitorado feminino. A estratégia, confirmada pela coordenação de comunicação da campanha, busca encerrar o período de propaganda no rádio e na TV com um duplo movimento: desgastar a imagem da família Bolsonaro e, ao mesmo tempo, conquistar um segmento que, segundo sondagens internas, ainda resiste ao petista. O programa será exibido em rede nacional, dentro do horário eleitoral obrigatório, e terá cerca de oito minutos de duração.

**Contexto**

A campanha de Lula sempre teve como um de seus eixos centrais a crítica ao ex-presidente Jair Bolsonaro e a seus aliados. Nos últimos dias, no entanto, o foco recaiu sobre Flávio Bolsonaro, filho mais velho do ex-mandatário e figura pública envolvida em investigações sobre supostas irregularidades na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, quando era deputado estadual. O caso, conhecido como “rachadinha”, voltou a ganhar destaque após decisões judiciais recentes. A propaganda petista pretende explorar esse tema, associando a família Bolsonaro a práticas de corrupção e desvio de recursos públicos.

Paralelamente, a campanha intensificou o apelo ao voto feminino. Dados de institutos de pesquisa indicam que as mulheres representam parcela decisiva do eleitorado brasileiro e, historicamente, tendem a rejeitar candidatos associados a discursos considerados misóginos ou autoritários. Lula já havia dedicado programas anteriores a temas como igualdade salarial, combate à violência doméstica e ampliação de creches. No encerramento, a abordagem será mais incisiva: a peça publicitária mostrará depoimentos de mulheres beneficiadas por políticas sociais dos governos petistas, como o Minha Casa, Minha Vida e o Bolsa Família, e contrastará com declarações de Jair Bolsonaro consideradas ofensivas ao público feminino.

A escolha do último dia de propaganda para esse duplo ataque não é aleatória. O horário eleitoral gratuito é um dos principais instrumentos de comunicação de massa em campanhas presidenciais no Brasil, especialmente para candidatos com menor tempo de exposição espontânea na mídia. Lula, que lidera as intenções de voto, busca consolidar sua vantagem e reduzir a rejeição entre mulheres, grupo no qual o ex-presidente Bolsonaro ainda mantém apoio significativo, embora em declínio.

**Análise**

A decisão de atacar Flávio Bolsonaro no encerramento da campanha revela uma aposta na personalização do confronto. Ao mirar um filho do principal adversário político, Lula tenta transferir para a família Bolsonaro o estigma de corrupção que historicamente marcou o PT, mas que agora pode ser usado contra os rivais. A estratégia é arriscada: pode ser interpretada como desespero ou baixaria, mas também pode mobilizar eleitores que veem na dinastia Bolsonaro um símbolo de impunidade. O fato de Flávio ser senador e estar no centro de investigações torna o alvo legítimo do ponto de vista jornalístico, mas a campanha precisa equilibrar o tom para não soar como mera agressão pessoal.

Do ponto de vista cultural, a propaganda eleitoral brasileira é um fenômeno que mistura comunicação política, entretenimento e ritual cívico. O horário gratuito é assistido por milhões de pessoas, muitas vezes como parte da rotina noturna. O último programa de cada candidato costuma ser o mais aguardado, pois sintetiza o tom final da campanha. Lula, ao optar por um discurso de confronto direto e ao mesmo tempo de aceno a um grupo específico, demonstra que sua equipe considera o voto feminino como o fiel da balança. Em eleições passadas, mulheres foram determinantes para a vitória de Bolsonaro em 2018 e para a derrota de Lula em 2022 (quando a rejeição feminina ao petista era alta). Agora, a campanha tenta reverter esse quadro.

O impacto dessa estratégia será medido nos próximos dias, com a realização de novas pesquisas de opinião. Analistas políticos apontam que, se bem-sucedida, a abordagem pode consolidar a vantagem de Lula e dificultar uma virada de Bolsonaro. Por outro lado, o ataque a Flávio pode gerar solidariedade entre eleitores bolsonaristas e aumentar a polarização. O horário eleitoral gratuito termina na sexta-feira, e o silêncio obrigatório começa no sábado. Portanto, este último programa é a última chance de Lula para influenciar o eleitorado antes da votação.

**Fontes**

Assessoria de imprensa da campanha de Luiz Inácio Lula da Silva; Tribunal Superior Eleitoral (TSE); pesquisas de opinião pública divulgadas por institutos como Datafolha e Ipec (sem menção a números específicos); registros de investigações sobre Flávio Bolsonaro no Ministério Público do Rio de Janeiro.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.