**Lead**
O candidato à Presidência Luiz Inácio Lula da Silva (PT) utilizará o último bloco do horário eleitoral gratuito de rádio e TV, previsto para esta quinta-feira, para direcionar críticas ao senador Flávio Bolsonaro (PL) e reforçar propostas econômicas voltadas ao eleitorado feminino. A estratégia, confirmada pela coordenação de campanha, busca capitalizar sobre a insatisfação de mulheres com a inflação dos alimentos e a precarização do mercado de trabalho, temas centrais na reta final da disputa.
**Contexto**
A decisão de atacar Flávio Bolsonaro, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, insere-se em um contexto de investigações sobre supostas irregularidades financeiras envolvendo o senador. Embora o foco principal da campanha petista seja a economia doméstica, a equipe de Lula avalia que associar a imagem do adversário a escândalos de corrupção pode reduzir a rejeição entre eleitoras indecisas. Pesquisas internas indicam que o segmento feminino, especialmente entre 25 e 45 anos, considera a estabilidade econômica e a honestidade como fatores decisivos.
Paralelamente, o programa eleitoral destacará medidas como a ampliação do Bolsa Família, a criação de linhas de crédito para mulheres empreendedoras e a promessa de reajuste real do salário mínimo acima da inflação. Dados do IBGE mostram que a taxa de desemprego entre mulheres permanece superior à média nacional, e a inflação de itens básicos como arroz e feijão impacta desproporcionalmente lares chefiados por elas. A campanha de Lula também mencionará o programa "Renda para Quem Cuida", que prevê transferência de renda para mães solo.
**Análise**
A aposta em Flávio Bolsonaro como alvo não é aleatória. O senador responde a processos no Conselho de Ética do Senado e no Supremo Tribunal Federal por suposto envolvimento em esquemas de rachadinhas e lavagem de dinheiro. Ao trazer esse tema para o horário eleitoral, Lula tenta deslocar o debate econômico para o campo da moralidade pública, argumentando que a corrupção drena recursos que poderiam ser aplicados em políticas sociais. Economistas ligados ao PT afirmam que o combate à sonegação fiscal e à malversação de verbas públicas poderia gerar economia anual equivalente a bilhões de reais, valor que seria redirecionado a programas de transferência de renda.
Do ponto de vista macroeconômico, a investida pelo voto feminino ocorre em um momento de desaceleração da atividade econômica. O Produto Interno Bruto (PIB) do segundo trimestre de 2026 ficou abaixo das expectativas, e a projeção de crescimento para o ano foi revista para baixo por analistas de mercado. A inflação, embora em trajetória de queda, ainda pressiona o orçamento das famílias de baixa renda. Nesse cenário, a campanha de Lula aposta em promessas de curto prazo, como a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até cinco salários mínimos e a ampliação do programa Minha Casa Minha Vida, que historicamente beneficia mulheres.
**Fontes**
As informações sobre a estratégia de campanha foram divulgadas pela coordenação de comunicação da coligação Brasil da Esperança, em entrevista coletiva realizada nesta quarta-feira. Dados sobre desemprego feminino e inflação são do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), referentes ao trimestre encerrado em agosto de 2026. As investigações contra Flávio Bolsonaro constam em documentos públicos do Supremo Tribunal Federal e do Conselho de Ética do Senado. As projeções econômicas mencionadas baseiam-se em relatórios do Banco Central e de consultorias privadas, sem divulgação de números específicos.
Por Renan Filho · 2026-10-01