**Lead**
Pesquisa Datafolha divulgada nesta quinta-feira (15 de outubro de 2026) mostra que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva é rejeitado por 46% dos eleitores brasileiros, enquanto o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) aparece com 44% de rejeição. O levantamento, realizado entre os dias 7 e 10 de outubro, ouviu eleitores em todos os estados e aponta um cenário de forte polarização política às vésperas das eleições presidenciais e estaduais de 2026.
**Contexto**
A rejeição é um dos principais indicadores do cenário eleitoral, pois mede a resistência do eleitorado a um candidato. Lula, que já foi presidente entre 2003 e 2010 e retornou ao cargo em 2023, enfrenta um segundo mandato marcado por desafios econômicos, crises institucionais e a divulgação de novos desdobramentos de operações investigativas. O índice de 46% representa um aumento em relação a pesquisas anteriores, quando o presidente oscilava entre 40% e 43%.
Flávio Bolsonaro, senador pelo Rio de Janeiro e filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, mantém uma rejeição expressiva de 44%, consolidando seu papel como herdeiro político da direita bolsonarista. O senador tem sido citado como provável candidato ao governo do Rio de Janeiro ou até mesmo ao Senado em 2026, embora ainda não tenha confirmado oficialmente sua pré-candidatura. A alta rejeição, no entanto, pode indicar uma limitação em sua capacidade de expansão eleitoral para além da base conservadora.
A pesquisa Datafolha também avaliou outros potenciais nomes para o confronto presidencial, mas os números de Lula e Flávio chamam atenção por serem os mais altos entre os líderes políticos testados. O cenário sugere que a eleição de 2026 será marcada por uma disputa acirrada entre o petismo e o bolsonarismo, com ambos os lados enfrentando rejeições acima de 40%.
**Análise**
Os dados refletem o aprofundamento da divisão política no Brasil. Lula, mesmo reelegido em 2022 com uma frente ampla, vê sua imagem deteriorada diante de escândalos de corrupção e de uma economia que não responde às expectativas. O desgaste do governo federal, que vinha sendo contido pela popularidade pessoal do presidente, agora se transforma em rejeição concreta. Por outro lado, Flávio Bolsonaro carrega o peso do nome da família, associado a investigações da “rachadinha” e aos ataques às urnas eletrônicas protagonizados pelo pai.
Esse cenário abre espaço para uma “terceira via” que ainda não encontrou um nome forte. Nos bastidores, partidos como o PSDB, MDB e PSD ensaiam lançar candidaturas que possam atrair o eleitor moderado, mas nenhum nome testado pelo Datafolha conseguiu alcançar mais de 15% das intenções de voto. A alta rejeição a Lula e Flávio, portanto, pode ser vista como uma oportunidade para nomes como o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), ou a senadora Simone Tebet (MDB-MS), embora ambos também apresentem rejeições que variam entre 20% e 30%.
Outro ponto relevante é a influência das eleições municipais de 2024, que redefiniram o mapa político. Lula não conseguiu eleger prefeitos em capitais-chave, enquanto o bolsonarismo, mesmo sem Jair Bolsonaro elegível, demonstrou capilaridade. A rejeição elevada a Flávio pode ser mitigada pelo apoio do pai, que ainda exerce forte influência sobre o eleitorado conservador, mas a disputa no Rio de Janeiro, onde o governo estadual enfrenta crises na segurança pública, adiciona complexidade.
**Fontes**
A pesquisa foi realizada pelo Instituto Datafolha, contratado por empresa privada, com registro no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Os resultados foram divulgados na edição impressa do jornal Folha de S. Paulo e no site do instituto. A metodologia envolveu entrevistas presenciais com 3.090 eleitores em 160 municípios, com margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos, e nível de confiança de 95%. Os dados foram colhidos antes do prazo legal de registro de candidaturas para as eleições de outubro de 2026.
Por Renan Filho · 2026-10-15