**Lead**
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) seguem tecnicamente empatados tanto no primeiro quanto no segundo turno das eleições presidenciais de 2026, segundo nova pesquisa divulgada pelo instituto Meio/Ideia. O levantamento, realizado entre os dias 20 e 25 de setembro, mostra que a disputa continua indefinida, com ambos os candidatos oscilando dentro da margem de erro. O cenário reforça a polarização que domina o eleitorado brasileiro desde 2018, com a ausência de uma terceira via competitiva.
**Contexto**
A pesquisa Meio/Ideia é um dos termômetros mais acompanhados do cenário eleitoral brasileiro. O instituto entrevistou eleitores em todas as regiões do país, com amostra representativa por sexo, idade, renda e escolaridade. No primeiro turno, Lula e Flávio Bolsonaro aparecem com índices de intenção de voto que se sobrepõem dentro da margem de erro de três pontos percentuais para mais ou para menos. A situação se repete no segundo turno simulado, onde o empate técnico persiste.
Flávio Bolsonaro, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro e atualmente senador pelo Rio de Janeiro, tem consolidado seu nome como principal herdeiro político da base bolsonarista. Mesmo sem o capital político do pai, que está inelegível até 2030, o senador vem crescendo em pesquisas, especialmente entre eleitores evangélicos e do Centro-Oeste. Já Lula, que completa o terceiro mandato, enfrenta desafios de aprovação em áreas como economia e segurança pública, mas mantém forte apoio no Nordeste e entre trabalhadores de baixa renda.
Outros nomes testados pelo instituto, como o governador de São Paulo Tarcísio de Freitas (Republicanos) e a ex-ministra Simone Tebet (MDB), não alcançam patamar competitivo. A pesquisa indica que 12% dos eleitores estão indecisos ou pretendem votar nulo ou branco, o que pode ser decisivo nos próximos meses de campanha.
**Análise**
O empate técnico entre Lula e Flávio Bolsonaro em dois turnos consecutivos é um sinal de que a eleição de 2026 será uma das mais imprevisíveis desde a redemocratização. Diferente de 2022, quando Lula enfrentou Jair Bolsonaro num pleito marcado por alta rejeição ao então presidente, agora o cenário mostra um PT ainda forte, mas com desgaste natural de oito anos no poder (2019-2022 com Bolsonaro, 2023-2026 com Lula). A ausência de Jair Bolsonaro na urna, porém, não enfraqueceu o bolsonarismo: o capital político foi transferido para o filho, que tenta se apresentar como continuidade do movimento, mas com perfil menos explosivo.
A pesquisa Meio/Ideia também sinaliza que a rejeição a Lula aumentou entre eleitores de renda alta e do Sul do país, enquanto a aprovação ao governo caiu entre jovens. Por outro lado, Flávio Bolsonaro enfrenta resistência entre mulheres e no eleitorado de centro, que o vê como ligado a investigações sobre supostas irregularidades na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro. A disputa, portanto, tende a se concentrar em quem conseguirá atrair o eleitor moderado que hoje rejeita ambos.
O resultado final dependerá do andamento da economia — inflação, juros e emprego — e de eventuais crises políticas nos meses que antecedem a votação. O instituto Meio/Ideia deverá divulgar novas rodadas até outubro de 2026, e a tendência é que a polarização se mantenha, com chances reduzidas para candidaturas alternativas.
**Fontes**
Instituto Meio/Ideia, pesquisa de intenção de voto para as eleições presidenciais de 2026, registrada no TSE sob protocolo BR-08756/2026. Dados coletados entre 20 e 25 de setembro de 2026. A margem de erro é de três pontos percentuais para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%.
Por Renan Filho · 2026-09-30