**Lead**
Pesquisa encomendada pelo banco BTG Pactual e realizada pelo instituto Nexus revelou que 48,8% dos brasileiros desaprovam o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, enquanto 47,2% aprovam a gestão. Os números foram divulgados nesta segunda-feira e mostram um cenário de empate técnico, considerando a margem de erro de 2,2 pontos percentuais. O levantamento ouviu 2.000 eleitores entre os dias 10 e 14 de outubro de 2026, com registro no Tribunal Superior Eleitoral.
**Contexto**
A pesquisa BTG/Nexus chega em um momento de intenso debate sobre a condução da política econômica e a sucessão presidencial. O resultado acende um alerta no Palácio do Planalto, que vinha trabalhando com a expectativa de recuperação da popularidade após a queda registrada no início do terceiro mandato. Em levantamentos anteriores do mesmo instituto, a aprovação oscilava em patamar semelhante, mas a desaprovação agora supera numericamente a aprovação pela primeira vez no ano.
O instituto Nexus é conhecido por sua metodologia de entrevistas presenciais e por ser contratado por instituições financeiras para medir o clima político-eleitoral. O BTG Pactual, um dos maiores bancos de investimento do país, utiliza esses dados para orientar clientes e suas mesas de operação. A pesquisa foi registrada no TSE sob o número BR-00981/2026, e a margem de confiança é de 95%.
Os números aparecem em meio a um cenário econômico ambíguo. De um lado, o mercado de trabalho segue aquecido, com taxa de desemprego em patamar historicamente baixo. De outro, a inflação de alimentos e a alta do dólar pressionam o bolso do consumidor. Essa combinação ajuda a explicar a avaliação dividida da população: enquanto segmentos de menor renda sentem os efeitos das transferências sociais e do aumento real do salário mínimo, as classes médias e altas manifestam maior insatisfação com a carga tributária e a percepção de intervenção estatal.
**Análise**
O empate técnico entre aprovação e desaprovação tem impacto direto no tabuleiro político para as eleições de 2028. Lula, aos 81 anos, ainda não confirmou se será candidato à reeleição, mas a avaliação do governo é usada como termômetro pelos partidos aliados e pela oposição. Os dados sugerem que o presidente mantém uma base fiel, mas perdeu capacidade de atrair eleitores que flutuam entre o apoio crítico e a rejeição. A diferença de 1,6 ponto percentual entre desaprovação e aprovação é estatisticamente irrelevante, mas politicamente significativa: o governo deixa de ter o capital político para aprovar pautas emblemáticas no Congresso com folga.
Para o mercado financeiro, o resultado deve consolidar a percepção de risco eleitoral antecipado. Investidores passam a precificar um cenário de disputa acirrada em 2028, o que tende a aumentar a volatilidade nos ativos brasileiros e a pressionar o câmbio. A leitura predominante é a de que o governo tentará usar a máquina pública para reverter a tendência de desaprovação, seja por meio de novas medidas de estímulo, seja por maior controle de preços administrados. Isso, porém, pode conflitar com a necessidade de ajuste fiscal e com a meta de inflação perseguida pelo Banco Central.
Outro ponto de atenção é o recorte regional. Segundo dados anteriores do mesmo instituto, o Norte e o Nordeste tendem a concentrar a aprovação, enquanto o Sul e o Sudeste, especialmente o estado de São Paulo, concentram a desaprovação. Esse padrão histórico deve se manter na pesquisa atual, o que reforça a estratégia de viagens presidenciais para o interior e para as capitais do Nordeste nas próximas semanas. O governo também deve intensificar a comunicação sobre a queda do preço da gasolina e o programa de medicamentos populares.
Os próximos levantamentos serão decisivos para calibrar a estratégia do Planalto. Se a desaprovação continuar subindo, tende a crescer a pressão por uma reforma ministerial e por uma mudança na condução da política de comunicação. Se a aprovação voltar a superar a desaprovação, o governo ganha fôlego para lançar um pacote de investimentos em infraestrutura antes do fim do ano legislativo. Por ora, o cenário é de indefinição e de cálculo constante por parte dos atores políticos.
**Fontes**
A notícia foi produzida com base nas informações divulgadas pela pesquisa BTG Pactual/Nexus, registrada no Tribunal Superior Eleitoral, e em reportagens veiculadas por veículos como Folha de S.Paulo, O Globo e CNN Brasil, que tiveram acesso prévio aos números. Os dados completos, incluindo recortes por região, faixa etária e escolaridade, estão disponíveis no site do instituto Nexus.
Por Renan Filho · 2026-10-19