**Lead**
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou duramente a Meta, controladora do Facebook, Instagram e WhatsApp, durante discurso nesta quarta-feira (23) em Brasília. Lula afirmou que a empresa “conta mentiras” e “favorece alguns poucos em detrimento da democracia”, reacendendo o debate sobre regulação de plataformas digitais no Brasil. A declaração ocorreu em cerimônia de assinatura de decreto sobre segurança cibernética e combate à desinformação, no Palácio do Planalto.
**Contexto**
As falas de Lula ocorrem em meio à crescente tensão entre governos democráticos e grandes empresas de tecnologia. A Meta, assim como outras big techs, tem sido acusada de não combater adequadamente a disseminação de desinformação, discurso de ódio e conteúdo ilegal em suas plataformas. No Brasil, o debate ganhou força após o episódio dos ataques golpistas de 8 de janeiro de 2023, quando foi constatado o papel de redes sociais na organização e difusão de narrativas falsas sobre o processo eleitoral.
Lula não apresentou dados específicos durante o discurso, mas mencionou que “os algoritmos são desenhados para manter as pessoas presas em bolhas de informação, gerando mais engajamento e mais lucro para poucos acionistas, enquanto a verdade e a democracia ficam em segundo plano”. A fala ecoa posicionamentos de autoridades como o presidente do Tribunal Superior Eleitoral, ministro Alexandre de Moraes, que já defendeu publicamente a responsabilização das plataformas por conteúdo publicado por terceiros.
A Meta, por sua vez, tem defendido que segue as leis brasileiras e que investe em moderação de conteúdo. Em nota recente, a empresa afirmou que “combate a desinformação de forma contínua, com equipes dedicadas e parcerias com agências de checagem de fatos independentes”. No entanto, organizações da sociedade civil apontam que esses esforços são insuficientes e que as empresas lucram com o sensacionalismo e a polarização.
**Análise**
A crítica de Lula à Meta insere-se em um contexto global de regulação digital. Países como a União Europeia já implementaram o DSA (Digital Services Act), que impõe regras rígidas de transparência e responsabilização para plataformas com mais de 45 milhões de usuários. O Brasil, com mais de 130 milhões de usuários ativos no Facebook e Instagram, seria um dos mercados mais afetados por uma regulação semelhante.
A fala presidencial também sinaliza uma postura mais assertiva do governo em relação ao poder das big techs. Isso pode influenciar a tramitação do Projeto de Lei 2630/2020, conhecido como PL das Fake News, que está parado no Congresso Nacional. O projeto prevê a criação de medidas de transparência para algoritmos, obrigatoriedade de moderação de conteúdos nocivos e punições para plataformas que descumprirem as regras. A pressão do Executivo pode ser decisiva para acelerar a votação.
Especialistas em segurança digital apontam que o problema não se limita à desinformação política. Algoritmos que favorecem conteúdos sensacionalistas e polarizadores também impactam a segurança pública, ao amplificar notícias falsas sobre crimes, vacinas e saúde. A regulação, portanto, é vista como uma questão de segurança nacional, e não apenas de liberdade de expressão.
**Fontes**
- Discurso do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em cerimônia no Palácio do Planalto, 23 de outubro de 2026. - Declarações públicas do ministro Alexandre de Moraes, presidente do Tribunal Superior Eleitoral, em sessões e entrevistas. - Projeto de Lei 2630/2020 (PL das Fake News), em tramitação na Câmara dos Deputados. - Nota oficial da Meta sobre políticas de moderação de conteúdo, publicada em setembro de 2026. - Relatório da organização Repórteres Sem Fronteiras sobre transparência de plataformas digitais, edição 2026.
Por Renan Filho · 2026-10-23