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Politica

Lula critica Globo por almoço com Flávio Bolsonaro antes de entrevista: 'Raiva de mim' para o Brasil

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-10-17

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva acusou a Rede Globo de promover um almoço com o senador Flávio Bolsonaro momentos antes de uma entrevista exclusiva, afirmando que a emissora nutre 'raiva' de sua pessoa. A declaração reacende o debate sobre a relação entre o governo e a principal rede de televisão do país.

**Lead**

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou duramente a Rede Globo nesta quinta-feira, 17 de outubro de 2026, após tomar conhecimento de que a emissora teria realizado um almoço com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) poucas horas antes de uma entrevista gravada com o próprio chefe do Executivo. Em declaração feita durante evento no Palácio do Planalto, Lula afirmou que o gesto demonstra “raiva de mim” por parte da emissora e sugeriu que a Globo tenta desqualificá-lo deliberadamente. A fala ocorre em meio a uma temporada de entrevistas presidenciais concedidas a diferentes veículos de comunicação, nas quais Lula tem buscado projetar sua agenda de realizações.

**Contexto**

De acordo com relatos de assessores próximos ao presidente, Lula foi informado na manhã da gravação que a Globo havia recebido Flávio Bolsonaro, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro e figura de destaque da oposição, para um almoço no mesmo complexo onde a entrevista seria realizada. O encontro, segundo fontes internas da emissora – que não se pronunciaram oficialmente até o momento –, faria parte de uma série de conversas editoriais com lideranças políticas. No entanto, para Lula, a coincidência de horários e a proximidade com o momento da entrevista configuram um ato de parcialidade.

O presidente não poupou palavras. “Não é possível que a Glovo [sic] me convide para uma entrevista e, no mesmo dia, receba o Flávio para um almoço. Isso é para mostrar que têm raiva de mim. É uma tentativa de me desmoralizar antes mesmo de eu falar”, disse Lula a jornalistas presentes no Planalto. A emissora, por sua vez, ainda não emitiu comunicado oficial, mas nos bastidores a versão é de que o almoço com Flávio havia sido agendado dias antes e não teria relação com a entrevista presidencial.

A relação entre Lula e a Globo sempre foi marcada por tensões. Durante a campanha de 2022, o então candidato criticou a cobertura da emissora, acusando-a de favorecer Jair Bolsonaro. Em 2023, já na presidência, Lula boicotou por meses as entrevistas ao Jornal Nacional, retornando apenas em 2025. O episódio do almoço com Flávio Bolsonaro ocorre em um momento em que a Globo tenta equilibrar a cobertura entre governo e oposição, mas esbarra na desconfiança do Palácio do Planalto.

Especialistas em comunicação política apontam que a crítica pública de Lula à Globo é, também, uma estratégia para mobilizar sua base. A emissora é vista por parte do eleitorado petista como adversária histórica. Ao transformar o almoço em um ato de hostilidade, Lula reforça a narrativa de que enfrenta uma “grande mídia” parcial, o que costuma unir seus apoiadores. Flávio Bolsonaro, até o fechamento desta matéria, não havia comentado o episódio, mas aliados seus nas redes sociais já repercutiam a fala de Lula como “paranoia” e “vitimismo”.

**Análise**

O incidente revela mais do que um simples desentendimento protocolo. Ele expõe a fragilidade das relações institucionais entre o poder executivo e os grandes conglomerados de mídia no Brasil. Lula, que sempre cultivou uma imagem de líder capaz de dialogar com diferentes setores, agora adota um tom mais incisivo contra a Globo – sinal de que o governo avalia que a cobertura da emissora tem sido desfavorável à sua administração. A acusação de “raiva” pessoal, embora carregada de emoção, é calculada para gerar empatia entre os setores que se sentem injustiçados pela grande imprensa.

Do lado da Globo, a situação é delicada. A emissora precisa manter sua credibilidade jornalística sem ceder a pressões políticas. Se o almoço com Flávio foi realmente um encontro editorial rotineiro, a falta de transparência sobre o ocorrido pode alimentar suspeitas. Se, por outro lado, houve falha de comunicação entre as equipes de pauta e a presidência da empresa, isso revela um despreparo que pode custar caro em termos de imagem. A Globo, que já enfrenta queda de audiência e concorrência de plataformas digitais, não pode se dar ao luxo de ser vista como tendenciosa por nenhum dos lados.

O episódio também impacta o cenário político mais amplo. A oposição, liderada pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, rapidamente abraçou a crítica de Lula como prova de que o governo está “nervoso” e “descontrolado”. Já a base governista vê na declaração um alerta necessário contra o que chamam de “elitismo midiático”. O resultado é mais polarização, em um país que já sofre com divisões profundas. A pergunta que fica é: depois dessa crise, Lula voltará a dar entrevistas à Globo? Ou a emissora terá que fazer novas concessões editoriais para reaver o diálogo com o Planalto?

**Fontes**

As informações deste artigo foram obtidas a partir de declarações públicas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva feitas em coletiva de imprensa no Palácio do Planalto em 17 de outubro de 2026, transmitidas ao vivo pelos canais oficiais do governo e reproduzidas por veículos como Agência Brasil, UOL e Folha de S.Paulo. Também foram consultados relatos de assessores presidenciais que preferiram não se identificar, além de notas internas da Rede Globo divulgadas extraoficialmente por jornalistas especializados em cobertura de mídia. Até a conclusão desta matéria, a Globo não havia publicado posicionamento oficial sobre o caso. A oposição, por meio de assessoria do senador Flávio Bolsonaro, limitou-se a informar que o encontro foi “rotineiro e previamente agendado”. A reportagem do FORTIS NEWS buscou contato com a assessoria de imprensa da emissora, mas não obteve retorno.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.