**Lead**
O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltou a criticar o modelo de debate promovido pela TV Globo, utilizando a insatisfação com o formato como principal argumento para sua ausência no confronto televisionado que ocorreria em outubro, em meio à corrida presidencial. A declaração foi dada durante evento de campanha na região Sudeste, reforçando uma estratégia de comunicação que busca desqualificar o mediador e as regras do embate, enquanto o petista tenta preservar sua vantagem nas pesquisas de intenção de voto.
**Contexto**
A relação entre Lula e a TV Globo sempre foi marcada por tensões, especialmente após a cobertura das operações da Lava Jato e da prisão do ex-presidente em 2018. Embora o Supremo Tribunal Federal tenha anulado as condenações, o ressentimento permaneceu no discurso petista. Nas últimas eleições, Lula não participou de debates na emissora, alegando que o formato favorecia “ataques pessoais” e reduzia o espaço para apresentação de propostas.
Neste ano, a Globo convidou todos os candidatos com representatividade parlamentar para um debate em estádio na capital paulista, com previsão de transmissão em horário nobre. O formato incluiu blocos temáticos de economia, saúde e segurança, além de perguntas entre os participantes. A equipe de Lula, no entanto, exigiu a presença de mediadores externos e a exclusão de determinados jornalistas, o que foi recusado pela emissora. A partir daí, a campanha do petista passou a veicular vídeos nas redes sociais questionando a imparcialidade da Globo, sem apresentar evidências concretas.
A crítica mais recente ocorreu durante um comício em Minas Gerais, quando Lula afirmou que o debate da Globo “não é um debate, é um show de horrores” e que ele não “perderia tempo com quem já tem opinião formada”. A fala foi interpretada por analistas como uma tentativa de transformar a ausência em um ato de coragem, mas também como um risco de isolamento político, já que os demais candidatos confirmaram presença.
**Análise**
A decisão de Lula de criticar o formato e se ausentar do debate não é novidade na política brasileira, mas ganha contornos mais delicados neste pleito. O confronto televisionado é visto como uma oportunidade única para eleitores indecisos compararem propostas e avaliarem a capacidade de liderança dos candidatos. Ao recusar o convite, Lula abre espaço para que seus adversários ocupem o tempo de exposição sem réplica direta, o que pode ser explorado em inserções publicitárias e nas redes sociais.
Além disso, a estratégia de atacar a Globo reflete uma polarização mais ampla na sociedade, em que parte do eleitorado repudia a grande mídia e acredita em viés político das emissoras. Lula busca capitalizar sobre esse sentimento, reforçando a narrativa de que sofre perseguição midiática. No entanto, essa abordagem tem limites: pesquisas recentes (não citadas aqui por falta de confirmação) mostram que a maioria dos eleitores ainda espera que os candidatos participem de debates, independentemente do formato.
Em termos de ciência política, estudos sobre comportamento eleitoral indicam que debates televisionados podem influenciar eleitores menos informados, especialmente quando há performance de candidatos em cenários de crise. A ausência de um líder favorito pode ser interpretada como soberba e gerar antipatia, um efeito que Lula terá que mitigar com outras estratégias de comunicação.
**Fontes**
As informações foram obtidas a partir de declarações públicas do ex-presidente durante ato de campanha, cobertas por veículos de imprensa como Folha de S.Paulo e Estado de S. Paulo, além de transmissões ao vivo das redes sociais da campanha. Não foram utilizados dados numéricos ou pesquisas específicas por falta de verificação independente.
Por Renan Filho · 2026-10-01