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Economia

Lula diz que comida segue cara e culpa guerras apesar de inflação menor no Brasil

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-10-12

Em meio à desaceleração da inflação geral, o presidente voltou a atribuir os preços elevados dos alimentos aos conflitos internacionais e à especulação, reconhecendo que o custo da comida ainda pesa no orçamento das famílias.

**Lead**

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta segunda-feira que a comida continua cara no Brasil e voltou a atribuir o fenômeno às guerras e à especulação internacional, apesar da desaceleração da inflação geral medida nos últimos meses. A declaração ocorre em meio ao debate sobre a alta dos alimentos, que segue como um dos principais pontos de pressão sobre o custo de vida das famílias brasileiras. Lula reconheceu que a população ainda sente no bolso o efeito dos preços elevados, mas defendeu que o cenário global adverso atrapalha a queda mais rápida dos valores.

**Contexto**

Nas últimas semanas, os índices oficiais indicaram uma trégua na inflação geral do país, influenciada principalmente pela desaceleração de itens como combustíveis e energia. No entanto, o grupo de alimentos e bebidas seguiu acumulando aumentos acima da média, o que mantém o tema no centro das preocupações do governo e dos consumidores. O presidente, ao comentar os números, disse que a invasão da Ucrânia pela Rússia e os conflitos no Oriente Médio desorganizaram cadeias globais de produção e elevaram custos de insumos, fertilizantes e grãos. Embora o Brasil seja um grande produtor agrícola, a formação dos preços internos é influenciada pelo mercado internacional, especialmente em commodities como trigo, milho e óleos vegetais.

A fala foi feita durante agenda oficial em Brasília, na qual o presidente voltou a cobrar do setor produtivo e dos governadores medidas para reduzir o impacto dos alimentos no orçamento doméstico. Lula citou, sem dar números específicos, exemplos de produtos que poderiam ser mais baratos, como o arroz e o feijão, e mencionou que o governo tem atuado para fortalecer estoques públicos e ampliar a oferta de alimentos no mercado interno. Nos bastidores, auxiliares evitam transformar a inflação de alimentos em um confronto com o Banco Central, já que a política monetária brasileira tem impacto limitado sobre preços administrados e sobre fatores externos.

A declaração também ecoa o clima de insatisfação popular verificado em pesquisas de opinião, nas quais a economia aparece como uma das principais preocupações. O governo tem tentado equilibrar o discurso entre culpar fatores internacionais e mostrar iniciativas domésticas, como a venda de produtos da agricultura familiar para a alimentação escolar e a ampliação de programas de transferência de renda. Ainda assim, movimentos sociais e especialistas apontam que a estrutura de produção e distribuição de alimentos no Brasil concentra margens em poucos elos da cadeia, do atacado ao varejo, o que tornaria a redução de preços mais lenta do que a prevista em cenários de safra recorde.

**Análise**

A insistência de Lula em responsabilizar as guerras e a especulação internacional reflete a dificuldade do governo em anunciar uma solução rápida para a carestia. Para analistas, a queda da inflação geral — puxada por itens como energia — pode até favorecer a popularidade do governo no médio prazo, mas não resolve o desgaste imediato causado pela feira cara. A percepção dos consumidores é influenciada pela frequência de compra: produtos básicos como pão, café, leite e carne são adquiridos semanalmente ou diariamente, o que faz com que pequenos aumentos sejam sentidos de forma mais intensa. Nesse cenário, os dados agregados de inflação perdem força como ferramenta de comunicação política.

Além disso, a menção à especulação sinaliza que o governo pode avançar em medidas de monitoramento e regulação de margens, como já ocorreu com combustíveis em gestões anteriores. Porém, o risco de intervenções anunciadas sem efeito prático pode ampliar a desconfiança do mercado e não necessariamente derruba os preços ao consumidor. A política econômica do governo tem se ancorado na expectativa de que a queda dos juros e a melhora do mercado de trabalho elevem a renda real e compensem, aos poucos, o montante extra gasto com alimentos. Se essa compensação não ocorrer na velocidade esperada, o tema tende a seguir como flanco de críticas da oposição e como pauta central das eleições municipais que se aproximam.

Os números mais recentes mostram que a inflação acumulada em doze meses se aproxima ou já atinge o centro da meta, dependendo da métrica, mas os preços de alimentos pressionam de forma heterogênea as regiões do país. No Norte e no Nordeste, por exemplo, o peso dos itens básicos no orçamento familiar é maior, o que amplifica a percepção de carestia entre a população de baixa renda. O governo, por isso, tem direcionado a discussão para a segurança alimentar e para a promoção de estoques reguladores, enquanto o Banco Central reafirma que acompanha a evolução das expectativas de inflação. A leitura geral é que, sem uma desaceleração robusta dos alimentos, os indicadores globais de inflação continuarão apresentando números melhores do que a realidade percebida na mesa do brasileiro.

**Fontes**

As informações são de pronunciamento do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em agenda oficial em Brasília, em outubro de 2026, e de relatos de agências de notícias nacionais. Os dados sobre inflação fazem referência aos índices oficiais do IBGE (IPCA) e às análises de mercado divulgadas no mesmo período. Não há números específicos citados por não terem sido confirmados oficialmente no momento da publicação.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.