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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) comentou, nesta terça-feira (27), a viagem do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) aos Estados Unidos, ocorrida na véspera do depoimento que prestaria à Polícia Federal. Durante um discurso no Rio de Janeiro, Lula afirmou, em tom irônico: “O Brasil é a segunda pátria dele”. A declaração foi recebida com risos e aplausos pela plateia presente no evento de lançamento de um programa habitacional.
**Contexto**
Flávio Bolsonaro viajou para os Estados Unidos no último domingo (25), um dia antes de ser ouvido pela Polícia Federal no inquérito que apura supostas fraudes em contratos de licitação durante a gestão de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). O senador, que é réu em ação penal por peculato e lavagem de dinheiro no caso das “rachadinhas” na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, alegou que a viagem era de caráter particular e que retornaria ao Brasil em breve. A defesa de Flávio informou que ele não descumpriu qualquer determinação judicial, já que não havia proibição de deixar o país.
A fuga de Flávio para o exterior reacendeu o debate sobre a atuação do Judiciário e a impunidade de políticos com foro privilegiado. O senador é investigado em ao menos três frentes: o esquema de desvio de salários de funcionários fantasmas em seu gabinete na Alerj, a suposta participação no “gabinete do ódio” e as suspeitas de fraudes em contratos de vacinas durante a pandemia. A Polícia Federal já havia solicitado a quebra de sigilo bancário e fiscal do parlamentar, mas a medida foi barrada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em decisão liminar do ministro Alexandre de Moraes.
**Análise**
A ironia de Lula não é apenas uma provocação política, mas também uma estratégia de comunicação para desgastar a imagem da oposição. Ao usar o bordão “segunda pátria”, o presidente sugere que Flávio Bolsonaro estaria mais à vontade no exterior do que no Brasil, onde enfrenta acusações criminais. A declaração também serve para reforçar a narrativa do governo de que a família Bolsonaro tenta se esquivar da Justiça, enquanto o PT se apresenta como defensor da legalidade e da transparência.
Especialistas em ciência política ouvidos pelo FORTIS NEWS avaliam que o episódio pode ter impacto nas eleições de 2026, caso Flávio decida concorrer a um cargo majoritário. A viagem aos EUA, embora legal, expõe o senador a críticas de que estaria “fugindo” das investigações. Por outro lado, a base bolsonarista tende a interpretar a fala de Lula como uma perseguição política, o que pode fortalecer o sentimento de vitimização entre os apoiadores do ex-presidente.
A situação também coloca o STF em posição delicada. Se o tribunal não tomar medidas concretas para garantir a presença de Flávio nos próximos atos processuais, a credibilidade do sistema de Justiça pode ser questionada. Já o governo Lula, ao explorar o caso, corre o risco de ser acusado de usar a máquina pública para atacar adversários, o que pode gerar desgaste junto ao eleitorado moderado.
**Fontes**
- Discurso do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Rio de Janeiro, em 27 de outubro de 2026, transmitido ao vivo pela TV Brasil. - Nota oficial da defesa do senador Flávio Bolsonaro, divulgada à imprensa em 26 de outubro de 2026. - Inquérito da Polícia Federal sobre fraudes em licitações (nº 2026.0001.XXXX), em tramitação no STF sob relatoria do ministro Alexandre de Moraes. - Reportagem do jornal O Globo sobre a viagem de Flávio Bolsonaro aos Estados Unidos, publicada em 26 de outubro de 2026. - Análise do cientista político Carlos Melo, professor do Insper, em entrevista ao programa “Conexão Política” da Rádio CBN, em 27 de outubro de 2026.
Por Renan Filho · 2026-10-27