**Lead**
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva celebrou nesta quarta-feira a aprovação do projeto de lei que põe fim à escala de trabalho 6×1 no Brasil, classificando a medida como uma “vitória dos trabalhadores”. O texto, aprovado pelo Congresso Nacional após intensa mobilização sindical e digital, altera a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) e determina que a jornada semanal não poderá ultrapassar 36 horas, distribuídas em até cinco dias de trabalho por semana, com dois dias consecutivos de descanso. A proposta, que tramitava em regime de urgência, foi votada em meio a debates acalorados entre parlamentares da base governista e da oposição.
**Contexto**
A escala 6×1 é caracterizada por seis dias consecutivos de trabalho seguidos de uma folga, prática comum em setores como comércio varejista, serviços de alimentação, call centers e saúde. Estudos sobre o tema apontavam que a jornada prolongada afetava negativamente a saúde física e mental dos trabalhadores, reduzindo o tempo para convívio familiar, lazer e descanso. Segundo especialistas em medicina do trabalho ouvidos pela imprensa, o regime aumentava o risco de doenças cardiovasculares, distúrbios do sono e sintomas de burnout.
A votação ocorreu após uma campanha nacional que reuniu entidades sindicais, centrais de trabalhadores e movimentos sociais. Nos últimos meses, a pauta ganhou força nas redes sociais, com relatos de trabalhadores que descreviam o desgaste imposto pela rotina extenuante. A mobilização pressionou parlamentares de diferentes espectros ideológicos, levando à criação de uma comissão especial para analisar a matéria e a um acordo de lideranças para a votação em plenário.
**Análise**
Especialistas em direito trabalhista afirmam que a mudança representa uma transformação significativa no modelo de organização do trabalho no Brasil, que historicamente manteve uma das jornadas mais longas entre os países emergentes. A nova legislação também prevê regras para compensação de horas em atividades essenciais, como saúde e segurança pública, que poderão adotar escalas alternativas por meio de acordo coletivo. A expectativa é que a medida gere impacto direto na produtividade, embora haja controvérsia entre economistas sobre os efeitos nos setores que dependem de operação contínua.
Para o governo, a aprovação é apresentada como parte de uma agenda de valorização do trabalho e de modernização das relações trabalhistas. Setores empresariais, no entanto, demonstram preocupação com o aumento de custos operacionais e com a necessidade de reestruturação de escalas em atividades que exigem atendimento presencial diário. Ainda assim, a tendência em diversas economias desenvolvidas aponta para a redução gradual da jornada semanal, com estudos recentes indicando ganhos em satisfação e desempenho dos funcionários quando há equilíbrio entre vida pessoal e profissional.
A nova lei também estimula o debate sobre o futuro do trabalho no país em um momento de transformações tecnológicas e automação. Pesquisadores observam que a redução da jornada pode ser compatível com ganhos de eficiência, desde que acompanhada de investimentos em qualificação profissional e digitalização de processos. O tema tende a se desdobrar nas próximas semanas com a regulamentação de pontos específicos e a análise de possíveis ações no Supremo Tribunal Federal por parte de entidades contrárias.
**Fontes**
As informações são baseadas no pronunciamento do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no texto do projeto de lei aprovado pelo Congresso Nacional e em reportagens veiculadas pelos principais veículos de imprensa do país, incluindo Agência Brasil e Agência Câmara de Notícias.
Por Renan Filho · 2026-10-15