**Lead**
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva comemorou na manhã desta quarta-feira (15) a aprovação do projeto de lei que extingue a escala de trabalho 6×1 no Brasil. Durante cerimônia no Palácio do Planalto, em Brasília, Lula afirmou que a medida representa “a sorte do povo brasileiro” e um avanço civilizatório nas relações trabalhistas. O texto, aprovado pelo Congresso Nacional após intensa negociação, segue agora para sanção presidencial.
**Contexto**
A escala 6×1, que obriga o trabalhador a atuar por seis dias consecutivos com apenas um de descanso, sempre foi alvo de críticas de sindicatos e especialistas em saúde do trabalho. Estudos apontam que a jornada exaustiva contribui para o aumento de doenças ocupacionais, ansiedade e acidentes de trabalho. O projeto aprovado prevê uma transição gradual para empresas de diferentes portes, com prazo máximo de cinco anos para plena implementação.
A proposta, que tramitou sob forte mobilização popular, foi uma das principais bandeiras das centrais sindicais na última década. Durante as negociações, o governo federal atuou como mediador entre empregadores e trabalhadores, buscando um texto que equilibrasse a redução da jornada com a manutenção da produtividade. O presidente Lula destacou o papel do diálogo social para a construção do consenso.
“Nós conseguimos mostrar ao Brasil que é possível modernizar as relações de trabalho sem prejudicar a economia. A sorte do povo brasileiro é ter um Congresso que soube ouvir a rua e um governo que nunca abriu mão da negociação”, disse o presidente em discurso. Lula também lembrou que a medida atende a uma demanda histórica do movimento sindical e reforçou o compromisso do governo com a valorização do trabalho.
**Análise**
A extinção da escala 6×1 coloca o Brasil em um seleto grupo de nações que buscam repensar o modelo tradicional de jornada. Especialistas em direito do trabalho avaliam que a mudança pode gerar impactos significativos na qualidade de vida dos trabalhadores, especialmente nos setores de comércio e serviços, onde o modelo era amplamente utilizado. Por outro lado, economistas ponderam que o período de transição será crucial para que empresas de menor porte se adaptem sem comprometer a geração de empregos.
A comemoração de Lula ocorre em um momento de alta popularidade do governo nas pesquisas, impulsionada por uma agenda voltada ao consumo popular e à recuperação do mercado de trabalho. A sanção da lei deve ser acompanhada de uma série de medidas complementares, como incentivos fiscais para a modernização de processos produtivos e programas de capacitação profissional, além de um reforço na fiscalização de condições de trabalho. O governo planeja ainda lançar uma campanha publicitária explicando os novos direitos.
A medida também é vista como um aceno aos trabalhadores informais, que hoje não são alcançados pelaCLT. Para eles, o governo estuda a ampliação de políticas de formalização, como o Microempreendedor Individual (MEI), mas sem prazo definido. Enquanto isso, a expectativa das centrais sindicais é de que a nova legislação sirva de estímulo para novas rodadas de negociação em outras áreas, como teletrabalho e jornada de quatro dias, tema que voltou a ganhar força após experimentos bem-sucedidos na Europa.
O impacto político também é relevante. O presidente aposta na pauta trabalhista para consolidar sua base de apoio no Congresso e na sociedade. A aprovação do fim da escala 6×1 é considerada uma vitória simbólica importante para o governo, que enfrenta desafios em outras frentes, como a reforma tributária e as negociações orçamentárias. Lula, no entanto, evitou falar em outros temas durante a cerimônia, focando exclusivamente na nova lei.
Para os trabalhadores, a mudança representa a possibilidade de mais tempo para convívio familiar, lazer e qualificação profissional. Para os empregadores, o desafio será redesenhar escalas e investir em automação e tecnologia. O equilíbrio entre essas forças determinará o sucesso da medida na prática. Os próximos meses serão decisivos para observar como os setores mais dependentes da escala 6×1, como supermercados, restaurantes e hospitais, vão se adaptar à nova realidade.
**Fontes**
O conteúdo desta reportagem foi produzido com informações baseadas no discurso público do presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante cerimônia no Palácio do Planalto, nas discussões legislativas que antecederam a votação do projeto, e em análises de especialistas em direito trabalhista e economia ouvidos ao longo da cobertura. Participaram do processo de negociação representantes das centrais sindicais, da Confederação Nacional da Indústria (CNI) e das lideranças partidárias no Congresso Nacional.
Por Renan Filho · 2026-10-15