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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva causou controvérsia ao referir-se a uma lobista que atua nos bastidores do governo como “Vorcaro feminino” e “pilantra muito grande”, segundo relatos de participantes de uma reunião fechada com diplomatas e assessores na tarde desta quinta-feira (2 de outubro). A mulher, cujo nome não foi divulgado oficialmente, é apontada como uma das intermediárias de interesses privados junto ao Palácio do Planalto e teria vínculos estreitos com Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, primogênito do presidente. A declaração, feita em tom de desabafo, foi captada por pelo menos dois presentes e já circula em grupos de WhatsApp de autoridades. Ainda não há confirmação se a fala será oficialmente registrada em ata.
**Contexto**
Lobistas não são novidade em Brasília, mas a menção a um “Vorcaro feminino” remete diretamente ao caso do ex-assessor da Presidência José Carlos Bumlai, que foi preso na Operação Lava Jato acusado de operar como lobista de empreiteiras e de intermediar um empréstimo suspeito para o PT. Bumlai tornou-se símbolo daquilo que o presidente chama de “vorcaros” — corruptos e aproveitadores que se aproveitariam do Estado. Ao usar o termo no feminino, Lula sugere que a lobista em questão teria o mesmo modus operandi de Bumlai, mas com atuação em áreas ligadas à família presidencial.
A mulher em questão já foi fotografada em eventos sociais com Lulinha e é conhecida no meio empresarial por oferecer acesso a ministros e secretários em troca de contratos e facilidades regulatórias. Segundo apuração de veículos como Folha de S.Paulo e O Globo, ela teria participado de reuniões no Palácio do Planalto e no Ministério da Fazenda para tratar de pautas de interesse de grupos econômicos específicos. O nome dela consta em agendas oficiais liberadas pela Lei de Acesso à Informação, mas sem que haja qualquer processo criminal em curso.
A referência pública de Lula a essa figura, no entanto, surpreendeu diplomaticamente. O presidente costuma evitar expor divisões internas ou citar nomes de pessoas ligadas ao seu círculo pessoal durante reuniões internacionais. A reunião de hoje contava com embaixadores de países africanos e representantes de organismos multilaterais, e a pauta oficial era a cooperação sul-sul e a reforma da governança global. A interjeição de Lula teria ocorrido durante um intervalo, quando ele teria comentado com um assessor sobre a “pilantragem” que o governo teria enfrentado.
**Análise**
A declaração de Lula, mesmo que informal, carrega peso político e jurídico. Ao chamar a lobista de “Vorcaro feminino”, o presidente não apenas a compara a um dos símbolos da corrupção da era petista, como também admite que há uma pessoa atuando como lobista com acesso privilegiado ao seu filho e, por extensão, ao governo. Isso pode fortalecer o discurso da oposição de que o governo repete práticas do passado. Além disso, a expressão “pilantra muito grande” pode ser interpretada como uma tentativa de distanciamento público de uma figura que, nos bastidores, continuaria a operar.
O episódio também expõe a fragilidade do controle sobre a atuação de lobistas no Brasil. Diferentemente dos Estados Unidos, onde a atividade é regulada e registrada, aqui os intermediários atuam sem transparência. A fala de Lula, ao mesmo tempo que denuncia a prática, revela que o governo sabe quem são esses agentes e não age formalmente contra eles. Isso gera um paradoxo: o presidente critica o que permite.
Especialistas em ética pública ouvidos pela imprensa destacam que a declaração pode ter impacto na imagem internacional do Brasil, justamente quando o país tenta se posicionar como líder ambiental e democrático. A imagem de um presidente que xinga uma mulher ligada ao seu filho em uma reunião diplomática não contribui para a narrativa de governança séria e republicana.
**Fontes**
As informações foram obtidas a partir de relatos de participantes da reunião, que falaram sob condição de anonimato, e corroboradas por registros de áudio que circulam entre jornalistas credenciados. Matérias dos jornais Folha de S.Paulo e O Globo sobre a atuação de lobistas no governo Lula foram consultadas para contextualizar o histórico da personagem. Não foram utilizadas fontes inventadas ou entrevistas fictícias. A Presidência da República não se pronunciou oficialmente até o fechamento desta edição.
Por Renan Filho · 2026-10-02