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Política

Lula afirma que CCJ retomará análise da PEC da Segurança na quarta-feira

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-10-11

Presidente confirmou que a Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dará continuidade à tramitação da proposta que reformula o sistema de segurança pública no Brasil.

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou nesta segunda-feira que a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados retomará, na próxima quarta-feira, a discussão da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública. A declaração foi feita durante evento em Brasília, sem detalhar o teor das alterações que serão submetidas ao colegiado. A medida reacende o debate sobre a reforma do sistema de segurança no país, que tramita há meses no Congresso Nacional.

**Contexto**

A PEC da Segurança Pública, apresentada pelo governo federal no início de 2025, propõe mudanças estruturais na atuação das forças policiais, na integração entre União, estados e municípios, e no financiamento de políticas de prevenção à violência. O texto original prevê a criação de um Sistema Único de Segurança Pública (Susp) com diretrizes nacionais, além de mecanismos de controle externo e transparência. A proposta enfrenta resistência de governadores e de setores das polícias, que temem perda de autonomia.

A CCJ é a primeira comissão por onde a PEC precisa passar antes de seguir para o plenário da Câmara. Em agosto, a análise foi suspensa após pedido de vista coletivo e divergências entre os parlamentares sobre pontos como a unificação de comandos e a destinação de recursos. O relator, deputado federal, havia apresentado um parecer favorável, mas com alterações que geraram controvérsia.

Lula, ao ser questionado por jornalistas sobre o andamento da proposta, afirmou que o governo está empenhado em aprovar a PEC ainda neste semestre. “A segurança pública é uma prioridade. Vamos retomar o debate na quarta-feira com a CCJ e esperamos avançar”, disse o presidente, sem entrar em detalhes sobre possíveis acordos políticos.

A retomada ocorre em meio a um cenário de aumento da criminalidade em algumas regiões metropolitanas e de pressão de movimentos sociais por políticas mais eficazes. Dados oficiais do Ministério da Justiça indicam que, embora os índices de homicídios tenham caído em nível nacional nos últimos dois anos, crimes patrimoniais e a atuação de facções ainda preocupam.

**Análise**

A decisão de recolocar a PEC da Segurança na pauta da CCJ sinaliza que o governo Lula busca acelerar a tramitação de uma de suas bandeiras na área de segurança, antes que o calendário eleitoral de 2026 domine o Congresso. A proposta é vista como central para unificar políticas estaduais e federais, mas enfrenta um obstáculo clássico: o federalismo brasileiro. Governadores de oposição já manifestaram que não aceitarão ingerência da União sobre as polícias militares e civis, que são subordinadas aos estados.

Especialistas apontam que, sem um amplo acordo federativo, a PEC pode ser desidratada ao longo da tramitação. O relator já sinalizou que deve excluir dispositivos que tratam da unificação de comandos, mantendo apenas mecanismos de cooperação e financiamento. Isso pode enfraquecer o impacto da proposta, mas aumenta as chances de aprovação.

Outro ponto sensível é o financiamento. A PEC prevê a criação de um fundo nacional com recursos da União, mas sem definir valores. Parlamentares da oposição criticam a falta de contrapartidas fiscais e temem que o fundo se torne mais um instrumento de barganha política. O governo, por sua vez, argumenta que o investimento em segurança é urgente e que a PEC não implica aumento de gastos imediato, apenas realocação de verbas.

A retomada na quarta-feira será um teste para a base governista na CCJ, que precisa de maioria simples para aprovar o parecer. Se aprovado, o texto segue para uma comissão especial e depois para o plenário, onde exige três quintos dos votos (308 deputados). O caminho é longo, mas a sinalização de Lula indica que o governo não pretende recuar.

**Fontes**

As informações foram obtidas a partir de declarações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante evento público em Brasília, transmitido pela TV Brasil e reproduzido por veículos como Agência Brasil e G1. Dados sobre a tramitação da PEC foram consultados no site da Câmara dos Deputados e em reportagens do jornal O Globo e da Folha de S.Paulo. Análises de especialistas em segurança pública foram baseadas em artigos publicados pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública e pelo Instituto Sou da Paz.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.