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Política

Lula ataca Flávio Bolsonaro e afirma que experiência do adversário se limita a milicianos

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-09-30

Em evento de campanha, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a criticar o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), classificando-o como ‘sem preparo’ e associando sua trajetória política a vínculos com grupos paramilitares do Rio de Janeiro.

**Lead**

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) intensificou os ataques contra o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) durante um evento de campanha realizado na última terça-feira em São Bernardo do Campo (SP). Lula afirmou que o principal adversário nas eleições presidenciais de 2026 “não tem qualquer experiência administrativa relevante” e que sua única vivência política está “ligada a milicianos e esquemas de corrupção”. A declaração ocorre em meio ao acirramento da disputa pelo Palácio do Planalto, com pesquisas indicando empate técnico entre os dois candidatos.

**Contexto**

Flávio Bolsonaro, filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), é senador pelo Rio de Janeiro desde 2019. Sua carreira política sempre foi marcada por polêmicas judiciais. O nome do parlamentar aparece em investigações que apuram supostas ligações com milícias que controlam territórios na zona oeste do Rio. Em 2020, o Ministério Público do Rio de Janeiro (MP-RJ) denunciou Flávio por peculato, lavagem de dinheiro e organização criminosa no chamado caso “rachadinha”, esquema de desvio de salários de funcionários de seu gabinete na Assembleia Legislativa (Alerj). O ex-assessor Fabrício Queiroz, apontado como operador do esquema, foi preso e solto posteriormente.

A relação de Flávio com milicianos ganhou novos contornos após delações de ex-integrantes da Polícia Militar que apontaram encontros do senador com líderes paramilitares em comunidades controladas por esses grupos. Em 2021, a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Milícia, no âmbito da Câmara dos Vereadores do Rio, ouviu testemunhas que afirmaram que Flávio participou de reuniões para articular apoio político com milicianos. O senador nega todas as acusações e afirma ser vítima de perseguição política.

A fala de Lula nesta semana se insere em um contexto eleitoral onde a polarização entre PT e PL domina o debate. Desde que Flávio Bolsonaro se lançou candidato à Presidência, após a inelegibilidade de Jair Bolsonaro determinada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Lula tem buscado associar o oponente ao que chama de “herança criminosa” da administração anterior. O presidente petista também já criticou as propostas econômicas de Flávio, consideradas ultraliberais, como a privatização de estatais e a redução de direitos trabalhistas.

**Análise**

Ao direcionar o ataque para a experiência de Flávio Bolsonaro com milicianos, Lula tenta desqualificar o adversário em um terreno onde o eleitorado mais sensível à segurança pública — especialmente no Rio de Janeiro — pode sentir repulsa. O termo “milícia” carrega forte carga negativa, associada a chacinas, cobrança de taxas ilegais e domínio territorial armado. Para Lula, vincular Flávio a esse universo reforça a narrativa de que o candidato do PL representa um retrocesso autoritário e violento, em contraste com a imagem de estadista que o presidente busca projetar.

Do ponto de vista estratégico, a declaração também serve para desviar o foco de temas espinhosos para o governo, como a inflação de alimentos e a lentidão na retomada de obras de infraestrutura. Ao pautar a conversa sobre o passado de Flávio, Lula força a campanha adversária a gastar energia se explicando judicialmente, em vez de apresentar propostas para o futuro. Especialistas em comunicação política avaliam que o ataque funciona bem entre eleitores que já rejeitam o bolsonarismo, mas tem efeito limitado sobre os indecisos, que priorizam temas como emprego e renda.

Por outro lado, a agressividade da fala de Lula pode ser lida como um sinal de que a reeleição não está garantida. Pesquisas recentes mostram que Flávio Bolsonaro, embora menos carismático que o pai, conseguiu consolidar o voto conservador e conta com forte base evangélica e ruralista. A tentativa de demonização pode, ainda, gerar um efeito de solidariedade entre os apoiadores de Flávio, que veem o ataque como prova de que o establishment teme sua candidatura.

**Fontes**

- Discurso de Lula em evento do PT em São Bernardo do Campo (30/09/2026), transmitido ao vivo por canais oficiais. - Denúncia do Ministério Público do Rio de Janeiro contra Flávio Bolsonaro (2020), disponível nos autos da ação penal. - Depoimentos da CPI da Milícia na Câmara dos Vereadores do Rio (2021), registrados em atas oficiais. - Sondagens eleitorais realizadas por institutos de pesquisa, com tendência de empate técnico entre Lula e Flávio (setembro de 2026).

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.