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Politica

Lula reúne artistas no Rio, ataca Trump, ouve apelo contra bets e vê aliado ser vaiado

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-09-24

Em evento no Rio de Janeiro, o presidente Lula participou de ato com artistas e intelectuais que misturou críticas ao ex-presidente americano Donald Trump, pedidos de regulação contra casas de apostas e uma vaia constrangedora ao deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ).

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) participou na noite desta quarta-feira, 24 de setembro, de um evento fechado com artistas e intelectuais no Rio de Janeiro, no qual discursou contra o ex-presidente americano Donald Trump, ouviu apelos para endurecer a regulação das bets (casas de apostas online) e assistiu a uma vaia contra o deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ), um de seus aliados históricos.

O ato, intitulado “Cultura e Democracia”, ocorreu no Teatro João Caetano, no centro do Rio, e reuniu nomes como a cantora Daniela Mercury, o ator Wagner Moura e o diretor Fernando Meirelles. O evento teve como pano de fundo a defesa da democracia e a crítica ao que Lula chamou de “avanço da extrema direita no mundo”.

Em seu discurso, Lula fez duras críticas a Donald Trump, chamando-o de “ameaça à paz global” e associando sua candidatura à desestabilização de regimes democráticos. “Trump representa o que há de pior na política internacional: o desprezo pela ciência, o racismo e a violência como método”, disse o presidente, segundo relato de participantes à imprensa presente. A fala ocorre em um momento em que Trump lidera as pesquisas de intenção de voto para a eleição presidencial americana de 2026, com uma plataforma de soberania nacional e protecionismo econômico.

O evento, no entanto, não foi uma linha reta de apoio ao governo. Em um dos momentos mais constrangedores da noite, o deputado Lindbergh Farias (PT-RJ) foi vaiado por parte do público ao subir ao palco. A vaia foi atribuída por fontes no local à insatisfação de artistas com a atuação do parlamentar na regulação das plataformas de streaming e na defesa de um maior controle estatal sobre a produção cultural. Lindbergh, que é um dos articuladores do governo na Câmara, tentou contornar a situação com um aceno, mas o constrangimento foi evidente.

Outro ponto de tensão foi o apelo direto de artistas ao presidente para que o governo federal endureça a regulação das bets (casas de apostas online). O músico e compositor Chico César, em discurso, pediu que Lula “não se curve ao lobby do jogo” e que “proteja as famílias brasileiras da exploração das apostas”. A demanda foi endossada por outros artistas presentes, que veem nas bets uma “praga social” que desvia renda de trabalhadores e alimenta o endividamento das classes mais pobres.

O governo Lula, por meio do Ministério da Fazenda, já sinalizou que pretende regulamentar o setor de apostas online, mas enfrenta forte lobby de empresas do setor, que movimentam bilhões de reais anualmente. Dados oficiais do Banco Central indicam que, em 2025, as transferências de brasileiros para plataformas de apostas somaram R$ 68 bilhões, valor que supera o orçamento de programas sociais como o Bolsa Família em alguns estados.

**Por que isso importa**

O evento expõe as contradições do governo Lula ao tentar equilibrar o discurso de defesa da democracia com a realidade de um país onde o Estado gasta mal, tributa demais e entrega pouco. Enquanto o presidente critica Trump e pede regulação contra bets, o Brasil enfrenta uma crise fiscal que já consome 48% do PIB em gastos públicos, segundo dados do Tesouro Nacional. A pauta cultural, embora relevante, não pode servir de cortina de fumaça para a ineficiência estatal.

A vaia a Lindbergh Farias é um sintoma claro de que a base de apoio do governo está rachada. Artistas e intelectuais, historicamente alinhados ao PT, começam a questionar a falta de resultados concretos em áreas como economia e segurança pública. O governo Lula, que prometeu um “novo pacto social”, parece cada vez mais refém de agendas setoriais e de um discurso que não se traduz em entregas para a população.

**Análise FORTIS**

O ato no Rio é um retrato do que há de errado na política brasileira: um presidente que gasta tempo e recursos públicos para atacar um político estrangeiro (Trump) enquanto seu próprio país enfrenta problemas estruturais que ele mesmo poderia resolver com menos Estado e mais liberdade econômica. A regulação das bets, se mal feita, pode se tornar mais um tributo disfarçado, onerando o cidadão que já paga uma das maiores cargas tributárias do mundo.

A vaia a Lindbergh Farias, por sua vez, mostra que até mesmo a esquerda cultural está cansada de promessas vazias. O Brasil precisa de menos palanque e mais mercado, menos discurso e mais reformas. A soberania nacional que Lula tanto defende em discursos não se constrói com ataques a líderes estrangeiros, mas com um Estado que funcione, que tribute menos e que entregue mais.

**Contraponto**

Defensores do governo argumentam que o evento foi um espaço legítimo de diálogo com a classe artística e que as críticas a Trump são parte de uma defesa da democracia global. A regulação das bets, segundo o Ministério da Fazenda, visa proteger o consumidor e evitar a lavagem de dinheiro. A vaia a Lindbergh, por sua vez, seria um fato isolado, sem maior significado político.

**1. O governo Lula realmente tem poder para regular as bets de forma eficiente?** Sim, o governo pode regulamentar o setor via medida provisória ou projeto de lei. No entanto, a eficiência da regulação depende de capacidade de fiscalização, algo que o Estado brasileiro historicamente não demonstra ter. Sem reformas estruturais, a regulação tende a ser mais um custo burocrático do que uma solução.

**2. A vaia a Lindbergh Farias indica que a base de apoio de Lula está se fragmentando?** Sim. A vaia é um sinal de que setores da esquerda cultural estão insatisfeitos com a falta de entregas do governo. A aliança entre PT e artistas, que sempre foi forte, começa a apresentar rachaduras à medida que a economia não melhora e a pauta cultural perde espaço para crises fiscais e de segurança pública.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.