FORTIS
← FORTIS
Politica

Desespero eleitoral: Lula apela a fã-clubes de artistas e infla entrevistas na reta final

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-09-21

A três semanas do primeiro turno, o petista intensifica a busca por eleitores cativos, recorrendo a redes de fãs de celebridades e a uma enxurrada de entrevistas a veículos simpáticos. A estratégia, típica de quem teme a rejeição, expõe o esvaziamento do discurso de palanque.

A reta final da campanha presidencial de 2026 trouxe à tona o desespero calculado do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Sem conseguir ampliar o eleitorado para além do seu núcleo histórico, a campanha petista passou a cortejar sistematicamente fã-clubes de artistas e influenciadores, na esperança de converter engajamento digital em votos. A informação foi confirmada por coordenadores de campanha em contato com a imprensa, que admitiram a meta de mobilizar as chamadas 'bases de fãs' para replicar conteúdo e organizar atos virtuais.

A tática não é nova, mas ganhou contornos de desespero. Em 2022, a aproximação com o mundo das celebridades foi útil para criar a narrativa de que a polarização contra Jair Bolsonaro (PL) justificava alianças improváveis. Agora, sem esse catalisador, o petista apela para o que resta: o eleitorado fiel, aquele que o vê como salvador da pátria, mesmo diante das evidências de incompetência gerencial. A mudança de tom é clara: em vez de propor novas ideias, a campanha foca em reativar o afeto de nichos específicos, como comunidades de fãs de artistas como Ivete Sangrado, Anitta e Caetano Veloso, que já se manifestaram publicamente em seu favor.

A ofensiva inclui um aumento significativo no número de entrevistas a veículos de comunicação considerados simpáticos à causa petista. Na última semana, Lula concedeu conversas a rádios do Nordeste, podcasts de esquerda e até um canal de YouTube ligado a movimentos sociais. Em publicação nas redes sociais, a equipe de comunicação comemorou a 'interação recorde' com o público. No entanto, o que se viu foi um discurso repetitivo, com promessas vagas de geração de emprego e críticas vazias à 'elite econômica', que já não convencem nem os mais fiéis.

Por que isso importa? Porque a estratégia de Lula revela uma realidade desconfortável para o PT: o candidato não consegue crescer entre os indecisos. Pesquisas internas citadas pela própria campanha em reuniões com a imprensa indicam que o eleitor médio, aquele que decide o segundo turno, está mais preocupado com a inflação dos alimentos e com a insegurança jurídica do que com a 'defesa da democracia' ou a 'ameaça fascista'. Ao mirar bolhas, o petista abandona o eleitor racional e aposta na emoção, uma aposta de alto risco que pode se voltar contra ele.

Para a FORTIS NEWS, a ofensiva petista é um reconhecimento tácito do fracasso de sua própria gestão. Afinal, se Lula tivesse entregado o que prometeu em 2022 — crescimento sustentável, juros baixos e segurança —, não precisaria implorar o apoio de fãs de artistas. O mercado, como sempre, reage com cautela: o dólar segue volátil e o Ibovespa opera sem direção, refletindo a incerteza sobre o futuro fiscal. A tentativa de controlar a narrativa por meio de veículos alinhados é um atestado de fraqueza, não de força. Em vez de estimular o debate de ideias, o petista prefere o atalho do entretenimento para mascarar a falta de propostas.

É preciso dar o contraponto: há quem argumente que a estratégia é legítima em uma democracia. Artistas têm direito de se manifestar, e fã-clubes podem ser vistos como movimentos de base espontâneos. No entanto, a diferença entre uma mobilização genuína e uma operação orquestrada está nos detalhes. Em declaração à imprensa, o cientista político Carlos Melo, do Insper, destacou que 'a utilização de influenciadores é comum em campanhas modernas, mas quando é a principal plataforma, indica que o candidato não tem o que mostrar'. Melo tem razão: Lula não apresenta planos concretos para a economia, não explica como vai equilibrar as contas públicas e evita falar sobre a reforma tributária que ele mesmo chamou de 'imprestável'.

Outro ponto que merece atenção é o uso de dados. A campanha contratou empresas especializadas em microssegmentação para identificar os perfis de fãs de determinados artistas e direcionar anúncios pagos. Relatórios do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) mostram um aumento de 150% nos impulsionamentos de conteúdo nas últimas duas semanas, com foco em mulheres e jovens, justamente o público-alvo das redes de fãs. Em publicação nas redes sociais, o deputado federal Kim Kataguiri (União-SP) ironizou: 'Lula agora é influencer. Mas cadê as propostas? Cadê o plano de governo? Está tudo no gogó'. A crítica de Kataguiri, embora ácida, é pertinente.

A verdade é que a campanha petista está no piloto automático. Sem Lula nos palanques tradicionais em plena forma — o candidato tem reduzido a agenda por orientação médica —, a estratégia é terceirizar a mensagem para os artistas. Mas a falta de um discurso coeso é evidente. Enquanto isso, o eleitor que busca informação de qualidade fica órfão, obrigado a navegar por um mar de notícias enviesadas e cortes de falas fora de contexto.

No fim, o que se desenha é uma eleição definida nos detalhes. O eleitor que ainda está indeciso precisa perguntar: se Lula depende de fãs de artistas para se eleger, o que fará no dia seguinte à posse? A resposta, infelizmente, é conhecida. Mais do mesmo.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.