A mais recente coluna da jornalista Dora Kramer, publicada na edição desta sexta-feira no jornal O Globo, expõe um fenômeno que muitos preferem ignorar: o governo Lula transformou o antagonismo político em moeda corrente, e agora se vê refém da própria estratégia. Não se trata de opinião leviana, mas de leitura cirúrgica de um cenário em que o Planalto colhe exatamente o que plantou nas redes, nos palanques e nos discursos oficiais.
A colunista lembra que, desde a campanha de 2022, a estratégia petista foi a de transformar o adversário em inimigo existencial da democracia. O que era para ser tática eleitoral virou prática permanente de governo. O resultado é um ambiente institucional envenenado, onde qualquer discordância é tratada como golpe e qualquer crítica técnica vira agressão pessoal.
Não é difícil encontrar exemplos recentes. Em publicação nas redes sociais, o presidente Lula já chamou o mercado financeiro de 'especuladores insensíveis' e comparou críticos a 'urubus da desgraça'. Em declaração à imprensa durante evento no Nordeste, o ministro da Casa Civil, Rui Costa, classificou parlamentares de oposição como 'tropas de choque do atraso'. Nada disso é novidade, mas a novidade é o incômodo quando a tática volta contra o próprio governo.
Agora, o Planalto reclama da radicalização crescente, como se não tivesse contribuído para ela. O próprio Lula, em entrevista à Rádio CBN na última semana, disse que 'nunca viu tamanho ódio político neste país'. A ironia é digna de nota: o mesmo político que liderou a polarização mais acirrada da história recente, com a eleição de 2022, agora se espanta com o que ajudou a criar. Em vez de assumir o papel de estadista, prefere o vitimismo.
Por que isso importa? Porque a estabilidade de uma nação não se constrói com base em antagonismos permanentes. O livre mercado, que o FORTIS NEWS defende, depende de previsibilidade e de instituições fortes, não de guerras retóricas. Quando o chefe do Executivo incentiva a divisão, ele não apenas prejudica o ambiente de negócios, mas também corrói a confiança da população nas instituições democráticas.
A análise de Dora Kramer vai além do diagnóstico. Ela sugere que o governo Lula, ao invés de moderar o discurso, optou por 'beber da própria poção mágica do ódio' que ajudou a preparar. A diferença é que, no passado, o petismo usava o antagonismo para chegar ao poder; agora, usa para manter um eleitorado radicalizado, mas sem oferecer resultados concretos. A conta chega em forma de inflação de alimentos, juros altos e desemprego estrutural.
Não se trata de defender a oposição, que muitas vezes também se aproveita do clima belicoso para surfar nas pesquisas. Mas o fato é que, quando o presidente da República age como cabo eleitoral, o país perde. A coluna de Kramer é um alerta para os liberais e conservadores que acreditam que a política pode ser mais do que um front de batalha.
O contraponto, é claro, existe. Há quem argumente que a polarização é o preço da participação política intensa, e que a democracia brasileira sempre foi atravessada por tensões. De fato, a história recente mostra que os governos petistas e tucanos nunca foram exemplos de cordialidade. No entanto, a diferença é que, sob Lula, o incentivo ao antagonismo deixou de ser exceção para virar regra, com o aparato estatal a reboque.
Para o liberalismo, a lição é clara: instituições fortes não sobrevivem a governos que preferem a divisão ao diálogo. O mercado, que o governo tanto critica, responde com aversão ao risco e fuga de capitais. Os números não mentem: o real desvalorizou mais de 15% no primeiro semestre de 2026, e a Bolsa acumula queda de 8%, segundo dados do Banco Central.
Ao final, a provocação de Dora Kramer permanece no ar: até quando o Brasil será refém de um projeto de poder que se alimenta do caos? O tempo dirá, mas uma coisa é certa: enquanto o Planalto insistir em usar o veneno da discórdia, não há remédio que cure a crise de confiança. O liberalismo, por sua vez, oferece a alternativa: menos antagonismo e mais liberdade.
Fica o alerta para os leitores do FORTIS NEWS: a liberdade de expressão não pode ser confundida com liberdade de agressão. O discurso de ódio, vindo de qualquer lado, é o maior inimigo do livre mercado, pois afugenta o capital e a inovação. Que os próximos capítulos da crônica política não sejam escritos com o sangue da irracionalidade.
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**1. Qual é a principal crítica de Dora Kramer ao governo Lula?** Ela critica a estratégia de incentivo ao antagonismo político, que transforma adversários em inimigos, e aponta que o governo agora sofre com a radicalização que ajudou a criar, prejudicando o ambiente institucional e econômico.
**2. Como o incentivo ao antagonismo afeta o livre mercado na visão liberal?** O antagonismo gera instabilidade e aversão ao risco, afugentando investimentos e corroendo a confiança nas instituições, o que impacta diretamente o crescimento econômico e a liberdade individual.
Por Renan Filho · 2026-09-22