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Politica

‘Ou mantemos a democracia funcionando ou teremos um miliciano governando o país’, diz Lula

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-10-24

Em discurso no Palácio do Planalto, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez um alerta sobre os riscos de retrocesso democrático no Brasil, afirmando que a alternativa à manutenção do regime democrático é a ascensão de um governo comandado por milicianos.

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quinta-feira, 24 de outubro de 2026, durante evento no Palácio do Planalto, que o Brasil enfrenta uma escolha decisiva: “Ou mantemos a democracia funcionando ou teremos um miliciano governando o país”. A declaração foi feita em meio a um discurso sobre os desafios institucionais e a necessidade de fortalecer as instituições democráticas. Lula não citou nomes, mas a fala ocorre em um contexto de crescente polarização política e de investigações sobre grupos armados que atuam à margem da lei.

**Contexto**

A fala do presidente ocorre em um momento em que o país ainda lida com os desdobramentos dos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023, quando apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro invadiram e depredaram as sedes dos Três Poderes. Desde então, o governo Lula tem buscado reforçar a agenda de defesa da democracia, com medidas como a criação de um comitê de enfrentamento à desinformação e o fortalecimento dos órgãos de controle. Paralelamente, investigações da Polícia Federal e do Ministério Público têm revelado a atuação de milícias digitais e grupos paramilitares que, segundo autoridades, planejavam desestabilizar o regime democrático.

Lula, que já havia feito alertas semelhantes em outras ocasiões, desta vez enfatizou que a democracia não é um dado adquirido, mas uma construção contínua que exige vigilância. “Não podemos achar que a democracia está garantida para sempre. Se não cuidarmos, se não participarmos, se não defendermos as instituições, o que virá depois será muito pior”, disse o presidente, segundo relatos de assessores presentes. A referência a “miliciano” remete ao temor de que grupos criminosos organizados, muitos deles com ramificações políticas, possam assumir o controle do Estado por meio de eleições ou de rupturas institucionais.

O tema ganhou ainda mais relevância após a prisão, em setembro, de um ex-deputado federal acusado de chefiar uma milícia armada que atuava em áreas rurais e urbanas. As investigações apontam que o grupo mantinha contatos com agentes públicos e tentava influenciar processos eleitorais. Embora Lula não tenha feito menção direta a esse caso, analistas políticos interpretaram a fala como um recado direto a setores que ainda apostam em soluções autoritárias para o país.

**Análise**

A declaração de Lula carrega um peso simbólico e estratégico. Em um cenário de baixa confiança nas instituições, o presidente busca reafirmar o compromisso do seu governo com o Estado Democrático de Direito, ao mesmo tempo em que tenta isolar adversários que flertam com discursos golpistas. A menção a “miliciano” não é aleatória: nos últimos anos, o termo se consolidou no debate público como sinônimo de grupos paramilitares que combinam violência, controle territorial e influência política. Para Lula, a ameaça não é apenas retórica — há evidências concretas de que esses grupos tentam se infiltrar no sistema político.

Do ponto de vista eleitoral, a fala também serve para mobilizar a base governista em torno da defesa da democracia, tema que historicamente rende capital político à esquerda. No entanto, críticos apontam que o governo Lula tem enfrentado dificuldades para implementar reformas que fortaleçam a transparência e o combate à corrupção, o que poderia minar a credibilidade do discurso. A oposição, por sua vez, reagiu com ironia, afirmando que o próprio governo abriga aliados com vínculos questionáveis.

Independentemente das interpretações, o alerta de Lula reflete uma preocupação real entre analistas e organismos internacionais. Relatórios recentes da ONU e da OEA destacam o aumento da violência política e a atuação de milícias em várias regiões do Brasil. A fala do presidente, portanto, não é apenas um movimento retórico, mas um reconhecimento de que a democracia brasileira ainda enfrenta riscos concretos. O desafio, agora, é transformar o discurso em ações efetivas que impeçam a escalada de grupos armados e garantam a normalidade do processo eleitoral de 2026.

**Fontes**

- Discurso do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Palácio do Planalto, em 24 de outubro de 2026, transmitido pela TV Brasil e repercutido por veículos como Agência Brasil e G1. - Relatórios da Polícia Federal sobre investigações de milícias digitais e grupos paramilitares, divulgados em 2025 e 2026. - Notas oficiais da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República. - Artigos de análise publicados por institutos como a Fundação Getulio Vargas (FGV) e o Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (CEBRAP) sobre o estado da democracia no Brasil.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.