Pesquisa Quaest encomendada pela TV Cabo Branco e divulgada nesta terça-feira (22 de setembro de 2026) aponta que o vice-governador Lucas Ribeiro (Republicanos) segue na liderança isolada na disputa pelo Governo da Paraíba. O levantamento, registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o protocolo PB-00001/2026, ouviu 1.200 eleitores presencialmente entre os dias 18 e 20 de setembro, com margem de erro de três pontos percentuais para mais ou para menos.
Os números confirmam a tendência observada em sondagens anteriores: Lucas Ribeiro, ungido pelo atual governador João Azevêdo (PSB) — que não pode concorrer à reeleição por já estar no segundo mandato consecutivo —, capitaliza a popularidade do antecessor e o peso da estrutura governista. Nas simulações de primeiro turno, o candidato do Republicanos aparece com vantagem confortável sobre os adversários, embora o instituto não tenha divulgado os percentuais exatos de cada cenário na versão preliminar dos dados.
A pesquisa ainda testou nomes da oposição, como o deputado federal Wellington Roberto (PL) e o ex-prefeito de Campina Grande, Bruno Cunha Lima (PSD), que aparecem numericamente atrás. O cenário sugere que, a menos que haja uma reviravolta ou uma unificação das forças de centro-direita, a sucessão estadual pode ser definida ainda no primeiro turno.
Por que isso importa A liderança de Lucas Ribeiro não é apenas um termômetro eleitoral: ela expõe a força do chamado “continuísmo” na política paraibana. O modelo tem vantagens evidentes — previsibilidade administrativa, manutenção de programas sociais e obras em andamento —, mas também carrega o risco de perpetuar práticas de gestão que o FORTIS NEWS tem criticado de forma consistente: inchaço da máquina pública, baixa eficiência dos gastos e elevada carga tributária que sufoca o empreendedorismo local.
A Paraíba, assim como a maioria dos estados nordestinos, depende fortemente de transferências federais e de uma estrutura de arrecadação que penaliza o setor produtivo. O ICMS paraibano, por exemplo, está entre os mais altos do Nordeste em itens como combustíveis e energia elétrica. Um eventual governo Lucas Ribeiro terá o desafio de conciliar a herança de obras e programas sociais com a necessidade urgente de reformas estruturais que desonerem o cidadão e estimulem a iniciativa privada.
Análise FORTIS A pesquisa Quaest não deixa dúvidas: Lucas Ribeiro é o franco favorito. O dado, porém, deve ser lido com lupa. O que sustenta essa vantagem? Em boa medida, a aprovação de João Azevêdo, que oscila entre 60% e 70% segundo levantamentos anteriores. Mas também pesa a fragilidade da oposição, que até o momento não conseguiu apresentar uma alternativa clara de ruptura com o modelo vigente.
Do ponto de vista liberal-conservador, a reeleição de um projeto político que já dura oito anos — e que pode chegar a doze — acende o sinal amarelo. O estado mínimo que defendemos não é sinônimo de abandono, mas de gestão eficiente, com menos impostos e mais liberdade econômica. A Paraíba precisa de um choque de desburocratização, de reforma administrativa e de abertura comercial. Até agora, o discurso de Lucas Ribeiro tem sido de continuidade, sem propostas concretas de redução do tamanho do Estado.
Contraponto É justo registrar que a oposição também não apresenta, até o momento, um plano crível de transformação. O deputado Wellington Roberto, por exemplo, tem bandeiras conservadoras nos costumes, mas seu partido, o PL, abriga alas que defendem aumento de gastos públicos e subsídios setoriais. Já Bruno Cunha Lima, embora tenha experiência em gestão municipal, ainda não detalhou como pretende reduzir a carga tributária estadual sem comprometer receitas.
O eleitor paraibano, portanto, se vê entre a segurança da continuidade e o risco de mais do mesmo. A pesquisa mostra que, por ora, a segurança vence. Mas, como o próprio instituto alerta, a margem de erro e o tempo até outubro permitem oscilações. Se a oposição conseguir unificar-se em torno de um nome e apresentar propostas claras de Estado enxuto e livre mercado, a disputa pode se acirrar.
Por Renan Filho · 2026-09-22