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Lobista amiga de Lulinha pagou integrantes de ministério que fechou secretário do governo Lula, diz PF

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-09-23

A Polícia Federal identificou repasses financeiros de uma lobista ligada ao filho do ex-presidente Lula para servidores do ministério que atuou no fechamento de um secretário do atual governo. O caso expõe a promiscuidade entre poder político e interesses privados que o contribuinte brasileiro é obrigado a custear.

A Polícia Federal (PF) encontrou indícios de que uma lobista próxima de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, realizou pagamentos a integrantes de um ministério que participou da decisão de exonerar um secretário do governo Lula. A informação consta em relatório da Operação Contragolpe, que investiga a atuação de uma rede de influência dentro do Palácio do Planalto e em pastas estratégicas.

Segundo os investigadores, os repasses ocorreram entre 2023 e 2024, período em que a lobista mantinha contrato com empresas interessadas em medidas provisórias e decretos de impacto bilionário. Os valores, que somam mais de R$ 2 milhões, foram transferidos para contas de servidores comissionados que atuavam na Secretaria-Executiva do ministério em questão.

O ministério em questão é o da Fazenda, comandado por Fernando Haddad. Foi exatamente a equipe econômica que, em setembro de 2025, recomendou a demissão do então secretário de Reformas Econômicas, Marcos Barbosa Pinto, após ele defender a redução de subsídios e a abertura comercial — pautas consideradas antipáticas ao núcleo político do governo.

A lobista, identificada como Renata de Paula Santos, é amiga de infância de Lulinha e já apareceu em fotos ao lado do filho do presidente em eventos sociais. Ela não possui cargo público, mas mantinha trânsito livre em gabinetes de ministros e no próprio Palácio do Planalto, segundo registros de entrada obtidos pela PF.

Em depoimento, um dos servidores que recebeu os pagamentos afirmou que os valores eram "consultorias legítimas" e que não havia relação com decisões administrativas. No entanto, a PF aponta que os pagamentos coincidem com datas de reuniões internas sobre a reforma tributária e com a elaboração de pareceres sobre a MP que tratava da reoneração da folha de pagamento.

O caso ganha relevância porque o governo Lula sempre se apresentou como paladino do combate à corrupção, mas agora vê seus próprios quadros envolvidos em suspeitas de tráfico de influência. A relação direta com Lulinha, que já foi alvo de investigações sobre repasses de empresas investigadas na Lava Jato, reforça a percepção de que o modus operandi não mudou.

A oposição já articula a criação de uma CPI para investigar o caso. O deputado federal Carlos Jordy (PL-RJ) classificou o episódio como "mais um capítulo do aparelhamento do Estado" e afirmou que "o PT trata o dinheiro público como um fundo partidário particular". Em contrapartida, o governo alega que a demissão do secretário foi "técnica" e que não há qualquer relação com os pagamentos.

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, negou envolvimento e disse que "a pasta é séria e não compactua com desvios". No entanto, a PF já solicitou a quebra de sigilo bancário de pelo menos quatro servidores, incluindo dois assessores diretos do secretário-executivo do ministério, Dario Durigan.

O caso expõe a contradição central do lulismo: o discurso de defesa da democracia e da ética convive com a prática de nomear aliados em postos-chave e de tolerar a atuação de lobistas com acesso privilegiado. Enquanto isso, o contribuinte segue pagando a conta de um Estado que tributa mais de 40% do PIB e entrega serviços de péssima qualidade.

A Operação Contragolpe, que deu origem às investigações, foi aberta em novembro de 2025 após uma denúncia anônima apontar a existência de um esquema de venda de decisões dentro do governo. A PF já identificou pelo menos 12 contratos suspeitos entre a lobista e empresas de setores como agronegócio, energia e varejo.

A defesa de Renata de Paula Santos afirmou, em nota, que "todos os pagamentos foram feitos mediante contrato de prestação de serviços e com emissão de notas fiscais" e que "não há qualquer ilegalidade". A defesa de Lulinha não comentou o caso, mas já havia negado anteriormente qualquer relação com tráfico de influência.

O caso deve ganhar novos capítulos nos próximos dias, com a autorização do STF para a abertura de inquérito contra os servidores envolvidos. A decisão do ministro Alexandre de Moraes, que é relator do caso, foi tomada na última segunda-feira, mas ainda não foi divulgada oficialmente.

O FORTIS NEWS entende que a notícia é grave, mas não surpreendente. O Brasil vive um ciclo vicioso em que a política se tornou um balcão de negócios, e o cidadão comum, um espectador passivo. A diferença é que, agora, o dedo aponta para dentro do próprio governo que se elegeu prometendo uma nova forma de fazer política.

A pergunta que fica é: quantos outros casos como este estão escondidos sob o tapete da gestão Lula? Enquanto o governo se preocupa em aprovar pautas de costumes e aumentar a carga tributária, o país segue refém de um sistema que premia a esperteza e pune a competência.

O FORTIS NEWS seguirá acompanhando o caso e cobrará a apuração completa dos fatos, independentemente do lado político envolvido. A verdade factual é o nosso único compromisso.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.