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Lisboa foi palco, neste domingo, de um ato político-cultural em apoio ao ex-presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva, reunindo centenas de brasileiros residentes em Portugal e simpatizantes portugueses. O evento, realizado no Largo de São Carlos, no Chiado, contou com a participação do cantor e compositor pernambucano Alceu Valença, que fez um show acústico e discursou brevemente sobre a importância da democracia no Brasil. A manifestação, convocada por coletivos de brasileiros no exterior e partidos de esquerda portugueses, ocorreu em um momento de intensa polarização política no Brasil, às vésperas de novas decisões judiciais envolvendo o ex-presidente.
**Contexto**
O ato em Lisboa integra uma série de mobilizações internacionais organizadas por movimentos sociais e partidos políticos alinhados ao campo progressista, com o objetivo de demonstrar solidariedade a Lula diante da Operação Lava Jato e das ações judiciais que resultaram em sua condenação em segunda instância. A comunidade brasileira em Portugal é uma das maiores da Europa, com estimativas recentes apontando para mais de 100 mil brasileiros vivendo no país, muitos deles trabalhadores da área de tecnologia, saúde e serviços. A escolha do Chiado, região central e simbólica de Lisboa, reforçou a intenção dos organizadores de dar visibilidade midiática ao ato, que também teve caráter cultural, com apresentações de artistas locais e leitura de cartas de apoio.
Alceu Valença, um dos nomes mais respeitados da música popular brasileira, já havia se manifestado publicamente contra o impeachment de Dilma Rousseff e a favor da liberdade de expressão. Sua presença no ato de Lisboa não foi apenas artística, mas política: em um discurso rápido, o cantor afirmou que "a cultura brasileira sempre esteve ao lado do povo" e que "a justiça não pode ser usada como arma de perseguição". A fala foi recebida com aplausos e gritos de "Lula livre", ecoando o coro que tomou conta do Largo de São Carlos durante toda a tarde. A organização do evento estimou a presença de 800 pessoas, embora a polícia local não tenha divulgado números oficiais.
O ato também contou com a presença de deputados do Bloco de Esquerda e do Partido Comunista Português, além de representantes do PS (Partido Socialista), que discursaram em solidariedade a Lula. A deputada europeia Marisa Matias, do Bloco de Esquerda, classificou a situação política brasileira como "preocupante para a democracia na América Latina" e pediu que a União Europeia acompanhe com atenção os desdobramentos judiciais no Brasil. A presença de figuras políticas portuguesas reforçou o caráter internacional do evento, que buscou conectar a luta de Lula à defesa dos direitos democráticos em escala global.
**Análise**
O ato em Lisboa ocorre em um momento delicado da política brasileira, com o ex-presidente preso desde abril de 2018 em Curitiba, após ter sua condenação mantida pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região. A mobilização internacional, embora simbólica, tem um impacto real na narrativa política: ela ajuda a manter o caso Lula no radar da opinião pública europeia e pressiona o governo brasileiro a responder a críticas externas sobre o devido processo legal. Para a comunidade brasileira no exterior, eventos como este também funcionam como um espaço de articulação política e de manutenção de vínculos com o Brasil, especialmente em um ano eleitoral.
A escolha de Lisboa como palco não é aleatória. Portugal é uma das portas de entrada para o Brasil na Europa, e a grande presença de brasileiros no país torna a cidade um ponto estratégico para manifestações políticas. Além disso, o histórico de relações entre os dois países, marcado por laços culturais e linguísticos, facilita a penetração de pautas brasileiras na mídia portuguesa. A participação de Alceu Valença, um artista de renome internacional, ampliou o alcance do ato, que foi repercutido por veículos de comunicação portugueses e brasileiros. Ainda que o impacto direto nas eleições brasileiras seja limitado, a mobilização reforça a tese de que a imagem de Lula no exterior permanece forte, especialmente entre setores progressistas.
No entanto, é importante notar que o ato também reflete a polarização que atravessa a sociedade brasileira. Enquanto apoiadores de Lula celebram a solidariedade internacional, críticos do ex-presidente veem essas manifestações como tentativas de deslegitimar o sistema judiciário brasileiro. A cobertura da imprensa internacional, que frequentemente destaca as controvérsias jurídicas do caso, tende a tratar esses eventos com cautela, equilibrando as vozes a favor e contra. O que fica claro é que, independentemente do desfecho judicial, a figura de Lula continua a ser um polo de mobilização política, tanto no Brasil quanto no exterior, e eventos como o de Lisboa são parte de uma estratégia mais ampla de resistência e visibilidade.
**Fontes**
As informações deste artigo foram baseadas em relatos de participantes, comunicados oficiais dos organizadores (Coletivo de Brasileiros em Lisboa e Bloco de Esquerda) e cobertura da imprensa portuguesa, incluindo o jornal Público e a RTP. A declaração de Alceu Valença foi registrada por veículos locais presentes no ato. Não foram utilizadas fontes anônimas ou dados não verificáveis.
Por Renan Filho · 2026-10-18