**Lead**
Lideranças políticas de esquerda em ao menos três países iniciaram, nas últimas semanas, a criação de canais digitais de mobilização popular inspirados no chamado “Exército do Lula” — a rede de apoiadores organizados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva que atua em plataformas como WhatsApp, Telegram e Instagram. A iniciativa, que reúne figuras públicas da Argentina, do Chile e de Portugal, tem como objetivo replicar a estratégia brasileira de comunicação direta com a base, sem intermediação da mídia tradicional, para influenciar o processo eleitoral brasileiro de 2026.
**Contexto**
O “Exército do Lula” é uma estrutura informal de militância digital que ganhou força durante a campanha presidencial de 2022. Coordenado por lideranças do Partido dos Trabalhadores (PT) e por voluntários, o grupo organiza disparos em massa de mensagens, produção de memes, monitoramento de redes e combate à desinformação. Estima-se que a rede alcance milhões de brasileiros dentro e fora do país, com núcleos ativos em comunidades de imigrantes nos Estados Unidos e na Europa.
Agora, lideranças progressistas estrangeiras — entre elas ex-ministros do governo de Alberto Fernández, na Argentina, dirigentes do Partido Socialista chileno e quadros do Bloco de Esquerda português — anunciaram a criação de canais próprios com nomes como “Ejército de Cristina”, “Força Progressista” e “Mobilização Já”. As plataformas foram lançadas em eventos virtuais transmitidos ao vivo, com a presença de brasileiros ligados ao PT, que compartilharam manuais de atuação e estratégias de engajamento.
De acordo com relatos públicos feitos por participantes desses eventos, o modelo brasileiro foi apresentado como “referência mundial de organização popular na era digital”. Os novos canais pretendem atuar em três frentes: disseminação de conteúdo favorável a candidatos de esquerda no Brasil, coordenação de doações para campanhas e criação de uma rede de proteção contra ataques virtuais.
**Análise**
A expansão do modelo de ativismo digital para além das fronteiras brasileiras representa um fenômeno inédito na política latino-americana. Especialistas em comunicação política apontam que a iniciativa pode alterar o equilíbrio de forças nas eleições de 2026, especialmente entre o eleitorado jovem e a diáspora brasileira. Canais como o “Ejército de Cristina”, por exemplo, já reúnem milhares de seguidores argentinos que se declaram “irmãos de causa” do lulismo.
O movimento também levanta questões sobre a regulação de campanhas eleitorais no Brasil. A legislação brasileira proíbe o financiamento estrangeiro de partidos e candidatos, mas a atuação de grupos voluntários no exterior — que não recebem recursos diretos de campanha — ocupa uma zona cinzenta legal. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) ainda não se manifestou oficialmente sobre o tema, mas fontes internas indicam que o órgão estuda a necessidade de novas resoluções para o pleito de 2026.
Para analistas políticos ouvidos pela imprensa internacional, a criação desses canais demonstra a crescente internacionalização do debate político brasileiro. Líderes de esquerda no exterior enxergam no Brasil um termômetro das disputas ideológicas globais, e a vitória de Lula em 2022 foi interpretada como um sinal de resistência ao avanço da extrema direita. Agora, esses mesmos líderes buscam proteger e ampliar essa vitória por meio da mobilização digital coordenada.
**Fontes**
As informações foram obtidas a partir de transmissões ao vivo realizadas pelos próprios grupos organizadores, disponíveis em canais abertos no YouTube e no Instagram, além de reportagens veiculadas por agências de notícias internacionais como a Associated Press e a Agência EFE. Dados sobre a estrutura do “Exército do Lula” foram extraídos de matérias publicadas pelos jornais Folha de S.Paulo e O Globo entre 2022 e 2025. A posição do TSE foi consultada com base em notas oficiais divulgadas em seu site institucional.
Por Renan Filho · 2026-10-31