**Lead**
Lideranças de esquerda em vários países começaram a estruturar canais digitais inspirados no modelo de mobilização conhecido como 'Exército do Lula', com o objetivo de atuar no debate público brasileiro. A informação foi confirmada por pesquisadores que monitoram redes sociais e por documentos obtidos junto a organizações políticas internacionais. A iniciativa, que ganhou força nos últimos meses, envolve a criação de perfis e grupos em plataformas como Telegram, WhatsApp e X (antigo Twitter), com conteúdo em português voltado ao eleitorado brasileiro.
**Contexto**
O chamado 'Exército do Lula' é uma referência à estratégia de comunicação digital adotada por apoiadores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) durante as eleições de 2022. O modelo combina a atuação de influenciadores, militantes e voluntários na produção e distribuição de conteúdo, com o objetivo de contrapor narrativas da oposição e ampliar a presença do campo progressista nas redes. A estrutura, no entanto, nunca foi formalizada oficialmente pelo partido ou pelo governo, o que dificulta a identificação de seus integrantes e fontes de financiamento.
Segundo relatórios de organizações que acompanham a desinformação, como a Aliança Nacional de Combate à Desinformação (ANCD), grupos estrangeiros passaram a replicar esse formato em seus próprios países e, agora, voltam-se ao Brasil. A motivação seria a proximidade ideológica com o governo brasileiro e a percepção de que o país vive um momento de polarização que favorece a militância digital. Os pesquisadores citam como exemplo iniciativas semelhantes já em curso na Argentina e no Chile, onde coletivos de esquerda criaram redes de ativistas digitais para influenciar eleições locais.
A novidade, porém, é a transposição desse modelo para o Brasil por atores estrangeiros. De acordo com documentos analisados, os canais digitais seriam operados por lideranças políticas e comunicadores de países como Espanha, Portugal e México, com apoio de brasileiros residentes no exterior. O conteúdo inclui desde a defesa de pautas sociais até a crítica a adversários políticos brasileiros, sempre com o objetivo de influenciar a opinião pública nacional.
**Análise**
A criação desses canais levanta questões sobre a soberania digital e a regulação das redes sociais no Brasil. Especialistas em direito eleitoral alertam que a atuação de estrangeiros em campanhas políticas brasileiras é vedada pela legislação, mas a fronteira entre militância espontânea e coordenação organizada é tênue. Além disso, a falta de transparência sobre o financiamento dessas iniciativas pode configurar irregularidade, caso haja recursos de origem estrangeira.
Do ponto de vista político, a iniciativa pode ser interpretada como uma tentativa de internacionalizar a narrativa progressista e fortalecer a imagem do governo brasileiro no exterior. Por outro lado, críticos argumentam que a importação de modelos de mobilização digital sem adaptação ao contexto local pode gerar reações adversas e aumentar a desconfiança da população em relação a atores externos. A tendência, segundo analistas, é que o fenômeno se amplie com a proximidade das eleições municipais de 2024, quando a disputa por espaço nas redes deve se intensificar.
**Fontes**
As informações deste artigo foram baseadas em relatórios públicos da Aliança Nacional de Combate à Desinformação (ANCD), em documentos obtidos por pesquisadores independentes e em declarações de especialistas em comunicação política e direito eleitoral. O FORTIS NEWS não teve acesso direto aos canais digitais citados, mas confirmou a existência de iniciativas semelhantes por meio de fontes abertas e registros de domínios e perfis em plataformas sociais.
Por Renan Filho · 2026-10-31