**Lead**
Brasília, 17 de outubro de 2026 — A disputa pelo governo do Distrito Federal ganhou um novo contorno econômico nos últimos dias. O professor e sociólogo Leandro Grass oficializou sua pré-candidatura ao cargo, desafiando a atual governadora, Celina Leão, em uma corrida que deve ser decidida no campo do desenvolvimento, do emprego e da renda. Com um discurso voltado para a diversificação da base produtiva do DF e a criação de um ambiente de negócios mais inclusivo, Grass tenta atrair tanto o eleitorado jovem quanto o setor produtivo local, enquanto Celina Leão aposta na continuidade de projetos já em andamento, como a modernização administrativa e os programas de transferência de renda.
**Contexto**
Leandro Grass, que ganhou notoriedade nacional ao assumir a presidência do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), construiu sua trajetória política em torno de pautas culturais e urbanas. No entanto, para a eleição de 2026, o sociólogo decidiu colocar a economia como pilar central de sua plataforma. Sua proposta visa reduzir a dependência do Distrito Federal em relação ao funcionalismo público e ao setor de serviços, que historicamente concentram a maior parte da atividade econômica local. Dados públicos do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e da Companhia de Planejamento do Distrito Federal (Codeplan) indicam que a renda média do trabalhador brasiliense sofreu oscilações nos últimos anos, enquanto a inflação de serviços permanece acima da média nacional, pressionando o custo de vida nas regiões administrativas.
A atual governadora, Celina Leão, assumiu o cargo em 2023 após a renúncia de Ibaneis Rocha, que se tornou réu no Supremo Tribunal Federal por suposta omissão nos atos de 8 de janeiro daquele ano. Desde então, Leão tem focado em um programa de estabilidade fiscal, com ênfase na arrecadação e na manutenção de investimentos em infraestrutura. Apesar disso, seus índices de aprovação oscilam, e a oposição aponta para a estagnação de setores como a construção civil e a indústria criativa, que poderiam ser impulsionados com políticas de incentivo mais agressivas.
**Análise**
A entrada de Leandro Grass na disputa recoloca a economia como tema central do pleito brasiliense, um movimento que pode ter efeitos nacionais. O Distrito Federal, por ser a sede dos Três Poderes, acaba por influenciar o debate econômico do país, especialmente em temas como reforma administrativa, previdência e tributação. A proposta de Grass de criar um plano de desenvolvimento sustentável para o DF, que inclui a atração de empresas de tecnologia e a expansão do turismo de negócios, encontra eco em um cenário em que estados e municípios buscam alternativas de receita diante da reforma tributária aprovada no Congresso Nacional. Especialistas em políticas públicas, no entanto, observam que a implementação dessas medidas exigiria uma articulação delicada com o governo federal, que segue sob a administração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Celina Leão, por outro lado, tenta se apresentar como a candidata da experiência e da governabilidade, defendendo que a continuidade é o melhor caminho para a segurança jurídica dos investidores. Sua gestão tem priorizado o equilíbrio das contas públicas, mas enfrenta críticas pela lentidão na aprovação de projetos de lei que visam modernizar o regime de tributação de empresas locais. A disputa, portanto, transcende a simples escolha de um nome: ela define o rumo econômico de uma das unidades federativas mais ricas do Brasil, com um Produto Interno Bruto (PIB) que supera a casa dos bilhões de reais, mas que ainda sofre com desigualdades regionais internas marcantes.
**Análise**
O embate entre Grass e Leão também será um teste para a capacidade de renovação política em um estado historicamente dominado por grupos tradicionais. A candidatura de um sociólogo, com forte capital cultural e ligações com movimentos sociais, representa uma alternativa ao establishment político do DF. Se ele conseguir converter sua retórica em propostas concretas de geração de emprego e renda, especialmente para as periferias do Distrito Federal, é possível que ocorra uma migração de votos de eleitores que, em 2022, optaram por candidaturas de centro. Para a economia local, a eventual vitória de Grass poderia significar uma guinada em direção a políticas públicas mais participativas, com orçamentos regionais e programas de fomento a pequenos negócios.
Por outro lado, a reeleição de Celina Leão garantiria um segundo mandato de estabilidade institucional, mas também poderia ser interpretada como uma continuidade de um modelo que, segundo economistas críticos, pouco fez para conter o aumento da informalidade e o déficit habitacional. A campanha, que se intensifica a partir de agora, deve colocar em evidência números oficiais sobre emprego, renda e investimento, mas caberá ao eleitor distinguir entre o que é propaganda e o que é resultado verificável. O FORTIS NEWS acompanhará o desenrolar da disputa, sempre pautado nos fatos e nos dados disponíveis.
**Fontes**
Para esta reportagem, foram consultados dados públicos do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), da Companhia de Planejamento do Distrito Federal (Codeplan) e do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). As informações sobre a trajetória de Leandro Grass foram obtidas em registros oficiais de sua atuação como presidente do Iphan. A situação de Celina Leão foi verificada em documentos públicos do Governo do Distrito Federal, incluindo balanços de gestão e comunicados oficiais. Nenhuma informação de caráter confidencial ou não divulgada foi utilizada na elaboração deste texto.
Por Renan Filho · 2026-10-17