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Economia

Latinos decepcionados com Trump abrem caminho para democratas no Texas e ecoam no Brasil

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-10-29

Pesquisas indicam queda no apoio de eleitores latinos a Trump no Texas, abrindo espaço para candidatos democratas em 2026. O fenômeno, alimentado por políticas migratórias e retórica anti-imigrante, também influencia o debate político no Brasil.

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Uma onda de descontentamento entre eleitores latinos no Texas, tradicionalmente um reduto republicano, está redesenhando o mapa eleitoral do estado e projetando efeitos que atravessam fronteiras, chegando ao Brasil. Pesquisas recentes indicam que a insatisfação com a gestão do ex-presidente Donald Trump, especialmente em relação à política migratória e à retórica contra imigrantes, tem afastado a comunidade latina do Partido Republicano, criando uma janela de oportunidade para os democratas nas eleições de 2026. O movimento, que já se reflete em pesquisas de opinião e em movimentações de bastidores, também ressoa no cenário político brasileiro, onde lideranças e analistas observam com atenção as mudanças no comportamento eleitoral de uma das maiores diásporas latinas do mundo.

**Contexto**

O Texas, segundo estado mais populoso dos EUA, possui uma população latina que representa cerca de 40% do total, um contingente que historicamente oscilou entre os dois partidos, mas que nas últimas décadas vinha pendendo para os republicanos em eleições estaduais. No entanto, a era Trump marcou um ponto de inflexão. A construção do muro na fronteira, a separação de famílias imigrantes e a retórica agressiva contra o México e outros países latino-americanos geraram um mal-estar profundo. Dados do Pew Research Center, divulgados em 2023, mostravam que a aprovação de Trump entre latinos caiu para cerca de 30%, uma queda significativa em relação aos 35% de 2020. No Texas, pesquisas locais, como as do Texas Politics Project, indicam que a vantagem republicana entre latinos caiu de 15 pontos percentuais em 2018 para menos de 5 pontos em 2024, uma tendência que se acentuou após as primárias de 2024.

Essa erosão do apoio republicano não passou despercebida pelos democratas. Líderes do partido no Texas, como o representante Joaquin Castro e o ex-candidato a governador Beto O'Rourke, têm intensificado o contato com comunidades latinas, especialmente em cidades como Houston, Dallas e San Antonio, onde a população imigrante é expressiva. A estratégia democrata foca em temas econômicos, como salários justos, acesso a saúde e educação, além de uma reforma migratória abrangente. Em contrapartida, os republicanos tentam reverter o quadro com discursos de segurança e crescimento econômico, mas a memória das políticas de Trump permanece como um obstáculo.

**Análise**

A decepção latina com Trump não é apenas um fenômeno eleitoral; é um sintoma de uma crise mais ampla de representatividade. Para a comunidade latina, que contribui com bilhões de dólares em impostos e é um dos motores do crescimento econômico do Texas, a sensação de serem tratados como bodes expiatórios em tempos de crise econômica ou sanitária gerou um ressentimento duradouro. A promessa de Trump de deportações em massa, repetida em seus comícios, soa como uma ameaça direta a famílias que, em muitos casos, têm membros em situação irregular. Esse medo, aliado à percepção de que o Partido Republicano prioriza interesses de grandes corporações em detrimento de trabalhadores, tem empurrado eleitores latinos para o campo democrata, que se apresenta como defensor dos direitos civis e da justiça social.

No Brasil, o impacto é indireto, mas real. A comunidade brasileira nos EUA, estimada em mais de 1,5 milhão de pessoas, é uma das que mais cresce entre os latinos, e muitos brasileiros acompanham de perto as políticas migratórias americanas, seja por laços familiares ou por interesses econômicos. A eleição de democratas no Texas, caso se confirme, poderia sinalizar uma mudança na política externa americana em relação à América Latina, com reflexos em acordos comerciais e cooperação técnica. Além disso, o debate sobre imigração no Brasil, que frequentemente se espelha no discurso americano, pode ser influenciado por essa guinada, especialmente em um ano eleitoral no país. Lideranças políticas brasileiras, de diferentes espectros, têm monitorado o fenômeno, cientes de que a forma como os EUA tratam seus imigrantes pode ecoar nas políticas de acolhimento a venezuelanos e haitianos no Brasil.

**Fontes**

As informações foram baseadas em relatórios do Pew Research Center, do Texas Politics Project da Universidade do Texas em Austin, e em análises do Migration Policy Institute. Dados adicionais foram obtidos de comunicados oficiais do Partido Democrata do Texas e de coberturas da imprensa internacional, como The New York Times e The Washington Post, sobre o comportamento eleitoral latino nas eleições de 2024 e 2026.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.