**Lead**
O ministro Kassio Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal (STF), cobrou publicamente, nesta segunda-feira, 13 de outubro de 2026, uma postura mais firme do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do deputado federal Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para impedir o avanço de confrontos entre apoiadores durante o segundo turno das eleições presidenciais. A declaração ocorreu durante sessão da Corte em Brasília e acendeu um alerta no meio político, que teme a repetição de episódios de violência como os registrados nos últimos dias em diferentes regiões do país.
**Contexto**
Kassio, que também compõe o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) na condição de substituto, afirmou que o país vive um momento de alta voltagem e que lideranças de todas as cores partidárias deveriam convocar suas bases ao diálogo. O ministro disse ser necessário um compromisso explícito das candidaturas para que o segundo turno ocorra de forma limpa e sem agressões. A fala foi interpretada como uma referência direta à necessidade de influência dos presidentes do Partido dos Trabalhadores (PT) e do Partido Liberal (PL) sobre os respectivos militantes.
O pleito deste ano entrou na etapa final sob clima de polarização extrema. Nas últimas duas semanas, foram registrados episódios de agressões físicas em atos de rua, ataques verbais em redes sociais e até relatos de eleitores hostilizados ao usarem adesivos de candidatos em locais públicos. No domingo, 11 de outubro, um comício no interior de São Paulo terminou com troca de socos entre grupos rivais e precisou ser encerrado pela Polícia Militar. Em Belo Horizonte, uma mulher ficou ferida após ser atingida por um objeto durante uma discussão sobre política em um ponto de ônibus. As imagens circularam rapidamente e ampliaram a pressão por uma resposta das lideranças.
A cobrança de Kassio ocorre em meio a uma sequência de decisões e manifestações de integrantes da cúpula do Judiciário sobre a necessidade de pacificação. No último sábado, o presidente do TSE, ministro Alexandre de Moraes, se reuniu com representantes de partidos para reforçar orientações sobre propaganda eleitoral e uso da máquina pública. O tom da reunião, segundo participantes, foi de tolerância zero com qualquer tipo de violência política ou tentativa de desestabilização do processo eletivo.
**Análise**
A fala de Kassio tem peso simbólico relevante por vir de um ministro indicado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro e que mantém interlocução com setores conservadores. Ao cobrar Flávio Bolsonaro — herdeiro político e presidente do PL —, o ministro sinaliza que o problema não é visto como exclusivo de um lado ou de outro. A análise de juristas ouvidos pela reportagem é de que o recado também serve como um aviso prévio sobre responsabilização: se houver novos confrontos, os partidos podem ser chamados a responder por eventual incentivo ou omissão na contenção de seus apoiadores.
A tensão atual não é fenômeno exclusivamente brasileiro, mas a combinação de eleições presidenciais com alta desconfiança institucional e forte presença das redes sociais cria um cenário particularmente delicado. Pesquisas de opinião qualitativas indicam que uma parcela do eleitorado evita manifestar preferência política por medo de retaliações — um dado que preocupa cientistas políticos e ONGs de direitos humanos, pois pode afetar a normalidade da participação democrática.
Na prática, o apelo direto a Lula e Flávio Bolsonaro coloca os dois no centro da responsabilidade. Lula, como maior liderança do campo progressista e presidente da República, tem influência sobre a militância petista. Flávio, por sua vez, comanda o maior partido de direita do país e é a principal ponte entre o bolsonarismo e as campanhas proporcionais. O papel de ambos, portanto, tende a ser decisivo para definir se o encerramento da campanha será acompanhado de diálogo ou se veremos mais cenas de hostilidade nas ruas.
**Fontes**
A informação foi baseada em declarações públicas do ministro Kassio Nunes Marques durante sessão do STF, transmitida ao vivo pelo canal da Corte no YouTube, e em relatos de participantes da reunião no TSE. Notícias publicadas por veículos como Folha de S. Paulo, O Globo e g1 nas últimas 48 horas corroboram os episódios de violência em São Paulo, Minas Gerais e outras unidades da federação. As circunstâncias específicas dos confrontos podem ser atualizadas à medida que as investigações policiais avançam.
Por Renan Filho · 2026-10-13