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Cultura

Justiça italiana marca nova audiência sobre extradição de Zambelli para 27 de outubro

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-10-10

A Corte de Apelação de Roma agendou para 27 de outubro a próxima sessão do processo de extradição da ex-deputada federal Carla Zambelli, solicitada pelo Brasil. A decisão mantém a parlamentar em prisão domiciliar na Itália enquanto aguarda o desfecho do caso.

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A Justiça italiana marcou para o dia 27 de outubro de 2026 a nova audiência sobre o pedido de extradição da ex-deputada federal Carla Zambelli (PL-SP), atualmente detida em Roma. A informação foi confirmada nesta quinta-feira (10) pelo Tribunal de Apelação da capital italiana, que analisa o recurso apresentado pela defesa da parlamentar contra a decisão de primeira instância favorável à extradição. Zambelli é acusada pela Procuradoria-Geral da República (PGR) de envolvimento nos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023, em Brasília, e responde por crimes como tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito e associação criminosa armada.

**Contexto**

Carla Zambelli foi presa em Roma no final de agosto de 2026, quando desembarcou na cidade para uma viagem particular. O mandado de prisão foi emitido pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a pedido da PGR, com base em provas colhidas durante as investigações sobre os ataques às sedes dos Três Poderes. A ex-deputada, que perdeu o mandato em 2024 após condenação por injúria e difamação, tornou-se foragida da Justiça brasileira desde que descumpriu medidas cautelares impostas pelo ministro Alexandre de Moraes, relator do inquérito dos atos antidemocráticos.

O governo brasileiro formalizou o pedido de extradição em setembro, com base no Tratado de Extradição entre Brasil e Itália, vigente desde 1993. O tratado prevê que cidadãos brasileiros podem ser extraditados para o Brasil desde que o crime seja comum e não político. A defesa de Zambelli, no entanto, argumenta que as acusações têm motivação política e que a ex-parlamentar não teria um julgamento justo no Brasil, citando supostas perseguições do STF. Em outubro, a Justiça italiana concedeu prisão domiciliar a Zambelli, com uso de tornozeleira eletrônica, enquanto aguarda a decisão final.

A nova audiência de 27 de outubro será realizada na Corte de Apelação de Roma, que analisará o recurso da defesa contra a decisão de primeira instância. Caso a extradição seja negada, a Itália poderá conceder asilo político a Zambelli, o que geraria um impasse diplomático entre os dois países. O Itamaraty já informou que acompanha o caso com atenção e que confia na celeridade da Justiça italiana.

**Análise**

O caso Zambelli tornou-se um símbolo da tensão entre o sistema judicial brasileiro e a comunidade internacional. A demora no processo de extradição reflete não apenas a complexidade jurídica, mas também o peso político que o caso adquiriu. Para o governo brasileiro, a extradição é vista como um teste à cooperação internacional no combate a crimes contra a democracia. Já para a oposição, a prisão de Zambelli é interpretada como um ato de perseguição política, o que alimenta narrativas de vitimização e fortalece o discurso de setores radicais.

A decisão italiana terá impacto direto na credibilidade do sistema de justiça brasileiro no exterior. Se a extradição for concedida, o Brasil reforçará sua posição de que os atos de 8 de janeiro foram crimes comuns, e não manifestações políticas legítimas. Por outro lado, uma negativa poderia abrir precedentes para que outros investigados busquem refúgio em países com tratados de extradição mais restritivos, complicando ainda mais as investigações sobre a tentativa de golpe.

Além disso, o caso expõe as fragilidades do sistema de alerta da Interpol. Zambelli conseguiu viajar para a Itália mesmo com um mandado de prisão em aberto, o que levanta questões sobre a eficácia dos mecanismos de controle de fronteiras. A situação também coloca em xeque a capacidade do STF de garantir o cumprimento de suas decisões no exterior, especialmente em um contexto de crescente polarização política.

**Fontes**

As informações foram obtidas a partir de comunicados oficiais do Tribunal de Apelação de Roma, da Procuradoria-Geral da República (PGR) e do Ministério das Relações Exteriores do Brasil. Dados sobre o Tratado de Extradição Brasil-Itália foram consultados no site do Itamaraty. Detalhes sobre a prisão e as acusações contra Carla Zambelli foram extraídos de decisões judiciais do Supremo Tribunal Federal (STF) e de reportagens veiculadas pela imprensa italiana, como o jornal *La Repubblica* e a agência *ANSA*.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.