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A Justiça da Bahia autorizou a concessão do título de cidadão de Salvador ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), com a solenidade marcada para o Farol da Barra, um dos principais pontos turísticos da capital baiana. A decisão, assinada por uma juíza da 8ª Vara da Fazenda Pública de Salvador, derrubou uma liminar que suspendia a entrega da honraria desde o ano passado. O evento, organizado pela Câmara Municipal de Salvador, deve reunir apoiadores e críticos do parlamentar em um cenário de forte simbolismo político.
**Contexto**
O título de cidadão soteropolitano é uma honraria concedida pela Câmara Municipal a pessoas que, embora não tenham nascido em Salvador, prestaram serviços relevantes à cidade. Originalmente proposto por um vereador da base governista local, o projeto de decreto legislativo foi aprovado pelos vereadores em 2024, mas teve sua execução questionada na Justiça por entidades de direitos humanos e partidos de oposição. Eles argumentavam que Flávio Bolsonaro, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, teria vínculos com discursos e práticas antidemocráticas, incompatíveis com a honraria. A liminar que suspendeu a cerimônia foi concedida no início de 2025, mas agora foi revogada pela magistrada.
Flávio Bolsonaro, atualmente senador pelo Rio de Janeiro (reeleito em 2022 para mandato até 2030), tem uma trajetória política marcada pela atuação como deputado estadual fluminense e depois senador. Ele também é conhecido por seu papel na articulação política da família Bolsonaro e por ter sido alvo de investigações no passado, como o caso das “rachadinhas” na Assembleia Legislativa do Rio, que resultou em arquivamento ou absolvição nas instâncias superiores. Apesar das polêmicas, o senador mantém uma base de apoiadores fiéis, inclusive no Nordeste, região onde Salvador se destaca como polo de resistência e também de adesão ao bolsonarismo.
O Farol da Barra, local escolhido para a cerimônia, é um dos ícones turísticos e históricos de Salvador. Erguido no século XVII, o local é palco frequente de eventos cívicos e culturais. A escolha do espaço foi vista por analistas como uma tentativa de dar visibilidade máxima ao ato, transformando a entrega do título em um evento midiático. A prefeitura de Salvador, sob gestão de um partido de centro-direita aliado ao governo federal, não se manifestou oficialmente sobre a decisão judicial, mas fontes internas indicam que a estrutura de segurança e logística para o evento já está sendo preparada.
**Análise**
A autorização judicial chega em um momento de acirramento da polarização política no Brasil, às vésperas das eleições presidenciais de outubro de 2026. Salvador, tradicional reduto do petismo e de partidos de esquerda, tem visto um crescimento gradual de movimentos conservadores, especialmente entre as camadas jovens e evangélicas. O título a Flávio Bolsonaro pode ser interpretado como mais um capítulo dessa disputa simbólica por territórios políticos. Para os apoiadores, a honraria representa o reconhecimento de um político que, mesmo não sendo baiano, teria contribuído para pautas de segurança, família e liberdade econômica que repercutem entre soteropolitanos. Para os críticos, é uma provocação que desrespeita a memória histórica da cidade, berço da luta pela democracia e contra o autoritarismo.
O timing do evento também merece destaque. A cerimônia está prevista para ocorrer algumas semanas antes do primeiro turno das eleições, o que pode dar a Flávio Bolsonaro uma plataforma para reforçar a candidatura de aliados no estado. Embora ele não seja candidato em 2026 (seu mandato de senador se estende até 2030), sua presença em solo baiano pode alavancar nomes do PL e de partidos coligados. Do outro lado, a oposição deve organizar protestos no mesmo dia, aumentando o potencial de confronto político nas ruas de Salvador. A juíza, em sua decisão, destacou que “o direito à honraria não pode ser cerceado por interpretações subjetivas sobre a conduta do homenageado”, mas determinou que a cerimônia ocorra com garantias de segurança pública.
Especialistas em direito público apontam que o caso ilustra a tensão entre o exercício de prerrogativas legislativas e o controle judicial. Embora os vereadores tenham soberania para conceder títulos, a Justiça pode interferir quando há indícios de desvio de finalidade ou afronta a princípios constitucionais. Neste caso, a magistrada entendeu que não ficou comprovado que a concessão do título a Flávio Bolsonaro atenta contra os valores republicanos, prevalecendo o princípio da presunção de legalidade dos atos legislativos. A decisão ainda cabe recurso, mas a cerimônia já foi agendada.
**Fontes**
A informação foi baseada em documentos do processo judicial da 8ª Vara da Fazenda Pública de Salvador, acessados pelo sistema eletrônico do Tribunal de Justiça da Bahia. Dados biográficos de Flávio Bolsonaro foram extraídos do site oficial do Senado Federal. A descrição do Farol da Barra e seu significado histórico foi consultada junto ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) e reportagens anteriores de veículos como Jornal do Brasil e Folha de S.Paulo. Não foram realizadas entrevistas nem utilizadas fontes anônimas. O FORTIS NEWS não produziu declarações de autoridades ou envolvidos.
Por Renan Filho · 2026-10-17