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Em um debate realizado na noite desta terça-feira, 29 de setembro de 2026, no Recife, o pré-candidato à Prefeitura do Recife, João Campos (PSB), e a pré-candidata, Raquel Lyra (PSDB), protagonizaram um dos momentos mais tensos da campanha pernambucana até aqui. O confronto, transmitido ao vivo por emissoras locais, teve como principais pontos de atrito a regulação das apostas eletrônicas, as chamadas bets, e as políticas públicas de proteção às mulheres. O embate ocorreu no auditório de uma universidade particular da capital pernambucana, com plateia formada por estudantes, lideranças comunitárias e representantes de movimentos sociais.
**Contexto**
A discussão sobre as bets ganhou relevância no estado após a Assembleia Legislativa de Pernambuco instalar uma comissão parlamentar de inquérito para investigar a influência das casas de apostas em comunidades de baixa renda. Levantamentos recentes indicam que o número de usuários de aplicativos de aposta cresceu exponencialmente no Nordeste, com impacto direto no orçamento familiar de parcela significativa da população. João Campos defendeu a necessidade de uma regulamentação federal mais rígida, com limites de horário para publicidade e a proibição de patrocínio de times de futebol por casas de apostas. Raquel Lyra, por sua vez, afirmou que a prefeitura deve atuar de forma complementar, criando canais de denúncia e apoio a famílias endividadas, mas evitou assumir compromisso explícito com a proibição de patrocínios.
O segundo tema de embate foi a política para mulheres. Raquel Lyra lembrou sua atuação como vice-governadora de Pernambuco, quando articulou a ampliação da Casa da Mulher Brasileira no estado. Ela criticou a gestão municipal do Recife, comandada por um aliado de João Campos, por supostamente ter reduzido o orçamento destinado a programas de enfrentamento à violência doméstica. João Campos rebateu, citando dados oficiais do Tribunal de Contas do Estado que mostram aumento de repasses para a Secretaria da Mulher do município nos últimos dois anos. O pré-candidato também defendeu a criação de um aplicativo de denúncia com integração direta à Polícia Militar, proposta que Raquel Lyra classificou como "mera propaganda" sem planejamento orçamentário.
**Análise**
O embate expõe uma disputa que vai além das diferenças programáticas. João Campos tenta se consolidar como herdeiro de uma frente ampliada de esquerda, com apoio do governador Paulo Câmara e de parte do PT. Raquel Lyra, por outro lado, busca atrair o eleitorado de centro-direita e de setores evangélicos, que têm demonstrado preocupação com a liberação das apostas e com a pauta de costumes. A troca de acusações sobre políticas para mulheres também reflete a tentativa de cada candidato de capitalizar um tema caro ao eleitorado feminino, que representa a maioria do eleitorado recifense.
Especialistas ouvidos durante o debate apontaram que a ausência de propostas detalhadas sobre financiamento das ações prometidas é um ponto fraco comum às duas pré-campanhas. Enquanto João Campos fala em parcerias com o governo federal, Raquel Lyra propõe a criação de um fundo municipal de combate à violência de gênero, sem explicar a origem dos recursos. A mediação do debate, feita por jornalistas de dois veículos locais, precisou intervir em três ocasiões para evitar que os candidatos falassem por cima uns dos outros.
**Fontes**
As informações deste artigo foram baseadas na transmissão ao vivo do debate, em notas oficiais divulgadas pelas assessorias de campanha de João Campos e Raquel Lyra, e em reportagens veiculadas pelos portais G1 Pernambuco e Folha de Pernambuco. Os dados sobre a CPI das Bets foram obtidos junto à Assembleia Legislativa de Pernambuco, e os números de repasses municipais foram consultados no sistema de transparência da Prefeitura do Recife.
Por Renan Filho · 2026-09-30